Novos Caminhos

949 Palavras
Segue a versão revisada e melhorada do capítulo, mantendo a essência do original e aprofundando nos elementos emocionais e sutis que ajudam a conectar o leitor com a jornada de Sofia: Sofia fechou a porta atrás de si, o peso do dia esvaindo-se com o conforto do lar. O cheiro familiar de lavanda e o aroma acolhedor de bolos na cozinha envolviam o ambiente, como um abraço silencioso. Tirando os sapatos e deixando-os de lado, ela deixou-se cair no sofá por um momento, mas logo o entusiasmo voltou à tona. Seus pensamentos corriam, e ela sabia exatamente quem queria compartilhar aquilo. Pegou o celular, hesitando brevemente antes de apertar o botão de chamada. O toque demorou pouco, e a voz calorosa de Rita preencheu a linha. — Oi, Sofia! Que bom ouvir você! Como foi a entrevista? — perguntou Rita, com aquele entusiasmo característico que sempre fazia Sofia sorrir. — Foi ótima, Rita! — respondeu Sofia, animada. — Gostei muito do Atelier, e senti que posso realmente contribuir. Rita riu suavemente. — Eu sabia que você ia arrasar. Mas estou sentindo que tem mais coisa aí... Sofia riu, já imaginando a reação da irmã. — Você não vai acreditar, mas depois da entrevista eu conheci um cara... Pedro. Nos esbarramos por acaso e acabamos indo juntos a uma galeria de arte. Houve um silêncio breve antes de Rita explodir em gargalhadas. — Espera, você foi a uma galeria com um estranho? E como foi isso? — Não foi tão estranho assim, Rita. Ele... é diferente. Não entende muito de arte, mas tentou. Gostei do esforço. Rita riu de novo, mas sua voz logo se tornou mais curiosa. — Diferente como? Ele é bonito? Sofia suspirou, um sorriso escapando. — É, ele tem um sorriso que... bem, digamos que eu não consegui ignorar. Mas é cedo. Nem sei direito o que pensar. Rita, com o tom brincalhão que só uma irmã poderia ter, insistiu: — Ah, conta mais, vai! O que vocês falaram? Sofia se ajeitou no sofá, olhando para o teto como se pudesse rever o dia nos detalhes. — Conversamos sobre tanta coisa. Arte, vida... no café ele me perguntou o que eu realmente queria da vida, e isso me pegou de surpresa. Fiquei pensando que quero criar algo que tenha significado, sabe? Algo que mostre quem eu sou. Do outro lado, Rita ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder, com uma seriedade suave: — Você sempre teve esse brilho, Sofi. É tão bom ouvir você falar disso com paixão. Sofia sentiu um calor se espalhar em seu peito. Era bom ouvir aquilo, especialmente de Rita, que sempre fora sua maior apoiadora. — Obrigada. De verdade. E sobre o Pedro... ele é diferente. Vem de um mundo que parece tão distante do meu. Ele falou um pouco sobre a família, parece complicado. Mas, ao mesmo tempo, tem algo nele que... não sei explicar. — Talvez seja isso que torna tudo mais interessante. Não dá para saber o que vai acontecer, mas parece que ele te marcou, — disse Rita, com um tom sonhador. Sofia riu baixinho. — Talvez. Mas, por enquanto, estou focada no trabalho e nas minhas coisas. Preciso de um tempo para organizar tudo na minha cabeça. Rita não pôde deixar de provocar: — Tudo bem, mas não esqueça de me contar cada detalhe. E, Sofia... aproveite. Você merece ser feliz, mesmo que isso signifique sair um pouco da sua zona de conforto. — Prometo que te conto tudo, — respondeu Sofia, sentindo-se mais leve. Depois de se despedir, Sofia deixou o celular de lado e afundou no sofá, o olhar perdido na janela. A luz da cidade piscava ao longe, como se refletisse as possibilidades que ela começava a vislumbrar para sua vida. Pedro era uma dessas possibilidades. Não tinha certeza de onde aquilo levaria, mas, pela primeira vez em muito tempo, sentia-se empolgada com o desconhecido. Era como se o universo estivesse lhe dando permissão para explorar, para tomar as rédeas do próprio destino. Com um último olhar para o céu estrelado, Sofia sorriu. A jornada estava apenas começando, e, mesmo com as incertezas, ela sabia que estava pronta para tudo o que viesse. A semana seguinte passou como um turbilhão, arrastando Sofia por uma avalanche de emoções. A despedida da cafetaria foi um misto agridoce de alegria e melancolia. Quando entrou no café pela última vez, seu coração apertou ao ver Dona Celeste ajeitando as mesas com o mesmo carinho de sempre, como se o tempo tivesse parado ali. — Sofia, minha querida! — exclamou Dona Celeste, abrindo um sorriso acolhedor que aquecia qualquer coração. — Estou tão orgulhosa de você! Este é apenas o início de uma nova e maravilhosa jornada. — Obrigada, Dona Celeste. Vou sentir tanta falta deste lugar e de todos vocês, — respondeu Sofia, com a voz trêmula, segurando as lágrimas que insistiam em surgir. Ela olhou ao redor, gravando cada detalhe na memória: o aroma inconfundível de café fresco, os sons familiares de xícaras se chocando suavemente contra os pires, e as incontáveis lembranças construídas ali. Não era apenas um trabalho; a cafetaria havia sido um lar, um refúgio. — Você vai brilhar, Sofia. Eu sei disso. Mas lembre-se: sempre terá um lugar aqui, — disse Dona Celeste, envolvendo-a em um abraço apertado e caloroso. Sofia se afastou, os olhos marejados, mas com um sorriso que carregava gratidão. Fez uma promessa silenciosa de voltar para visitar, mesmo sabendo que agora o caminho a conduzia para além daquela porta. Enquanto saía pela última vez, o sino sobre a entrada tocou, marcando não só o fim de um ciclo, mas também o início de uma nova etapa.
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