Capítulo 30 – A Primeira Batalha

1515 Palavras

Kadu A manhã começou com um sinal de rádio m*l encaixado: chiado, voz farfalhando, nervosa. Em segundos, a rotina se partiu. O som veio seco, direto ao ponto — “Chefe, tem movimento na subida da Ladeira, botei dois caras novos no portão, mas…” — e o “mas” não precisava completar. O corpo reagiu antes do pensamento, como sempre acontece quando a cidade pede sangue: a respiração estreita, as mãos firmes no volante, a cabeça girando um mapa mental de saídas, emboscadas, pontos cegos. Eu vivi a maior parte da minha vida prevendo ruídos. Aprendi a ler o morro como quem lê pele: vinhas de medo, cicatrizes que marcam história. Mas mesmo o mais antigo dos mapas falha de vez em quando — e foi isso que aconteceu naquela manhã. O inimigo não veio para roubar só território; veio para medir minha von

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