Kadu O morro é um império que nunca dorme. Quem manda nele não tem o luxo da dúvida — e, por mais que eu tentasse separar as coisas, o fato era simples: Anna agora fazia parte do meu reino, e um rei não deixa sua rainha sem preparo. Eu a observava da sacada da mansão enquanto ela caminhava pelo pátio, com aquele jeito hesitante de quem ainda mede os próprios passos. A barriga começava a despontar, e, mesmo assim, havia uma firmeza nela que me tirava o ar. Ela não era uma mulher frágil, por mais que tentasse parecer. Era fogo contido, e eu sentia esse fogo cada vez que ela me olhava com aquela mistura de desafio e medo. — Você vai ter que entender onde vive — disse, quando me aproximei. — Aqui, respeito é arma. E quem não aprende isso, morre. Ela ergueu o olhar, altiva. — Eu nunca pedi

