Ema A vila está com o mesmo odor de álcool, urina, fezes e drogas. Deixei o celular que ganhei do Daniel em casa. Sorrio e dou bom dia para as pessoas que estão nas portas e janelas das humildes casas, que por sinal, não respondem ao meu cumprimento. A casa no final da vila estava trancada, com certeza Clóvis ainda dormia. Sei que ele e mamãe não acordavam antes das três da tarde. Bato três vezes seguidas na porta, receosa é claro, troquei poucas palavras com ele desde que se juntou com mamãe, até o tirei da cadeia algumas vezes, a pedido de Natália. A porta é aberta, coloco discretamente as mãos ao nariz. — Você? — Vejo em minha frente um homem de cabelo desgrenhado, barba por fazer, olhos vermelhos e inchados. Ele a amava apesar de tudo. — Olá Clóvis. — Minha voz é fria como gelo.

