Acordei com a dor latejando na perna e o som distante de passos na laje. A luz do sol atravessava o buraco na janela, cortando o quarto em linhas douradas. O cheiro de remédio misturado com fumaça ainda impregnava o ar. Fazia três dias desde o último confronto — três dias desde que o Morro do Horizonte quase virou cinzas. Vinícius tinha razão: eu precisava descansar. Mas como é que um homem dorme sabendo que o perigo ronda cada esquina? Eu podia fechar os olhos por alguns minutos, mas o morro nunca dormia. E dentro de mim, algo mais me mantinha acordado: o rosto dela. Samanta. Desde o dia em que a vi no meio do caos, com os olhos arregalados e o corpo tremendo de medo, alguma coisa mudou em mim. Eu já tinha visto muita gente naquela situação — inocentes, desesperados, tentando fugir do

