Nathan
Poderia ser melhor, claro. Poderia beijar ela com vontade, poderia pecorrer as mãos em seu corpo e apalpar sua b***a. Poderia fazê-la gemer em minha boca só com um beijo. Mas, é de Maggie que estamos falando e eu não quero assusta-la. Ela confia em mim e vou fazer o que posso para manter essa confiança.
No domingo visitei meu amigo Florencio, e passei a manhã na casa dele.
Na segunda trabalhamos normalmente mas a diferença é que quando Maggie foi ao meu escritório para dizer que já estava indo embora eu a beijei — um selinho um pouco mais demorado —, e a deixei ir.
Mesmo com o p*u duro dentro das calças.
É incrível que mesmo usando vestidos longos, terninhos, e saias lápis que vai até o joelho e blusas sem decote, Maggie sempre parece sexy demais.
Na terça a nova equipe de Marketing e a minha estagiária iniciaram seus trabalhos e Maggie garantiu que somente os melhores tinham sido selecionados.
Na quarta eu queria matar alguém.
— Acalme-se, Nathan. — Pediu Maggie, já preparando o copo de Whisky e me trazendo.
— Como eu vou me acalmar, Maggie?! Eles são...eu os odeio tanto. Eu o odeio. — Esfrego meu cabelo, embaraçando os fios.
Ela me estende o copo de Whisky e a barra de chocolate com nozes. É a minha preferida e ela só a traz quando é um ocasião especial ,ou um momento crítico.
As vezes me pego pensando em como Maggie me conhece, desde meus gostos aos meus sentimentos. Estamos trabalhando juntos a três anos, e desde então nossa relação só se fortificou.
Eu não sei o que faria sem ela.
— Ele não tem o direito de desmerecer o seu trabalho, eu sei que você tem o direito de estar irado, mas por favor, tente se acalmar. — Ela está preocupada, e seu tom de voz e ameno. — Vou pegar o glicosímetro, você está um pouco pálido.
Ela se afasta e sai da sala, somente para voltar minutos depois com uma mala preta com os equipamentos.
Minha glicemia e pressão saíram alteradas. Baixas demais para que ela ínsita em ligarmos para meu médico. Mas a questão é que o que estou sentindo é devido a rasteira que meu pai me passou.
Somos rivais no negócio. Minha empresa fornece investimento e consultas de marketing para diversos tipos de empresas, já a dele é maior, mais reconhecida, mesmo que ainda sirva para o mesmo fim. Quando eu liguiei para Mitchel, o responsável pela gerência da Gucci, ele me disse que outra empresa havia feito uma proposta melhor. Eu tinha trabalhado com esforço para conseguir esse contrato e meu pai o conseguiu diminuindo o valor da demanda.
Ridículo.
Covarde.
Só de pensar o sangue volta a ferver em minhas veias.
— Nathan, por favor, deixe que eu ligue para Robert.
— Tudo bem, pode ligar.
Trinta minutos depois o médico chegou, e meus sinais vitais continuam alterados. Mas o problema é que agora eu estou sentindo os sintomas. A fraqueza nos músculos, a tontura, a vontade de beber água. Sinto que estou definhando.
— Beba a água, Sr. Louive.
Ele havia pedido a Mags que trouxesse água com açúcar e algum carboidrato. Eu nunca vi Maggie correr tão rápido. Ela deveria pensar em entrar para as olimpíadas. Se posta em prova tenho certeza que ela teria excelentes resultados.
O doce da água é enjoativo, mas bebo mesmo assim. Qualquer coisa é melhor do que sentir essa agonia e fraqueza. É como se todo meu corpo quisesse desligar, mesmo que meu coração esteja batendo forte para compensar a falta de sangue chegando a ele.
— Eu aconselharia ir para o hospital, continuar o tratamento lá, mas como conheço você, acho que uma unidade de home care seja uma escolha melhor. O que acha?
— Eu quero ir para casa.
Maggie franze o cenho, provavelmente não gostando da minha escolhas mas a questão é que eu odeio hospital. Sei que é muito importante, sei que médicos e enfermeiros são necessários, mas o edifício, as paredes brancas e os aparelhos, o necrotério no subsolo, é o que me assusta. E eu não pretendo mudar minha decisão, mesmo que ela esteja me olhando como se fosse me espancar até eu escolher o contrario.
Desde pequeno tenho essa hipoglicemia que interfere em minha vida de forma tão negativa.
Eu tenho que comer de três em três horas e sempre ter algum snack por perto, e não posso malhar todos os dias da semana, pois tenho muita facilidade de perder peso. Alguns dizem que é uma benção comer e não engordar, mas é terrivelmente difícil se olhar no espelho e se ver apático, magro, não devido a um exercício e sim de uma condição.
Quando eu era mais novo, sempre tive problemas. Era comum eu desmaiar na escola, pois só permitiam lanches na hora do recreio. Eu tinha tanto medo de passar m*l e ter que enfrentar a irá de meu pai, que simplesmente adquiri um pânico de sair de casa e estar sozinho. Me lembro de quando viajamos para Londres, eu tinha doze anos, comi algo que me fez m*l e devido aos vômitos eu passei m*l por causa da desidratação e minha pressão estava baixa demias para que eu conseguisse ficar acordado. Eu quase entrei em coma naquele dia e algumas lembranças são apenas flexes, mas eu me lembro bem do meu pai dizendo "Eu não criei um filho maricas, trate de virar homem ou o mundo vai devorar você."
Eu nunca mais consegui falar abertamente o que eu estava sentindo. Sempre sentia que tinha que esconder meus sintomas e me mostrar forte.
Hoje, sei não deveria ter escutado meu pai.
O soro glicosado pinga vagarosamente no equipo. Gotas gordas e pesadas. Gotas milagrosas que me fizeram melhorar.
O médico foi embora, mas a enfermeira ficou, pois eu precisaria trocar de bolsa mais uma vez.
Ao lado da minha cama, em uma poltrona cor de creme, Maggie mexe no notebook. Ainda irritada. Ainda linda. Confesso que tê-la aqui me tranquiliza. É como se ela fosse aquela estrela norte que nos leva de volta para casa e para nossa zona de conforto. Ela é a paz enquanto meu mundo é o caos.
— Peça a Germina para fazer nosso jantar, por favor.
Ela se levanta deixando o laptop sob a poltrona. Ela olha para mim, primeiro para os olhos e então para o corpo. Vejo as sobrancelhas dela caírem pesadamente e prevejo lágrimas em meu futuro.
— Estou bem, Maggie.
— Não, não está. — Ela suspira. O corpo espande com o inflar de seu pulmão e ela balança a cabeça para os lados. — O senhor tem alguma preferência? — Ela pergunta, mudando de assunto.
— Escolha algo que goste.
— Hum, tudo bem. Não vou demorar, certo?
Além de minha mãe, ninguém mais se preocupa comigo. Ninguém mais age como se eu fosse querido. E caramba, eu tenho plena noção de que as vezes eu sou um babaca completo, mas tenho meus motivos. Não posso ser amigo dos meus funcionários se eu quero que eles tenham um trabalho efetivo. Só que, mesmo com os gritos, mesmo eu exigindo muito dela, mesmo eu sendo um pé no saco, ela sempre é gentil, e sempre me trata bem.
Ela gosta de mim, sei disso. Mas mesmo antes, quando eu era só o chefe, ela nunca alterou seu comportamento.
Maggie tem uma gentileza em seu coração que me faz admira-la ainda mais. Nunca conheci uma mulher assim, e isso reflete em minha adoração a ela.
No início era assutador pensar nela. Eu sempre acaba ficando ansioso e com o coração a um fio. E eu achava, que de certa forma era alérgico a ela. Mas então, em uma festa entre meus sócios, ela estava usando um vestido rosa claro que acentuava sua curvas e então foi de m*l a pior. Passei a festa inteiro cheio de raiva pelos olhares que os homens dirigiam a ela. Fiquei ainda mais irritado quando ela aceitou dançar com o i****a do Eliott Page. Desde aquele dia tenho plena certeza que Maggie fez alguma magia de bruxa que me encantou, e me prendeu a ela.
Não estou reclamando, mas as vezes era incrivelmente difícil ficar perto dela sem ter pensamentos sórdidos. O que atrapalhou meu trabalho. As vezes eu não consiga digitar, ler, pensar. Eu estava viciado nela. E desde então só cresceu e cresceu, aponto de eu, como um adolescente, me declarar para ela.
Depois de um episódio de Supernatural, a enfermeira voltou para trocar o soro. Ela me lançou aquele típico sorriso de "eu transaria com você" e eu a ignorei. Tem coisa melhor na cozinha, provavelmente ajudando Germina a fazer o jantar.
— Sua glicemia e sua pressão se estabilizou, Sr.Louive. — Disse ela, cheia de dedos.
— Fico contente. Agradeço o trabalho de vocês de terem vindo até aqui. — Ela sorri diante de minha palavras.
Duas batidas na porta do quarto e então Maggie entra. Os olhos dela me encontram primeiro, e um sorrisinho estampa seu rosto. Ela deve ter aprontado alguma, pois sempre fica com essa cara de menina levada quando faz algo que vai bagunçar com meu dia.
— O jantar fica pronto em vinte minutos. — Ela diz, se aproximando de mim. — Está tudo bem com ele?
A enfermeira vira o rosto para ela e com a voz mais formal diz:
— Bem é um apelido, o médico disse que você poderia voltar a sua rotina, mas que seria aconselhável que alguém ficasse para passar a noite com o senhor. — Ela diz e pelos cantos dos lábios dela levemente elevados, ela deve achar que será ela quem ficará aqui. Bem, eu tenho outros planos.
— Tem problema se você ficar? — Pergunto a Maggie.
— Não, não tem. Mas tem certeza? A enfermeira vai cuidar melhor de você. — Ela diz, olhando de mim para a enfermeira.
— Eu com certeza... — Inicia a loira.
— Já decidi, senhoritas. Eu agradeço todo o cuidado, mas prefiro que Maggie cuide disso.
A enfermeira loira torce a boca, mas o que ela poderia dizer? Exatamente, nada.
— Se é assim que deseja, Sr.Louive. — Diz ela, por fim.