UM INSTANTE SUSPENSO NO TEMPO

1204 Palavras

O céu estava tingido de tons alaranjados quando subi o beco que levava ao alto do morro. O sol parecia querer se despedir devagar, como se o dia soubesse que algo estava prestes a acontecer e não quisesse ir embora sem ver. O vento soprava leve, trazendo o cheiro da terra úmida e do asfalto quente. Fazia dias que eu observava de longe, mantendo distância, controlando o que sentia — ou tentando. Mas hoje... hoje alguma coisa em mim dizia que não dava mais pra adiar. Desde que coloquei um olheiro pra cuidar da segurança dela, a cada notícia, a cada pequeno relato — “ela foi na padaria”, “chegou da escola”, “passou na praça com a amiga” — eu sentia algo apertar o peito. Não era só preocupação. Era saudade de algo que eu nem cheguei a viver. E isso me deixava completamente perdido. Eu, Erik

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