CAPÍTULO 10

615 Palavras
Andreia escolheu dois livros, mas não conseguiu ler nenhum, estava ansiosa para a volta de Paul, saber que era um homem experiente nos negócios e contribuinte com sua mente para um mundo melhor, a deixava relaxada e feliz, pois acreditava que poderia ser quem realmente era, e que podia dividir seus planos com ele, poderia receber conselhos e esclarecimentos, sendo de uma família rica, dinheiro não era seu foco, mas a experiência de quem carregou um império nas costas, mas se rendeu ao amor. Ela encostou em uma pequena mesa quadrada, que tinha na biblioteca, ao ouvir o barulho de passos pelo corredor, abaixou um pouco a blusa, ajustou o cabelo atrás das orelhas esperando a entrada dele. Paul estava um pouco melhor, seu corpo gritava menos por ela, depois do banho, abriu a porta na torcida que ela estivesse entretida em um livro de preferência de pernas fechadas, assim não o deixaria louco. Ele colocou a mão na maçaneta e respirou fundo antes de entrar na biblioteca, achando estranho o sorriso que ela tinha nos lábios, os olhos brilhosos e as pernas fechadas, quando a viu. “Pelo jeito os livros te fazem bem” comentou mantendo distância. “Sempre fizeram” respondeu se aproximando, o olhando esperançosa de que falasse qualquer coisa, mas recebendo apenas o silêncio “Belo quadro” ela comentou apontando, "qual a data?”. “Não me lembro” respondeu percebendo que havia sido descuidado. “Vi sobre você na faculdade, acredita que acompanhei um pouco da sua trajetória, da sua empresa, acho que temos muito em comum”. “Acho que não” ele respondeu percebendo que se fechava em seu casulo, mas que não tinha controle sobre isso, seus sentimentos estavam dominando, “Você é diferente de mim, é uma pessoa inteligente, mas insegura, necessitada de atenção e por isso faz loucuras para chamar atenção, como tentar contra a própria vida, para ser aceita, não há o que compartilhar”. “Como pode dizer algo assim?” perguntou dando passos para trás com os olhos cheios de lágrimas, que tentava conter, “Você não me conhece, não sabe nada de mim, não tem esse direito”. Andreia respirou fundo, algumas lágrimas caíram sobre sua face, elas faziam com que o coração de Paul se arrependesse pelas coisas que havia dito, mesmo quando sua mente dizia ter razão. Ela levantou a cabeça e ia passar por ele com rapidez, mas ele a segurou pelo braço, gerando uma troca de olhares, que causavam vários sentimentos em Paul. “Não pedi para o senhor me salvar, senhor Paul, solte-me, ficarei em silêncio', mas se ainda assim te incomodar, faço questão de ir embora”. “Andreia” Disse soltando o braço dela, percebendo estar machucado, se dando conta das feridas que ela havia sofrido quando rolou na neve. “Obrigada” disse saindo da biblioteca e seguindo para o andar de baixo, o deixando sozinho na biblioteca. “Merda” ele disse irado consigo “Sou um i****a” pensava respirando fundo, procurando uma forma de pedir desculpas, sentando-se na cadeira. O coração de Paul sentia algo além da amargura e solidão que o consumia, estava no fundo, feliz, pela companhia dela, impressionado com o jeito meigo, com a beleza, a vitalidade e inocência que ela trazia em seus olhos, admitindo ser atraente. Paul estava curioso para conhecer o que ela sabia, mas temia as consequências, pois assim que a nevasca passasse, Andreia iria embora e ele ficaria com seus pensamentos deprimentes, mas sofria por sua ignorância. “Se realmente eu fosse um homem inteligente, aproveitaria ao menos o momento” pensava enquanto se martirizava.
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