Cassie não respondeu à carta.
Mas também não a jogou fora.
Ela a guardou dentro de um livro velho, como quem esconde uma ferida que ainda sangra. Hoseok não insistiu — respeitava os tempos dela, mesmo quando o próprio coração gritava em p******o.
Na universidade, os olhares se tornaram mais frequentes. Alguns por curiosidade. Outros por inveja. Afinal, Hoseok Jung, o filho da empresária mais influente de Seul, estava namorando uma garota estrangeira, bolsista, sem sobrenome, sem histórico, sem “pedigree”.
E entre todos os olhos… havia um par em especial que ardia em silêncio.
Jiyeon.
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O veneno disfarçado de doçura
Jiyeon se aproximou de Cassie como quem oferece uma maçã reluzente.
— Cassie, né? — disse, com um sorriso quase convincente. — Eu sei que nunca conversamos direito. Mas… eu queria dizer que te admiro.
Cassie, pega de surpresa, sorriu educadamente.
— Obrigada. É gentil da sua parte.
— Hoseok tem andado bem diferente desde que vocês começaram a namorar. Mais leve. Mais… distraído.
Cassie arqueou levemente a sobrancelha.
— Distraído?
— É. Ele costuma ser mais focado. Ambicioso. E agora, parece... confortável demais. Não sei se isso é bom pra ele.
Cassie entendeu. Cada palavra era uma facada embrulhada em veludo.
— Às vezes, estar confortável significa estar feliz.
Jiyeon sorriu, mas os olhos dela eram frios.
— Claro. Só espero que ele continue sendo o Hoseok que todos admiram. E não alguém que se perde tentando salvar outra pessoa.
Cassie não respondeu. Mas dentro dela, algo se partiu — ou talvez, algo que ela tentava ignorar apenas ganhou forma.
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Conversa difícil
Naquela noite, depois do jantar, Cassie esperou Hoseok no terraço da casa.
Ele apareceu sorrindo, com as mãos nos bolsos, mas o sorriso desapareceu quando viu o semblante sério dela.
— Aconteceu alguma coisa?
— Preciso te perguntar algo — ela disse, encarando as luzes da cidade. — Eu… tô atrapalhando a sua vida?
Hoseok se aproximou.
— O quê?
— Jiyeon me procurou hoje. Disse que você está mais distraído, menos focado. E eu comecei a pensar… será que eu tô te fazendo perder coisas importantes?
Ele soltou um riso descrente.
— Cassie… olha pra mim.
Ela obedeceu, mas os olhos estavam marejados.
— Você não tem ideia de quantas vezes eu desejei sair do controle. Quantas vezes eu quis parar de viver pelos outros. Desde que você chegou, eu finalmente comecei a viver por mim. Isso não é distração. É liberdade.
Ela o abraçou com força. O coração dela estava machucado demais para confiar totalmente, mas as palavras dele ainda eram o único alívio verdadeiro.
— Eu só… não quero te atrasar. Nunca quis.
— Você não me atrasa. Você me dá motivo.
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Enquanto isso, Jiyeon…
— Ela vai estragar tudo — Jiyeon disse para Yoongi, que tomava café em silêncio no refeitório da universidade.
Ele levantou os olhos lentamente.
— Isso não é da sua conta.
— Hoseok era o melhor entre nós. E agora ele tá se perdendo.
Yoongi deu um gole no café, depois falou baixo:
— Às vezes, perder-se é a melhor forma de se encontrar.
Jiyeon franziu o cenho.
— Você também acha que ela é boa pra ele?
Yoongi fez uma pausa antes de responder.
— Não importa o que eu acho. Importa o que ele sente. E ele sente por ela. Isso é óbvio até pra um cego.
Jiyeon ficou em silêncio. Mas os olhos diziam: Isso ainda não acabou.