Cão e Gato

817 Palavras
_Não exatamente... _dei de ombros _Helena é minha prima. Grei piscou um tanto confusa. _Oh, ok. _Por quê? _perguntei enrugando a testa, e Grei passou a mão por seus cabelos, os penteando com os dedos. _Cara, eu não sei. É só que... eles tem um lance estranho...sei lá. Bem, então eu não era a única que achava isso. Talvez ali estivesse uma oportunidade para que algumas coisas fossem esclarecidas. Observei a mesa mais uma vez, e então me virei para Grei. _Você sabe o significado daquelas tatuagens? _perguntei equivocada. Eu ainda achava que Helena estava envolvida com uma gangue. Por mais que essa fosse uma hipótese i****a, era a melhor que eu tinha. Grei arqueou as sobrancelhas. _Que tatuagens? Dei de ombros. _O pentagrama... _expliquei o óbvio _No pulso de Mona e na mandíbula de Mitchel. Grei esticou o pescoço, afinando os olhos castanhos enquanto investigava uma possível resposta para minhas perguntas, mas então seus olhos voltaram para mim, confusos enquanto ela baixava os cantos da boca: _Não vejo nada... ei, pentagrama não é um símbolo demoníaco? Suspirei, cruzando os braços. _E que tal o enorme pentagrama desenhado na nuca de Steyce? _esse ela simplesmente tinha que ter visto. Mesmo que a tatuagem em si não fosse chamativa, a cor preta parecia saltar de seu pescoço branco, como um 3D hipnótico. No entanto, ela levantou as sobrancelhas, pensando a cerca do assunto, e rindo sem graça. _Desculpe, mas acho que nunca vi essa tatuagem... Franzi o cenho, me sentindo ainda mais esquisita que de costume. Simplesmente não tinha como não ver. Então, que maravilha. Além de tudo, agora eu estava vendo coisas que não existiam... _Oh, claro _concordei suspirando _Bem, eu vou voltar antes que deem por minha falta... _menti, achando aquela a alternativa menos provável. Grei assentiu sorrindo, levantando seu copo de purê e se virando para também ir embora. Baixei os olhos, matutando sobre as últimas informações que havia tido enquanto girava sobre os calcanhares. Mas no exato momento em que executei a ação, trombei com alguém. Uma sensação familiar me atingiu como um soco no estômago, e recuei alguns passos. Steyce encarava a lata de refrigerante que havia caído no chão. Bem, pelo menos dessa vez, o refrigerante não havia manchado minha camiseta nem nada parecido... Seus olhos prateados se levantaram, me encarando com perplexidade e estupefação, a franja balançando ao redor de seu rosto. _Que tal se você começasse a caminhar olhando para frente lá de vez em quando? _ele perguntou, sua voz ríspida e hostil me lembrando das palavras de Helena: fique bem longe dele. Talvez ela tivesse mais razão do que eu pensara a princípio. _Oh, me desculpe... eu não vi. _Isso eu percebi. O que eu ainda não saquei, é essa sua vontade de se jogar em cima de mim. Talvez você seja ainda mais desligada do que eu pensei a princípio! _ele xingou se afastando. Fiquei como uma i****a, parada em meio ao refeitório, sentindo que dessa vez, não iria conseguir me segurar. Sem pensar duas vezes, corri para o banheiro, que estava vazio. Fechei a porta atrás de mim com um estalido forte, sentindo minha frustração chegar ao ponto máximo e as lágrimas traiçoeiras escorregaram quentes pelas maças de meu rosto. Cambaleei até a pia mais próxima, deixando a água correr solta enquanto molhava os pulsos e lavava o rosto. Mirei minha imagem pálida no espelho, vendo em meus próprios olhos, os olhos de meu pai. Meu coração se apertou, e aspirei o ar com força. _Pai... onde você está agora? Por que não está aqui?... Porque você o matou... _uma voz tamborilou em meus pensamentos, aprofundando e alargando ainda mais o buraco aberto em meu peito. Uma ferida que nunca se fecharia. Me deixei cair em frente a pia, sem me importar em estar exposta demais para o caso de alguém entrar. A verdade é que não me importava. Nada mais importava. Apenas a culpa que me corroia por dentro, sem deixar espaço para qualquer outra coisa. De repente, a porta se abriu. Para minha surpresa, era Helena. Enfiei o rosto entre as mãos. Ela não precisava me ver assim. Mesmo que eu não a estivesse observando, pude sentir quando ela se sentou ao meu lado, sem uma palavra. Eu ainda não sabia das suas intenções, e me convenci a permanecer quieta até que descobrisse. Meu dia já estava suficientemente ruim... Permanecemos daquele jeito por alguns minutos. _Vi o que aconteceu _ela explicou de repente, cortando o silêncio profundo que se instalara entre nós _... de novo. Não consegui rir da sua piada. Mas puxei o ar com força enquanto demonstrava que havia entendido. _Qual é o problema comigo? _perguntei de repente, surpresa por fazer essa pergunta justo a ela. Ela suspirou, mudando de posição. _Ei, apenas siga meus conselhos, está bem? _ela disse, se levantando e me tocando o ombro _Vamos, temos que voltar a aula.
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