Capítulo 29 – Correntes Invisíveis

1446 Palavras

Anna Havia dias em que eu sentia que o ar dentro daquela casa era mais denso do que o da rua. O morro parecia respirar lá fora com sua própria desordem, mas aqui dentro, cada parede guardava o peso da vigilância dele — Kadu, o rei, o dono de tudo, inclusive de mim. Depois do ataque, as regras ficaram mais rígidas. Ele triplicou a segurança, colocou dois homens na porta do quarto e proibiu que eu descesse sozinha nem para ver o nascer do sol. O argumento era sempre o mesmo: “É pra te proteger, Anna.” Mas eu comecei a duvidar se aquilo era realmente proteção ou uma prisão disfarçada de cuidado. O bebê ainda era uma semente crescendo dentro de mim, mas já me fazia sentir dividida. Parte de mim ansiava por liberdade, por poder andar pelas vielas sem medo de uma sombra. A outra parte — aquel

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