Era uma manhã fria em Seul, daquelas em que o céu parece cinza por dentro também.
Cassie caminhava pelos corredores da universidade com um leve sorriso nos lábios. Pela primeira vez em muito tempo, sentia-se… leve. Livre. A conversa com Hoseok tinha deixado marcas, sim — mas marcas de reconstrução.
O que ela não sabia… é que algo muito maior estava prestes a desmoronar.
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A denúncia
Na hora do almoço, Cassie foi chamada à coordenação.
Do outro lado da mesa, o diretor da faculdade mantinha uma expressão grave. Ao lado dele, uma mulher loira de postura impecável e ar frio como neve.
Jung Hannah.
— Cassie Hunter, recebemos uma denúncia formal questionando a legitimidade da sua bolsa integral — disse o diretor.
Cassie arregalou os olhos.
— O quê?
Hannah cruzou as pernas, altiva.
— Alegam que documentos falsos foram usados na sua inscrição. Que você omitiu processos judiciais e usou um endereço falso para validar sua aplicação.
— Isso é mentira! — Cassie disse, ofegante. — Eu trouxe tudo o que tinha. Fiz o processo como qualquer aluno.
— Não estamos dizendo que é culpada — disse o diretor, tentando manter o tom neutro. — Mas, até que seja provada a veracidade de seus documentos, sua bolsa será temporariamente suspensa.
Cassie sentiu o chão sumir.
— Isso significa… que eu não posso estudar?
— Por ora, sim. A menos que consiga pagar o valor integral do semestre.
Hannah sorriu de canto.
Cassie saiu da sala tremendo.
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O confronto com Jiyeon
Na saída do prédio, encontrou Jiyeon escorada numa coluna, sorrindo como quem já ganhou.
— Viu como é fácil, Cassie? Você pode ter roubado o coração dele. Mas o mundo dele ainda pertence a gente.
Cassie cerrou os punhos.
— Você tem tanto medo de amar que só sabe destruir o que os outros constroem.
— E você tem tanto medo de perder, que se apega a um conto de fadas. Mas esse conto… vai acabar.
Cassie se aproximou, sem desviar o olhar.
— A diferença entre nós, Jiyeon, é que eu tenho cicatrizes. Você só tem máscaras.
E saiu dali com o peito em chamas.
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A decisão de Hoseok
Naquela noite, Hoseok entrou no quarto de Cassie segurando uma pasta de couro.
— O que é isso?
— Um contrato. Do meu fundo pessoal. Você vai continuar estudando. Nem que eu tenha que bancar tudo.
— Hoseok… eu não posso aceitar seu dinheiro.
— Você não está aceitando caridade. Está aceitando apoio.
— Amor é isso, Cassie. É estar quando tudo ruir. E você já segurou minha mão quando ninguém mais o fez.
Ela hesitou… e então chorou.
— Promete que, quando tudo passar, a gente vai rir disso?
— Eu prometo — ele disse, encostando a testa na dela. — Mas até lá, a gente vai lutar. Juntos.
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