Sofia olhou para o céu, o sol banhando seus cabelos longos e ruivos com um brilho dourado. Um sorriso nervoso dançava em seus lábios enquanto se aproximava do museu. A fachada moderna parecia refletir o que ela esperava do dia: algo novo, excitante e talvez até transformador. Era a primeira vez que iria a um museu com Pedro, e a mistura de ansiedade e expectativa formigava em seu peito.
Pedro, por outro lado, mantinha-se firme, mas carregava uma sensação de deslocamento. Museus não eram sua praia. Na verdade, ele só os frequentava por obrigação, geralmente para acompanhar seu pai, um admirador declarado de arte. Mas, dessa vez, não era sobre arte. Era sobre Sofia. E ele sabia que ela merecia isso. Além disso, não podia deixar de pensar: "Meu pai iria adorar conhecê-la. Eles têm tanto em comum..."
Quando entraram no espaço amplo, Sofia foi imediatamente capturada pelo ambiente. Os olhos verdes dela, vibrantes, examinavam cada detalhe com fascínio. Pedro, no entanto, desviava o olhar para ela mais do que para as obras ao redor. Ele notava como ela parecia absorver tudo, como se o ambiente conversasse diretamente com ela.
— Vamos começar por aqui! — Sofia apontou animada para uma grande sala de exposição.
Ela andava com passos leves, quase como se flutuasse, e Pedro a seguia, lutando contra a sensação de que estava deslocado. Quando ela parou diante de uma tela abstrata com cores fortes e vibrantes, ele notou como seus olhos brilhavam ao examiná-la.
— Olha só! — disse ela, sorrindo. — É fascinante como o artista mistura dor e alegria em uma só peça.
Pedro tentou interpretar a tela, mas, para ele, parecia apenas um emaranhado de cores. — Eu não sei... parece só um monte de tinta jogada na tela.
Sofia riu, um som leve e sincero que fez Pedro relaxar um pouco. — Esse é o ponto! A arte não precisa fazer sentido. Cada um vê o que sente. Para mim, isso representa a vida: uma bagunça bonita.
Pedro não respondeu. Ele a observava falar, admirando a paixão que transparecia em cada palavra. Era algo que ele não entendia, mas que o encantava. Ele estava enfeitiçado. Sem perceber, seus olhos deslizavam pelo rosto dela: os cílios longos, os traços suaves, a forma como os cabelos ruivos caíam sobre os ombros. Sofia parecia estar em seu elemento, e ele não conseguia desviar o olhar.
Enquanto Sofia se aprofundava em uma análise apaixonada de outra obra, Pedro se perdeu em pensamentos. Ele sabia que a medicina era seu caminho — ou pelo menos deveria ser. Sua mãe já havia traçado cada passo para ele, desde a faculdade até as futuras conexões sociais que ele precisaria cultivar. "Mas será que é isso mesmo que eu quero?", pensava. Ele se sentia preso, como se estivesse vivendo um roteiro escrito por outra pessoa.
— Pedro? — A voz suave de Sofia o trouxe de volta. — Você está bem?
— Estou, sim. Só distraído.
Ela sorriu, mas havia algo em seus olhos que parecia buscar mais. — Sabe, às vezes, estar em um lugar assim pode ser um pouco... avassalador. Eu entendo.
Pedro apenas assentiu, sem saber como responder. Ela tinha uma forma especial de compreender as pessoas. Era como se ela visse além do que ele mostrava.
Mais tarde, enquanto exploravam outra sala, Sofia parou diante de uma escultura imponente. Seus olhos se encheram de emoção, mas Pedro percebeu algo diferente. Havia uma vulnerabilidade ali, uma hesitação sutil que ele não tinha notado antes.
— Está tudo bem? — ele perguntou, quase num sussurro.
Ela respirou fundo e assentiu, mas seus olhos vagaram pela sala antes de responder. — Sim, é só que... às vezes me pergunto se estou vendo tudo isso do jeito certo. Como se tivesse que provar para mim mesma que eu entendo, que eu pertenço a esse mundo.
Pedro não sabia o que dizer. Ele a via como uma força da natureza, mas ali estava ela, tão confiante e, ao mesmo tempo, tão humana.
— Você é incrível — disse ele, sem pensar.
Sofia olhou para ele, surpresa, e depois sorriu, genuína. — Obrigada, Pedro.
Mais tarde, no café do museu, eles conversaram sobre sonhos e expectativas. Sofia falou sobre sua paixão por design de moda e como queria criar algo que fizesse as pessoas se sentirem únicas. Pedro ouviu com atenção, mas sua mente continuava voltando para suas próprias dúvidas.
— E você, Pedro? — perguntou ela, inclinando-se ligeiramente para frente. — O que você realmente deseja?
Ele hesitou. — Eu quero ajudar as pessoas. Quero ser médico. Mas, às vezes, sinto que estou seguindo um caminho que já foi decidido para mim.
Sofia ficou em silêncio por um momento, depois segurou a mão dele sobre a mesa. — Então, talvez seja hora de decidir o que você realmente quer.
Pedro sentiu o peso das palavras dela. Ela o fazia ver as coisas de uma forma que ninguém mais fazia. Ao olhar para ela naquele momento, ele soube que, de alguma forma, ela estava abrindo um caminho que ele não sabia que precisava trilhar.
Quando se despediram, Sofia sorriu, os cabelos balançando ao vento enquanto ela se afastava. Pedro ficou parado, observando-a com um olhar perdido e sonhador.
"Sofia é única", pensou. E, mesmo que sua vida parecesse uma trilha traçada por outros, estar ao lado dela fazia tudo parecer um pouco mais... possível.