📖 Capítulo 11 – Ecos do Passado

578 Palavras
Cassie não respondeu à carta. Mas também não a jogou fora. Ela a guardou dentro de um livro velho, como quem esconde uma ferida que ainda sangra. Hoseok não insistiu — respeitava os tempos dela, mesmo quando o próprio coração gritava em p******o. Na universidade, os olhares se tornaram mais frequentes. Alguns por curiosidade. Outros por inveja. Afinal, Hoseok Jung, o filho da empresária mais influente de Seul, estava namorando uma garota estrangeira, bolsista, sem sobrenome, sem histórico, sem “pedigree”. E entre todos os olhos… havia um par em especial que ardia em silêncio. Jiyeon. --- O veneno disfarçado de doçura Jiyeon se aproximou de Cassie como quem oferece uma maçã reluzente. — Cassie, né? — disse, com um sorriso quase convincente. — Eu sei que nunca conversamos direito. Mas… eu queria dizer que te admiro. Cassie, pega de surpresa, sorriu educadamente. — Obrigada. É gentil da sua parte. — Hoseok tem andado bem diferente desde que vocês começaram a namorar. Mais leve. Mais… distraído. Cassie arqueou levemente a sobrancelha. — Distraído? — É. Ele costuma ser mais focado. Ambicioso. E agora, parece... confortável demais. Não sei se isso é bom pra ele. Cassie entendeu. Cada palavra era uma facada embrulhada em veludo. — Às vezes, estar confortável significa estar feliz. Jiyeon sorriu, mas os olhos dela eram frios. — Claro. Só espero que ele continue sendo o Hoseok que todos admiram. E não alguém que se perde tentando salvar outra pessoa. Cassie não respondeu. Mas dentro dela, algo se partiu — ou talvez, algo que ela tentava ignorar apenas ganhou forma. --- Conversa difícil Naquela noite, depois do jantar, Cassie esperou Hoseok no terraço da casa. Ele apareceu sorrindo, com as mãos nos bolsos, mas o sorriso desapareceu quando viu o semblante sério dela. — Aconteceu alguma coisa? — Preciso te perguntar algo — ela disse, encarando as luzes da cidade. — Eu… tô atrapalhando a sua vida? Hoseok se aproximou. — O quê? — Jiyeon me procurou hoje. Disse que você está mais distraído, menos focado. E eu comecei a pensar… será que eu tô te fazendo perder coisas importantes? Ele soltou um riso descrente. — Cassie… olha pra mim. Ela obedeceu, mas os olhos estavam marejados. — Você não tem ideia de quantas vezes eu desejei sair do controle. Quantas vezes eu quis parar de viver pelos outros. Desde que você chegou, eu finalmente comecei a viver por mim. Isso não é distração. É liberdade. Ela o abraçou com força. O coração dela estava machucado demais para confiar totalmente, mas as palavras dele ainda eram o único alívio verdadeiro. — Eu só… não quero te atrasar. Nunca quis. — Você não me atrasa. Você me dá motivo. --- Enquanto isso, Jiyeon… — Ela vai estragar tudo — Jiyeon disse para Yoongi, que tomava café em silêncio no refeitório da universidade. Ele levantou os olhos lentamente. — Isso não é da sua conta. — Hoseok era o melhor entre nós. E agora ele tá se perdendo. Yoongi deu um gole no café, depois falou baixo: — Às vezes, perder-se é a melhor forma de se encontrar. Jiyeon franziu o cenho. — Você também acha que ela é boa pra ele? Yoongi fez uma pausa antes de responder. — Não importa o que eu acho. Importa o que ele sente. E ele sente por ela. Isso é óbvio até pra um cego. Jiyeon ficou em silêncio. Mas os olhos diziam: Isso ainda não acabou.
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