Capítulo 3

1498 Palavras
Maggie Eu fiquei extremamente irritada com a loira, não vou negar que minha vontade era de matar Nathan. Como ele diz que gosta de mim e ainda se presta a essas coisas? A resposta veio no mesmo momento: não temos nada oficial, e ele tem necessidades masculinas. E querendo ou não, eu até entendo, não gosto, mas entendo. Mas, quando ele me ofereceu sexo com ele eu realmente fiquei desnorteada a princípio, pois ninguém nunca falou tão abertamente assim comigo. Mas, também fiquei ligeiramente tentanda a tentar. A questão é: eu iria até o fim quando ele começasse a me tocar? Ou as lembranças invadiriam a minha mente como já aconteceu tantas vezes? — Eu gosto dele — Disse Mariana, olhando por cima do meu ombro para Nathan. Ele se sentara longe de nós, em uma mesa com artigos para colorir. — , ele não para de olhar para você. — Ele é muito bom. E gosta, gosta mesmo, de mim. — Então por quê você me diz que não estão juntos? Se te faz bem, minha pequena, você deveria dar uma chance. — Digamos que ele tenha hábitos sexuais muito intensos para alguém que...bem, nunca esteve com ninguém. Eu odeio dizer isso. Odeio o fato de ter perdido uma parte de minha vida e momentos mágicos e sensuais. Odeio não gostar que me toquem. Pelo menos, gosto quando ele me toca. Os leves roçar de dedos, a mão em minha cintura quando está me acompanhando. Gosto muito desses pequenos gestos e sei que se um dia eu tiver coragem, eu poderia deixar que não fosse apenas toques ocasionais. Veja bem, não é como se eu fosse de ferro. Tenho desejo, muito, por ele, mas a situação não é desejar ou não, é bloqueio. É um trauma. — Eu sinto muito, Maggie. Você sabe que eu te adoro como uma filha, mas tenho que dizer, não deixe o que aconteceu no passado interferir em seu futuro. Já basta aquele canalha ter tirado tanto de você, não deixe que te tire alguém que pode te amar. Um nó se forma em minha garganta. Eu sempre fui chorona, do tipo que abre o berreiro em filmes tristes. — Eu sei, Mari, mas é tão difícil. Eu olho para ele e perco o fôlego, mas a ideia de travar quando...você sabe. Não consigo nem imaginar. — Esfrego a testa e o início do nariz. — Ah, querida. Se ele gostar mesmo de você, vai entender sua reação. Só me prometa — ela segura a unha mão — , que vai tentar. Não importa se ele machucar seu coração, ou as coisas não derem certo. Tente ao menos, por você. Eu iria adorar saber que você conseguiu dar esse passo. {•••} Agora mais do que nunca há uma pressão em meus ombros me puxando cada vez mais para baixo. As palavras de Mari não saem da minha mente. Elas mexeram comigo e com todas as dúvidas em minha mente. "Se ele gostar mesmo de você, vai entender sua reação." Mas entenderia? Se quando ele estiver por cima prestes a se satisfazer, ele entenderia se eu fechasse as pernas e começasse a chorar? Se eu o empurrasse para longe do meu corpo? Eu não sei. De verdade. A única pessoa que poderia me responder essas perguntas é Nathan, mas eu não estou preparada para falar com ele sobre isso. — Sua tia é muito simpática, você sempre vem visita-la? — Sempre que posso, e aliás, ela gostou de você. Acho que se fosse mais nova ela daria em cima de você fácil fácil. Ele ri abertamente. O que é muito raro. — Ela tem um ótimo gosto então. Reviro os olhos. Ele tem esse auto amor implacável que as vezes é irritante demais. Estamos tomando o caminho para meu apartamento. Que é dez vezes menor que o de Nathan e fica mais próximo a periferia. Não que eu me incomode, eu adoro o lugar e principalmente por custar menos de quinhentos dólares mensais. — Você ainda visita a sua mãe nos domingos? — Pergunto a ele. — Sim, bem, as vezes. Geralmente ela está em Orlando aos domingos. — Sua mãe adora a Disney, eu ainda tenho aquelas pantufas da Mini que ela me deu no Natal. — Pelo menos você tem um, eu tenho uma coleção inteira de pantufas, meias, casacos, e chapéus decorativos em uma caixa em meu armário. Ela gasta toda a sua pensão nessas coisas. — Há um sorriso no canto dos lábios dele. Falar da mãe sempre melhora o humor de Nathan. — E seu pai, e seus irmãos? Ainda é uma guerra? — Você não estava no escritório quando Richard jogou a copiadora no chão em um acesso de raiva? Eles me odeiam. — Eles são uns babacas. Sério, Olivia a recepcionista sempre se esconde quando Richard vai na empresa pois ele tenta seduzi-la. — Eu já proibi a entrada dele, mas ele não ouve um não. É o típico comportamento dos Louive. — Que bom que, mesmo você sendo determinado e super chato, tenha herdado aspectos de Cristina. — Chato? — Eu sabia que ele ia escutar apenas essa parte. — Eu não sou chato. — É sim, muito. Ele olha pelo canto do olho para mim e eu sustento o seu olhar. O que foi, Louive, não sabe brincar? — Se eu pudesse, te mostraria agora, no banco traseiro, que eu não sou nada chato. — A voz dele sai rouca, como se tivesse gritado por muito tempo. Isso me provoca arrepios dos mais intensos que já tive. — E por que não pode? Não que eu queria, mas você não é o tipo de cara que se deixa passar vontade. — É que eu não gostaria de fazer isso e acabar assustado e afastando você em consequência. Eu sei que você não gosta que a toquem. Mas eu gosto quando você me toca. Mesmo sendo toques gentis e educados. Eu gosto da sensação e dos arrepios que me causa. — Eu gosto de abraços, gosto de beijo no rosto. É só questo de confiança, acho. E eu confio em você. Ele freia abruptamente e fico feliz por estar com o sinto de segurança. Ele enlouqueceu? Ele olha para mim com espanto nos olhos e alho indecifrável. — Então eu posso? Olho para ele confusa. O carro de trás começa a buzinar como um louco. — Droga! — Ele xinga e engata o carro para continuar o trajeto. — Filho da... O carro de traz ultrapassou o nosso e o motorista estava com o braço para fora da janela fazendo um sinal feio ( mostrando o dedo ), para nós. Nathan busina freneticamente, xingando o homem de todos os palavrões possíveis. Houve uma vez que ele saiu do carro em uma situação parecida e começou a brigar com o motorista. As coisas desandaram rápido, e acabamos na delegacia depois dos dois envolvidos trocarem socos. Nathan tem pávio curto pois quase sempre está com a glicemia baixa devido a uma condição, o que faz com que ele fique irritado facilmente e com pequenas coisas. — Que i*****l. — Você freou do nada, ele não totalmente culpado por essa discussão de quem busina mais alto. — Era para você ficar do meu lado, Maggie. — Desculpe, mas sou justa. — Digo, guiando meu olhar para a janela. {•••} O carro estaciona em frente ao edifício e antes que eu saia do carro, Nathan da a volta no veículo e abre a minha porta. Ele sempre fizera isso e eu meio que sempre espero. — Obrigada. Ele fecha a porta atrás de mim. Nossos olhos fixos, sem sequer desviar. Eu adoro quando eles estão azuis acinzentados, mas hoje há um brilho, uma luz, em seu tom azul. Ele se inclina e eu não acompanho o movimento, quando sinto seus lábios tocar os meus é como se o mundo parasse e até meu coração deixasse de bater. Ele me beijou. Um selinho casto e rápido. Pisco os olhos tentando entender a situação. Ele fez mesmo isso? Ele me beijou?! Caramba, Nathan Louive, me beijou! — Com calma e sempre, certo? — S-sim. — Gaguejo, porque estou pulando por dentro. Beijar é fácil, é bom. Beijar é uma opção, uma excelente aliás. — Até segunda, Maggie Rose. Ele se afasta e vai para o carro. Me aproximo do portão porque sei que ele só vai sair até que eu entre. Ele sempre faz isso, como se quisesse me proteger a todo custo. E eu adoro isso. Aceno para ele que dá uma buzinadinha. Entro no prédio e fecho o portão de ferro. Ouço as pedras e o asfalto estalando com a saída do carro. Ele me beijou. Não foi intenso demais, não exigiu muito. Apenas fez um gesto de carinho que me desarmou inteira. Nathan pode não saber, mas o que ele fizera significa para mim muito mais do que ele pensa.
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