Dias se passaram e eu não conseguia melhorar, durante o dia, quando Hinata estava trabalhando com a minha mãe eu não conseguia pensar em outra coisa que não fosse a guerra e toda a tortura que eu passei quando fui capturado com o pequeno grupo. Quantas vezes tive que sair para espairecer, e nesse quesito, Gaara tem me ajudado, nós nos encontramos na praia um dia e continuamos a conversar, nos damos muito bem e isso é bom, pensando que eu preciso de um melhor amigo no momento.
O tempo que eu tenho com a Hinata faz eu esquecer de tudo, ela resplandece, eu não sei explicar muito bem. Mas percebi que ela também guarda seus segredos e olha, eu não sei se isso é muito bom.
Hoje está se tornando um dia típico, eu deitado com a cabeça doendo e fingindo estar dormindo para não preocupar ninguém. Parece que não importa o que eu faça, essa dor nunca vai embora, a vovó Tsunade está vindo aqui sempre e todos da casa querem que eu vá ao hospital, mas eu não entro num hospital nunca mais.
Depois do anúncio do noivado o Uchiha “Maior” está tornando essa casa a dele, e isso me deixa tão enjoado, não é difícil eu sair do quarto e dar de cara com ele, Nagato está super animado, eu sei que ele ajudou muito a minha mãe depois que meu pai morreu, mas eu não consigo aceitar os dois juntos, tenho a impressão de que ele se aproveitou da minha mãe, tudo bem, isso pode não ser verdade, afinal esse acontecimento já faz anos. Mas eu não consigo gostar.
Me forcei a levantar, fui direto ao banheiro e tomei um banho, vesti uma roupa e desci para tomar café. Meus olhos reviraram quando vi ao lado da minha mãe a cabeleira n***a típica dos Uchihas, ao outro lado estava a Karin junto de Naomi, Nagato ao lado do maior e Hinata ao lado da pequena. Ela sorriu quando me viu e eu fui em sua direção, lhe dei um selinho e me sentei ao seu lado sem dizer uma palavra.
-Bom dia- escutei a voz grossa falando.
-Bom dia- respondi tão baixo que quase nem eu mesmo escuto.
O café foi silencioso, Hinata segurava a minha mão debaixo da mesa enquanto falava baixo com a minha mãe sobre alguma coisa de revista eu sei lá, não conseguia prestar atenção. Quando todos terminaram eu e Hinata permanecemos na mesa, ela fazia carinho na minha perna enquanto eu olhava pra ela.
-Sinto sua falta- eu disse.
-Você me vê todos os dias.
-Isso não é verdade- disse manhoso.
-Bom, eu estou aqui todos os dias.
-Onde estão os seus direitos trabalhistas?
-Isso não existe quando você exerce a função de namorada.
Eu sorri e a puxei para um beijo calmo e apaixonado, fazia um tempo que não me sentia assim, nas nuvens, a trouxe para mais perto e aprofundamos o beijo, ela passou as duas mãos pelo meu pescoço e eu apertei ainda mais a sua cintura. Estava tão bom, tão gostoso, mas alguém atrapalhou.
-Mais de vagar crianças- Fugaku disse indo até a geladeira e pegando um copo com água, o meu olho nunca revirou com tanta força- Você falava mais Naruto.
-E você falava menos- eu disse e vi minha mãe entrando na cozinha.
-O que é isso?- ela perguntou.
-Nada- eu me levantei e estendi a mão para a Hina que pegou- Já vamos.
-Não, você vai voltar aqui e pedir desculpas pela falta de respeito.
-Não, eu não vou fazer isso.
-Vai sim.
-Eu não vou Kushina, vamos Hinata- eu ia puxá-la para fora, mas ele segurou o meu braço.
-Não falei assim com a sua mãe- o olhei de cima a baixo.
Eu não sei se é o sangue Namikaze, mas eu sou um pouco mais alto do que ele, meu sangue ferveu quando percebi que ele não tirou a mão de mim.
-Você não me conhece Fugaku.
-Desculpe Dona Kushina, a gente se empolgou, foi de mais mesmo, Naomi poderia ter visto.
-Eu sei minha querida, não se preocupe.
-Não peça desculpas Hinata- eu disse sério ainda encarando o moreno em minha frente- Estamos na minha casa, quem está de intruso aqui não é você.
-Garoto, olhe bem como fala comigo- ele rosnou.
-Já chega- minha mãe tomou a frente, puxando a mão dele do meu braço- Eu não tolero isso aqui Naruto, entendo que mudou, mas falta de respeito aqui não.
-Eu dou respeito a quem merece respeito- dessa vez olhava para ela.
-O que quer dizer?
-Exatamente o que eu disse.
O silêncio ecoou na cozinha depois do sonoro tapa que recebi no rosto, vindo direto de Dona Kushina, ela ainda tinha a mão aberta ao lado do meu rosto, que estava vermelho depois do impacto, ninguém esperava essa atitude. Eu não fiz outra coisa se não ir até o jardim com a Hinata ainda em choque.
-Que família você se meteu não é?- Eu disse me sentando na escada e com os pés na grama.
-O que aconteceu com você Naruto?- ela se sentou ao meu lado, colocando a cabeça em meus ombros- Você não parece a pessoa que descrevem.
-Ainda fazendo pesquisa de campo sobre mim?
-Não, quando está comigo eu consigo ver nitidamente sobre quem eles falam. Você é espontâneo e alegre o tempo todo, tem um sorriso radiante.
Olhei para ela sorrindo, Hinata era a minha calmaria e eu nunca serei capaz de retribuir tudo isso, é de mais pra mim, ela é de mais pra mim. Nós conversamos, durante muito tempo, até que ficamos calados observando as estrelas, Hinata colocou a cabeça em meus ombros e depois de um tempo vi ela fechar os olhos e dormir. Me levantei e a peguei no colo, levei ela para o meu quarto, tirei os sapatos e a deitei na cama, passando o lençol fino logo depois.
Tirei os meus sapatos e me sentei no chão, de frente para a janela. Isso tudo não tem me feito bem, todas essas lembranças, todos esses sentimentos, eu acabei dormindo, sentado no chão e encostado na cama.
*Visão da Hinata*
Acordei no meio da noite, não estava me sentindo bem com esse calor todo, mas uma coisa me assustou. O Naruto começou a gritar, desesperadamente, olhei para baixo e ele estava no chão, deitado e com as mãos na cabeça, meus olhos encheram de lágrimas e eu pulei até ele.
-Naruto- falava baixinho afagando os seus cabelos, mas ele estava muito inerte- Naruto, por favor, acorda.
Ele não acordava, pelo contrário, gritava mais ainda, eu tentei o acalmar de todas as formas, mas não consegui, quando percebi Karin estava abrindo a porta e olhando a cena que percorria a alguns minutos.
-O que aconteceu?
-Eu não sei, acordei com ele gritando, não acorda, já tentei de tudo.
-Tudo bem- Ela se abaixou ao seu lado, puxando suas mãos para baixo num abraço bem apertado, mas ele se debatia dentro dele, vi Karin me olhar assustada- Liga agora para a vovó Tsunade.
-Ta bom- quando me coloquei de pé vi Nagato entrando, ele correu para o irmão ajudando Karin a conter as mãos de Naruto que insistiam em dar socos no vento.
Eu peguei o celular correndo e abri a agenda, tinha o número dela para emergências já que era médica, liguei uma, duas, três vezes e ela não atendia, quando ia desistir e voltar para o Naruto meu celular tocou em minhas mãos.
-Espero que seja urgente mocinha.
-É, é sim- Karin gritou pedindo o telefone.
-Vovó, ele está em crise- ela parou por um segundo- Eu sei, fiz o que sempre fazia, mas não está funcionando, ele não acorda- mais um tempo em silêncio- Tudo bem, estamos indo.
Ela desligou o celular e jogou na cama.
-Vamos ao hospital Senju agora- ela disse agarrando o tronco do Naruto e o arrastando.
Nessa hora a Dona Kushina abriu a porta, a preocupação estava estampada em seu rosto, Karin falou correndo enquanto todos nós o levava até o carro, nunca vi a Kushina dirigir tão rápido e mais rápido ainda foi a Tsunade que quando chegamos já estava lá, o colocaram numa maca e o levaram para uma sala onde nenhum de nós podia entrar.
Eu expliquei o que aconteceu para eles e depois de muito tempo nada de notícias dele, acabei encostando num canto e adormeci. Acordei no dia seguinte com a Karin me chamando, ela me entregou um kit de higiene bucal e falou para usar o banheiro, fiz o que ela disse e quando voltei ela já me esperava com um café, agradeci e quando estava prestes a tomar o primeiro gole escutamos os gritos do Naruto no final do corredor, vimos ele com a roupa do hospital abrir a porta com brutalidade empurrando tudo e todos indo em direção a porta. Foi contido no meio do caminho por enfermeiros que eu vi aplicar uma injeção, ele foi ficando mole e todos corremos até onde ele estava.
Naruto foi levado de volta a cama é todos ainda tinham os olhares assustados.
-Estado de choque- Tsunade falou com um estalo- Temos que tirar ele do hospital, ele falou alguma coisa a respeito disso?
-Não, nada… Só falava que não queria vir ao hospital.
-Meu menino, a gente não sabe o que ele passou.
-vamos colocá-lo na ambulância e levá-lo de volta pra casa.
E essa foi a nossa manhã, eu voltei pra casa por algum tempo, achei melhor deixar ele só com a família.
*Visão do Naruto*
Abri meus olhos lentamente e fui reconhecendo o lugar, era o meu quarto, me senti aliviado, me sentei sentindo minha cabeça latejar, faz tempo que não sinto isso. Quando coloquei os pés no chão a porta abriu e a Karin passou por ela acompanhada da Naomi que trazia um potinho com uvas, Karin trazia uma bandeja cheia de comida.
-Pra quem é tudo isso?- eu perguntei, minha voz estava ainda mais grossa do que o normal.
-Pra você, quem mais?
-Não estou com fome.
-Mas vai comer mesmo assim.
Ela disse e eu achei melhor não desafiar, ele usou a tonalidade "teimosia", se sentou na ponta da minha cama e Naomi se jogou bem no meio colocando o pote de uvas entre suas próprias pernas e começando a comer, eu não pude evitar de sorrir. Peguei um pão que estava ali só pra minha irmã mais velha ficar sossegada. Ela me olhava fixamente.
-O que foi?
-Mamãe chamou uma pessoa pra te ver.
-A Hina?- Karin revirou os olhos.
-Ela não precisa chamar a Hinata pra te ver i****a.
-Então quem é?
-Primeiro come, depois visitas.
-Então porque me falou?- perguntei rindo da cara que ela fez.
Ela nem me respondeu, pegou o celular e ficou rolando a tela até eu comer o suficiente pra ela me deixar descer. Eu passei pelo corredor com uma sensação estranha no peito e quando desci as escadas em direção a sala percebi o porquê, sentado no sofá estava Uchiha Sasuke, a última pessoa que eu queria ver. Fiquei parado ali, nem voltei e nem me atrevi ir para frente, vi a minha mãe passar por mim sem falar uma palavra e então eu me dei conta do que estava acontecendo.
-Naruto- ele olhou pra mim e ficou de pé.
Como o esperado ele estava vestido com uma calça de sarja preta e uma camisa preta também, sapatos também pretos. Eu desci os últimos degraus e fiquei parado de frente para a representação da morte, mas ainda sim bem distante dele.
-O que quer aqui?
-Quero conversar com você.
-Agora?- perguntei ironicamente.
-Sim, agora. Eu não sabia nem que tinha voltado até meu pai contar.
-Acredite, se eu quisesse que você soubesse eu teria te contado.
-Naruto, é sério, tudo aquilo que rolou.
-Você pode ir embora- eu disse antes dele conseguir formular a frase completa- Não é bem-vindo aqui.
-Não faz isso Naruto. Vai jogar tudo fora.
-Vou, eu vou sim. Porque se pra você não significou nada eu posso fazer o mesmo.
-Eu não vou sair daqui enquanto não conversarmos.
-Pois bem- vi ele ficar menos tenso- Então saio eu.
-Você nem se recuperou ainda.
-E você acha que isso me impede?
Disse virando as costas e saindo, não tinha noção de pra onde iria. Comecei a caminhar então, passei por vários lugares, e parei na praia como sempre, era o meu lugar favorito sem dúvidas, fiquei sentado ali pensando em tudo o que a minha vida se tornou, claro que as horas passaram voando e quando eu me dei conta já era noite. Não dei dois passos e cai no chão.