CAPÍTULO 38 KARINA NARRANDO Eu fiquei olhando ele subir na moto e sair como se nada tivesse acontecido. Mas eu vi. Eu sempre vejo. O jeito que ele travou o maxilar quando o moleque encostou na cadeira dela. O jeito que ele sentou na mesa como quem marca território sem precisar falar uma palavra. O jeito que ele olhava pra Gabriela… diferente. Ele pode até não entender ainda. Mas eu entendo. Virei pra ela assim que a moto dobrou a esquina. — Tu tem noção do que tá fazendo? Ela ainda tava olhando pra rua. — Do quê? — De mexer com o Digão. Ela finalmente me encarou. — Eu não tô mexendo com ninguém. Eu ri pelo nariz. — Tá sim. E ele também. Ela bufou. — Para, Karina. — Não. Eu não vou parar. Tu viu a cara dele quando aqueles moleques chegaram perto? Se ele tivesse chegado

