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1173 Palavras
Daniel A delegacia está agitada. Tem pessoas amontoadas por todos os lados. Danilo é uma delas. Ao vê-lo, Ema faz menção de ir até ele, mas, eu a impeço. — Fica perto de mim. — Sou autoritário, ela obedece. Por que ela é tão submissa? Deve ser por isso que meus pais amam tanto essa mulher, ela faz o que eles querem. — Senhor, não é melhor alguém ficar com o Danilo? Ele está muito sozinho. — Ela diz olhando para onde meu irmão se encontra. — Não. Você vai ficar aqui. — Falo de forma que não haja questionamentos e Ema se encolhe. Fomos ao balcão de atendimento, enquanto converso com o policial escuto uma coisa estrondosa tocar, parece uma sirene. Ema atende rápido — Oi, dona Daniela. — Ela olha para mim, faço sinal para que não conte nada para a mamãe. — Ele está dormindo, jogado no piso da sala. — Fala ao olhar para o meu irmão jogado no chão da delegacia. — Sim, ele passou em casa, não sei pra onde foi. Enquanto ela fala com a MINHA mãe, presto atenção no policial que procura a ficha do meu irmão. — Aqui está! Danilo Silva. As infrações que ele cometeu foram graves senhor, mas esse garoto tem sorte de ser menor de idade, AINDA. — Ele enfatiza o ainda. — Então ele está liberado? — Pergunto já sabendo a resposta. — Claro que não. O senhor tem que assinar o termo de responsabilidade e pagar a fiança. — Ok. — Ele entrega o documento. Assino e pego a carteira, tirando o dinheiro e entrego ao policial. Ele emite um comprovante e me entrega. — Espere um minuto. — Ele chama outro policial falando o nome do meu irmão. Só então percebo que Ema ainda está falando ao telefone com minha mãe. — Desliga. — Sussurro. — Tia Dani não se preocupe com o garotão. Nos vemos a tarde. Beijos e tenta dormir um pouco . Ela desliga no exato momento que o policial chega com o imprestável do meu irmão, que olha surpreso para mim, mas, logo me ignora voltando sua atenção para Ema, a abraçando com força. — Desculpa. — ele pede — Desculpa. — Shhh… tudo bem. Estamos aqui. — ela sussurra. — Vamos. — Chamo dando as costas pra eles. — E a minha moto? — ele pergunta preocupado. — Na segunda resolvo isso. — respondo. *** No carro Ema e Danilo estavam em silêncio, bom… até agora . — Pensei que fosse chegar de Londres na terça à noite. — Meu irmão comenta. — Pensou errado. — falo sem desviar a atenção da avenida. — Por que você e o pai brigaram? — Pergunto . — Ele não contou? — O moleque zomba. — Se ele tivesse me contado não estaria perguntando. — recorro a grosseria. — Por que ele vai transferir a Ema. — Responde depois de algum tempo. Pelo retrovisor vejo a sonsa ficar inquieta. — Você brigou com o pai por besteira? — pergunto sem acreditar que todo esse drama foi desnecessário. — Para você pode ser besteira, mas para mim é algo de extrema importância. Pode não ligar para transferência dela mas eu ligo, Ema é como uma irmã, uma irmã de verdade coisa que você nunca foi pra mim. — Ele fala irritado. — Olha como fala moleque! Ainda sou seu irmão e me deve respeito. — repreendo. — Não devo respeito à alguém que m*l conheço e que desrespeita as pessoas que amo, especialmente minha futura esposa. — Dou uma freada brusca ao ouvir isso. — Que história é essa? — Ema não sabe se ri ou se chora. — Foi o que ouviu. — Danilo responde. Meu irmão está debochando de mim, só pode. — EMA? — Ela se retrai ao ouvir seu nome mas não consegue manter a postura série por muito tempo e começa a rir junto com o Danilo. — Cara você precisa ver a sua cara. — Meu irmão fala dando gargalhadas. — É brincadeira dele. — Ela explica sorrindo, um sorriso muito bonito por sinal. Volto a dirigir. — Não tenho tempo pra criancice. — Esbravejo ainda mais irritado. — Criancice é como você trata a Ema. — Danilo retruca. Após a brincadeira sem graça do meu irmão, ela volta a ficar calada. Depois de um tempo, chegamos ao pequeno prédio que a balofa mora. Paro o carro, Ema desce e meu irmão à segue. — Vou ficar com ela. — Danilo avisa. — Só não esquece de voltar para casa amanhã. — Olho para a balofa que está pensativa. — Se cuida. — Falo. — Espera. — Ema pede. — Não quer subir e descansar um pouco? Sei que está cansado devido a viagem. m*l chegou e saiu a procura do seu irmão. — Ela fala receosa. É isso que odeio nela. Essa nobreza. Não importa como eu a trate, ela sempre será legal. — Pode dormir no meu quarto, a cama é grande. Eu fico na rede e o garotão dorme no sofá. Fico olhando pra ela, sei que não é o que ela quer. — Qual o motivo do convite? — Pergunto desconfiado e no momento ela abraça o corpo. — Por que está cansado e não quero que durma no volante. Você dirigiu a noite toda procurando pelo Danilo até bater em minha porta. — Cara, aceita logo! Você não vai morrer por isso. — Danilo estava impaciente. — Eu vou ficar bem, na segunda-feira quero você às sete da manhã no escritório. — Dou partida no carro e me lembro que às chaves do meu apartamento ficaram na casa dos meus pais. Dou ré, estacionando em frente ao prédio. Ema ainda está esperando na calçada. — Cadê o Danilo? — pergunto. — Foi na frente, ele está faminto. — diz olhando para o chão. — Eu esqueci as chave do meu apartamento... — Na casa do seus pais. — Ela completa. — Tia Daniela me falou e sei que você odeia se hospedar nos hotéis de Belém, por isso, ofereci abrigo. — Vamos. — falo e Ema vai na frente. Subimos sete lances de escadas. Fiquei pensando como ela sobe isso aqui sem reclamar? Quando entramos na toca do Hobbit, Danilo estava comendo uma gororoba. — Pensei que odiasse comida congelada? — Ema cruza os braços, noto um traço de divertimento em sua voz. — Odeio, mas estou varado de fome. — diz dando de ombros. — Está com fome? — Ela pergunta pra mim. — Não, só cansado. — respondo, ela então vai até o quarto, demora alguns minutos para voltar. Acho que está arrumando a cama pra mim. Ela volta trazendo consigo alguns lençóis e travesseiros. — Pode ir dormir. — ela avisa e joga para Danilo o que trouxe em seus braços. — Boa noite. — ela deseja. — Boa noite. — retruco indo em direção ao quarto. Me jogo na cama, estou tão cansado que não tiro nem os sapatos.
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