Beatriz (narração): Acordei com o calor do corpo dele me cercando. A respiração lenta contra o meu pescoço. A mão dele firme na minha cintura, como se mesmo dormindo não quisesse me soltar. Mas ele não dormia. A voz veio baixa, rouca, carregada de algo que eu nunca tinha escutado nele. Nem depois de tudo. Nem depois de todas as palavras sujas, nem depois de me fazer gozar como se minha alma saísse do corpo. Coringa (baixo, como se falasse só pra ele mesmo): “Posso dizer que te amo?” Meu corpo gelou. E queimou ao mesmo tempo. Fingi que ainda dormia. Continuei ali, de olhos fechados, tentando entender o que p***a aquilo significava. Porque o Coringa não ama. O Coringa fode, domina, arranca pedaço. Mas amar? Ele não sabe fazer isso. Ou eu achava que não sabia… até agora. Ele respir

