Kadu O sol nem havia despontado no horizonte, tingindo o céu de um azul profundo que prometia um dia quente na favela. No entanto, a calmaria da madrugada foi brutalmente estilhaçada quando o rádio, posicionado precariamente em cima de uma pilha de caixas de bebidas, irrompeu com uma estática seguida por uma voz rouca e desesperada. As palavras, carregadas de pânico e revolta, ecoaram pelo barraco minúsculo, gelando-me a espinha e confirmando o temor que vinha me assombrando há dias. "Tem rato no morro, chefe. Um dos seus tá passando informação pro rival." A voz de Zé, um dos vapores mais antigos e leais do nosso lado, denunciava a traição, e o peso da sua revelação caiu sobre mim como uma rocha. A frase se repetia em minha mente, as consequências de tal falha na segurança eram catastrófi

