BEATRIZ O ar ficou mais pesado. A promessa dele ainda vibrava entre nós, mas agora o silêncio era outro. Um que carregava algo que ele talvez não tivesse considerado. Algo que queimava no fundo da minha garganta. Engoli em seco antes de falar, porque a verdade doía. Beatriz (baixo, firme): “Você sabe que ele é filho do Lucas.” O nome saiu como um tiro no escuro. Vi os olhos dele se estreitarem, as mãos se fechando sobre os lençóis. Um músculo saltou em sua mandíbula, mas ele não disse nada. Não ainda. Beatriz: “Do nosso inimigo, Coringa. Do homem que tentou te matar. Que destruiu tudo que você tinha. Que fez…” Parei. A lembrança do passado era um veneno que eu mesma não queria tomar. Mas ele sabia. Ele lembrava. O silêncio dele foi pior do que qualquer grito. Coringa (baixo, con

