Erik O morro dormia, mas o meu peito estava desperto. As luzes distantes da cidade piscavam lá embaixo, e o som dos tiros que sempre ecoava havia se calado por uma noite — talvez o primeiro silêncio em muito tempo. Eu precisava daquela pausa. Precisava dela. Passei o dia inteiro pensando em Samanta. Nos últimos dias, cada vez que eu tentava me afastar, algo dentro de mim me puxava de volta. Eu já tinha encarado a morte de frente mais de uma vez, mas nunca tinha sentido medo de perder alguém como agora. E não era o tipo de medo que se vence com arma na mão — era aquele que vem de dentro, que enfraquece, que faz a gente desejar paz. Preparei tudo sem saber direito o porquê. Um cantinho no alto do mirante, onde dava pra ver o Rio inteiro. Levei umas luzes improvisadas, duas velas, uma

