Faz uma semana que estou dormindo tão bem que quase não tenho pesadelos, Hinata está aqui todos os dias e eu quase não a deixo trabalhar, é difícil estar ao lado dela e não querer beijá-la, mas às vezes eu vou dar uma volta na praia, se não a Dona Kushina fica brava. E hoje é um desses dias em que eu tenho que sair, vou aproveitar para pegar o meu carro na oficina, Gaara me avisou que estava pronto. Fui caminhando até lá e ele estava bem na frente, fui entrando e dessa vez estava tudo organizado, atrás da mesa estava uma moça loira, essa deve ser a Temari que ele comentou.
-Oi- ela disse sorrindo.
-Olá, vim buscar o Pagani.
-Certo, vou chamar o Gaara para te mostrar e depois você acerta comigo, pode ser?
-Claro.
Ela se levantou e logo o Gaara chegou.
-Fala cara, tudo certo?
-Tudo sim- nós tocamos as mãos. Já ta tudo certo.
Ele foi caminhando até o carro, estava tudo certo, teve que trocar algumas peças, mas no geral estava bem conservado, acertei tudo e passei um tempo conversando com o Gaara até a Temari chegar e acabar com a festa, falando que ele ainda tinha muito trabalho pra fazer. Quando estava voltando para casa eu vi numa lojinha um pingente de girassol, que eu já sabia ser a flor preferida da Hina, então eu comprei, mesmo sabendo que não entregaria agora. Quando voltei para casa já não era cedo, dona Kushina passou por mim e me avisou que teríamos um jantar hoje a noite, não imagino com quem, mas fui me preparar.
Quando estava me trocando e arrumando a minha gravata vi a porta se abrindo e a Hinata passou por ela.
-Oi- ela disse me abraçando por trás, pelo espelho só consigo ver seus braços finos acariciando o meu abdômen- Quase não nos vimos hoje.
-Minha mãe me mataria se te tirasse por mais um minuto dela- ela riu e eu me virei de frente- Você está linda- Hinata vestia um macacão muito elegante lilás, combinavam perfeitamente com ela.
-Você também está- eu estava vestido com um terno slim azul marinho que a minha mãe me fez.
Essa foi a minha vez de sorrir, eu me inclinei e ela levantou seu rosto, nos beijamos por alguns segundos até a Karin bater na porta e entrar.
-Desculpe atrapalhar o casal, mas mamãe está nos chamando antes que os convidados cheguem.
-Você sabe quem são?- eu perguntei a Karin indo atrás dela com as mãos na cintura da Hina.
-Não faço a mínima ideia.
Karin passou pelo quarto da Naomi e a pegou, a pequena vestia um lindo vestido floral e um sapatinho branco. Nagato já está lá sentado no sofá, nos sentamos ao seu lado. e a Kushina apareceu, vestida num vestido vermelho que caia perfeitamente nela, bem acinturado. Eu me lembro quando ela costumava se vestir assim quanto tínhamos algum jantar no exército, me lembro especialmente de cenas que eu costumava espiar escondido, ela e meu pai costumavam dançar no quarto, sem música, sem nada, só os dois, não sei porque, mas essas cenas me marcaram. E agora, aqui está ela, vestida assim novamente, mas dessa vez com os cabelos soltos.
-Bom, eu os reuni aqui para dar uma notícia e eu não quero que se assustem. Faz um tempo que eu venho conversando com uma pessoa.
-Eu não acredito que a mamãe está Namorando- Nagato falou rindo.
-Fique quieto Nagato- ela o repreendeu e voltou a falar- Mas ele está certo, e hoje na verdade é um jantar de noivado.
-Uou, isso é de mais pra minha cabeça- Karin disse se levantando- Está noiva e nem se quer nos contou- vi ela olhando pra mim por um segundo.
-Eu estou contando agora. Bom, eles já vão chegar então fiquem calmos.
-Eles?
-Sim, seu filho e sua nora.
-Ta- ela disse respirando- Tudo bem, vamos aceitar, ele deve ser um bom homem.
-Ele é minha filha.
Eu fiquei quieto todo o tempo, não me acho no direito de opinar em algo. Quando a conversa finalizou eu me levantei junto da Hinata e nós fomos até o Jardim.
-Você já sabia não é?- perguntei e ela sorriu.
-Já.
-Não vai contar quem é?
-Você logo vai saber, e eu acho que vai gostar muito.
-Então eu o conheço?
-Sim- eu parei olhando para ela e admirando a sua beleza.
Ficamos ali no jardim namorando um pouco quando escutamos a campainha e o Nagato eufórico vir nos chamar.
-Você não vai acreditar quem é- ele estava muito feliz.
Mas o meu sorriso se desfez assim que entrei na sala e vi nada mais nada menos que Fugaku Uchiha no meio da sala, segurando a cintura da minha mãe e ao seu lado Sasuke e a Sakura. Apertei mais forte a mão da Hinata que percebeu na hora a minha mudança de humor e me segurou atrás de toda a festa que estava acontecendo ali. Até ele me olhar.
-Naruto- ele disse vindo em minha direção- Estava ansioso para reencontrá-lo.
***
A conversa corria solta no jantar, exceto por mim e Sasuke que comiamos calados e isso não passou desapercebido pelos olhos atentos de dona Kushina, quando tudo acabou e os três estavam se despedindo ela chegou onde eu e Sasuke estávamos, distantes.
-Vocês precisam conversar?- de repente a sala ficou num silêncio total.
-Não- eu disse sem olhar para ele e me impulsionei para frente, subindo as escadas e enquanto subia consegui escutar Fugaku dizer.
-Ele também não quer me contar o que aconteceu.
A raiva foi crescendo dentro de mim a cada degrau que eu subia, quando cheguei em meu quarto, fechei a porta com tanta força que achei que fosse despedaçar. Meu corpo estava em chamas e memórias invadiram a minha mente, memórias que eu só queria esquecer, comecei a andar de um lado ao outro, mas nada fazia a raiva sair de mim, não me aguentei e soquei a parede, fez um burado nela. Logo depois Hinata apareceu.
-Meu Deus Naruto, o que foi isso?
-Eu sei lá- minha respiração estava pesada.
-Pelo que eu entendi vocês eram melhores amigos- eu fiquei calado- Tudo bem, eu entendo você não querer me contar, mas a sua mãe ficou chateada.
-Eu não tô nem aí- eu disse de cabeça quente- vai embora Hinata, por favor, vai embora.
-Naruto…
-VAI CARAMBA- Dessa vez eu dei um chute na cama e a Hinata deu um grito, eu não queria assustá-la, mas a raiva que eu estou sentindo é tanta, tenho vontade de ir atrás dele e quebrar a cara daquele desgraçado.
E quando eu penso que seríamos irmãos aumenta minha raiva ainda mais. Eu nunca soquei tanto um colchão, acabei a noite nisso, dormi cansado.
No dia seguinte eu acordei já era mais de 9h, e eu só queria ficar sozinho, de repente as dores do meu corpo voltaram com tudo, acho que o psicológico realmente afeta o corpo, meu braço direito doía mais do que tudo, foi onde eu levei mais choques, e a minha cabeça também. Estava suando e provavelmente com febre, então fui tomar um banho, coloquei uma roupa limpa e voltei a me deitar, fechei os olhos por alguns minutos e acabei voltando a dormir.
-Naruto… Acorda, você precisa ir a um hospital.
Eu escutava uma voz ao longe, fui acordando aos poucos e percebi que a roupa que eu tinha trocado estava ainda pior que a anterior, a pessoa na minha frente era Karin, ela me olhava preocupada.
-Não preciso, um banho resolve.
-Isso não é sujeira para o banho resolver.
-Não vou ao hospital Karin- disse me forçando a levantar, mas a minha cabeça girou.
-Vamos, você precisa de um médico.
-Eu não quero ir.
-Você tem que ir.
-MERDA, QUANTAS VEZES VOU TER QUE DIZER?
-NÃO FALE ASSIM COMIGO NARUTO UZUMAKI.
-Eu só não quero ir ao hospital.
-O que aconteceu com você?
Eu me levantei sem responder, ela não precisa saber das coisas que passei, fui direto ao banheiro e tomei um banho, quando voltei ao quarto ela ainda estava lá.
-Eu liguei pra Vovó, ela está vindo- eu revirei os olhos.
-Porque fez isso?- disse vestindo uma bermuda, está a muito quente pra colocar uma camisa.
-Porque você está vermelho, quente e se recusa a ir ao hospital.
-Não tem necessidade de nada disso.
-A Hinata está preocupada com você- eu parei de andar, ontem eu a assustei, preciso me desculpar com ela.
-Pode pedir pra ela vir aqui?
-Você está me expulsando?
-Você até que é bem inteligente dona Karin.
-Haha- ela disse- Já vou chamá-la.
Ela saiu fechando a porta e eu me sentei, tentando me acalmar, ainda estava quente, me sentia meio mole e estranho, mas continuo firme e forte. Não demorou muito para que a pequena entrasse na porta, um pouco acanhada ela ficou na minha frente. Eu não consegui olhar em seu rosto, então peguei em suas mãos, fazendo carinho.
-Me desculpe por ontem, eu não quis te assustar.
-Aconteceu alguma coisa entre vocês?- eu fiquei tenso, não gosto de falar sobre isso então só balancei a cabeça- Não precisa me falar.
-Eu sei, eu sou calmo na maioria dos casos… É só que eu não me sinto bem com isso.
-Eu te entendo- ela se sentou ao meu lado na cama e eu finalmente olhei em seus olhos, tinha compreensão neles.
Ela me abraçou e eu coloquei meu rosto em seu pescoço, ela tem cheiro de flores, isso me acalma. Eu já estava sentindo sono quando ela começou a fazer um cafuné em meu cabelo. Estava tudo muito calmo quando a Tsunade abriu a porta sem mais nem menos, do jeito dela mesmo.
-Naruto- ela disse- e correu para me abraçar.
Me separou da Hinata e me envolveu num abraço apertado, fazia muito tempo que não sentia o abraço da minha avó e isso me fez ficar emotivo, mais do que eu gostaria.
-Eu estava com saudades- ela disse baixinho- Não faça mais isso meu querido, todos sentimos muito a sua falta.
-Eu também vovó, senti muita falta de vocês.
Ela me soltou e colocou as mãos envolta do meu rosto.
-Olha só pra você, está um homem feito e é igual ao Minato, você é igual a ele- ela abriu um sorriso- mas está ardendo em febre- disse e se virou abrindo sua maleta e pegando um termômetro.
A consulta não demorou muito e ela só me receitou alguns remédios e repouso. Assim que ela saiu Hinata se dispôs a ficar comigo, ela se deitou na cama de frente para mim.
-Esses olhos são lindos- eu disse olhando direto pra ela- Eu ainda acho que não são reais- ela sorriu.
-Eles são reais pode acreditar.
Nós passamos muito tempo conversando sobre coisas aleatórias, eu amo isso nela, é fácil de conversar e muito mais fácil ainda se perder nessa conversa e foi exatamente o que aconteceu, só nos demos conta do horário quando Naomi veio nos chamar para o almoço.