Quando o telefone tocou, eu sabia que algo estava errado. Não era comum ela me ligar. Na verdade, eu nem sabia se um dia teria coragem de ouvir a voz dela de novo — e, ainda assim, bastou aquele som pra me fazer largar tudo. — Samanta? — minha voz saiu mais baixa do que eu esperava. Do outro lado, o som da respiração dela estava trêmulo. — Erik… tem alguém me vigiando. Foram segundos. Silêncio. Depois, um nó apertando meu peito. — Tranca a porta. Não sai de casa. Eu tô indo. Desliguei antes que ela respondesse. E, por um instante, o mundo inteiro pareceu girar. O morro dormia inquieto naquela noite. As luzes piscavam nas vielas como se o medo tivesse cor. Eu subi na moto sem pensar, o motor rugindo como um trovão que ecoava no peito. O vento cortava meu rosto, mas o que quei

