SEGREDOS NO ESCURO

1475 Palavras

A favela tem um jeito estranho de respirar. Tem dias que o vento sopra leve, trazendo o cheiro da comida das casas, o som das crianças jogando bola no campinho. E tem dias em que o ar pesa, como se o morro inteiro soubesse que algo r**m tá pra acontecer. Hoje, o ar tá pesado. Desde que eu e Samanta começamos a nos encontrar escondidos, o tempo parece correr mais rápido. Cada encontro é um risco, mas é também a única coisa que me mantém são. O problema é que os rumores começaram. Gente demais olhando pra mim com desconfiança. Os meninos do corre cochichando quando eu passo. E Vinícius… ele percebeu. — Tu tá diferente, irmão — ele diz, encostado no carro, cigarro entre os dedos. — O olhar mais longe, o coração mais perto do abismo. Eu rio de canto, tentando disfarçar. — Tá viajand

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