Daniel
A delegacia está agitada. Tem pessoas amontoadas por todos os lados. Danilo é uma delas. Ao vê-lo, Ema faz menção de ir até ele, mas, eu a impeço.
— Fica perto de mim. — Sou autoritário, ela obedece. Por que ela é tão submissa? Deve ser por isso que meus pais amam tanto essa mulher, ela faz o que eles querem.
— Senhor, não é melhor alguém ficar com o Danilo? Ele está muito sozinho. — Ela diz olhando para onde meu irmão se encontra.
— Não. Você vai ficar aqui. — Falo de forma que não haja questionamentos e Ema se encolhe. Fomos ao balcão de atendimento, enquanto converso com o policial escuto uma coisa estrondosa tocar, parece uma sirene. Ema atende rápido
— Oi, dona Daniela. — Ela olha para mim, faço sinal para que não conte nada para a mamãe.
— Ele está dormindo, jogado no piso da sala. — Fala ao olhar para o meu irmão jogado no chão da delegacia. — Sim, ele passou em casa, não sei pra onde foi.
Enquanto ela fala com a MINHA mãe, presto atenção no policial que procura a ficha do meu irmão.
— Aqui está! Danilo Silva. As infrações que ele cometeu foram graves senhor, mas esse garoto tem sorte de ser menor de idade, AINDA. — Ele enfatiza o ainda.
— Então ele está liberado? — Pergunto já sabendo a resposta.
— Claro que não. O senhor tem que assinar o termo de responsabilidade e pagar a fiança.
— Ok. — Ele entrega o documento. Assino e pego a carteira, tirando o dinheiro e entrego ao policial. Ele emite um comprovante e me entrega.
— Espere um minuto. — Ele chama outro policial falando o nome do meu irmão.
Só então percebo que Ema ainda está falando ao telefone com minha mãe.
— Desliga. — Sussurro.
— Tia Dani não se preocupe com o garotão. Nos vemos a tarde. Beijos e tenta dormir um pouco .
Ela desliga no exato momento que o policial chega com o imprestável do meu irmão, que olha surpreso para mim, mas, logo me ignora voltando sua atenção para Ema, a abraçando com força.
— Desculpa. — ele pede — Desculpa.
— Shhh… tudo bem. Estamos aqui. — ela sussurra.
— Vamos. — Chamo dando as costas pra eles.
— E a minha moto? — ele pergunta preocupado.
— Na segunda resolvo isso. — respondo.
***
No carro Ema e Danilo estavam em silêncio, bom… até agora .
— Pensei que fosse chegar de Londres na terça à noite. — Meu irmão comenta.
— Pensou errado. — falo sem desviar a atenção da avenida. — Por que você e o pai brigaram? — Pergunto .
— Ele não contou? — O moleque zomba.
— Se ele tivesse me contado não estaria perguntando. — recorro a grosseria.
— Por que ele vai transferir a Ema. — Responde depois de algum tempo. Pelo retrovisor vejo a sonsa ficar inquieta.
— Você brigou com o pai por besteira? — pergunto sem acreditar que todo esse drama foi desnecessário.
— Para você pode ser besteira, mas para mim é algo de extrema importância. Pode não ligar para transferência dela mas eu ligo, Ema é como uma irmã, uma irmã de verdade coisa que você nunca foi pra mim. — Ele fala irritado.
— Olha como fala moleque! Ainda sou seu irmão e me deve respeito. — repreendo.
— Não devo respeito à alguém que m*l conheço e que desrespeita as pessoas que amo, especialmente minha futura esposa. — Dou uma freada brusca ao ouvir isso.
— Que história é essa? — Ema não sabe se ri ou se chora.
— Foi o que ouviu. — Danilo responde. Meu irmão está debochando de mim, só pode.
— EMA? — Ela se retrai ao ouvir seu nome mas não consegue manter a postura série por muito tempo e começa a rir junto com o Danilo.
— Cara você precisa ver a sua cara. — Meu irmão fala dando gargalhadas.
— É brincadeira dele. — Ela explica sorrindo, um sorriso muito bonito por sinal. Volto a dirigir.
— Não tenho tempo pra criancice. — Esbravejo ainda mais irritado.
— Criancice é como você trata a Ema. — Danilo retruca.
Após a brincadeira sem graça do meu irmão, ela volta a ficar calada. Depois de um tempo, chegamos ao pequeno prédio que a balofa mora. Paro o carro, Ema desce e meu irmão à segue.
— Vou ficar com ela. — Danilo avisa.
— Só não esquece de voltar para casa amanhã. — Olho para a balofa que está pensativa.
— Se cuida. — Falo.
— Espera. — Ema pede. — Não quer subir e descansar um pouco? Sei que está cansado devido a viagem. m*l chegou e saiu a procura do seu irmão. — Ela fala receosa. É isso que odeio nela. Essa nobreza. Não importa como eu a trate, ela sempre será legal.
— Pode dormir no meu quarto, a cama é grande. Eu fico na rede e o garotão dorme no sofá.
Fico olhando pra ela, sei que não é o que ela quer.
— Qual o motivo do convite? — Pergunto desconfiado e no momento ela abraça o corpo.
— Por que está cansado e não quero que durma no volante. Você dirigiu a noite toda procurando pelo Danilo até bater em minha porta.
— Cara, aceita logo! Você não vai morrer por isso. — Danilo estava impaciente.
— Eu vou ficar bem, na segunda-feira quero você às sete da manhã no escritório. — Dou partida no carro e me lembro que às chaves do meu apartamento ficaram na casa dos meus pais. Dou ré, estacionando em frente ao prédio. Ema ainda está esperando na calçada.
— Cadê o Danilo? — pergunto.
— Foi na frente, ele está faminto. — diz olhando para o chão.
— Eu esqueci as chave do meu apartamento...
— Na casa do seus pais. — Ela completa. — Tia Daniela me falou e sei que você odeia se hospedar nos hotéis de Belém, por isso, ofereci abrigo.
— Vamos. — falo e Ema vai na frente. Subimos sete lances de escadas. Fiquei pensando como ela sobe isso aqui sem reclamar?
Quando entramos na toca do Hobbit, Danilo estava comendo uma gororoba.
— Pensei que odiasse comida congelada? — Ema cruza os braços, noto um traço de divertimento em sua voz.
— Odeio, mas estou varado de fome. — diz dando de ombros.
— Está com fome? — Ela pergunta pra mim.
— Não, só cansado. — respondo, ela então vai até o quarto, demora alguns minutos para voltar. Acho que está arrumando a cama pra mim. Ela volta trazendo consigo alguns lençóis e travesseiros.
— Pode ir dormir. — ela avisa e joga para Danilo o que trouxe em seus braços. — Boa noite. — ela deseja.
— Boa noite. — retruco indo em direção ao quarto.
Me jogo na cama, estou tão cansado que não tiro nem os sapatos.