Capítulo 35 – A Casa e o Cativeiro

1715 Palavras

Anna A noite pousava sobre o morro como um manto pesado; a mansão parecia, da rua, uma ilha dourada em meio ao preto das vielas. Para quem vinha de fora, tudo ali cheirava a triunfo — mármore, espelhos, vidro polido. Para mim, o brilho tinha a cor da prisão: reflexo que me devolvia sempre a mesma imagem, olhos cantados, roupas caras, portas trancadas por fora e por dentro. Havia dias em que o ar dentro daquela casa me sufocava de forma distinta. Não era só a vigilância explícita — os guardas no corredor, as câmeras — era um tipo de presença que me seguia como cheiro: medo. Eu já não podia confundir mais. O sentimento que emanava dos homens que me cercavam não era só obediência à ordem do Don; era temor, um medo enraizado naquele que comanda. Eles me olhavam de forma calculada, como quem

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