Capítulo 05

864 Palavras
LARA Robson continuou a entrevista, desviando o foco das questões delicadas sobre a privacidade do senhor Gayle. Ele agora indagava sobre minha experiência como diarista, um tópico mais comum e menos intrusivo. — Poderia me contar sobre suas experiências anteriores como diarista? — Robson perguntou com um tom mais leve. Respirei fundo, retornando ao terreno mais familiar da minha vida. Expliquei que comecei a trabalhar como diarista após concluir o ensino médio, principalmente após a morte do meu pai. A necessidade de ajudar minha mãe e, posteriormente, sustentar a mim mesma e a Enzo, levou-me a esse campo de trabalho. — Tenho uma experiência extensa nessa área. Aprendi a cuidar dos lares das pessoas como se fossem meus próprios. Acredito que a organização e a limpeza são essenciais para proporcionar um ambiente confortável e acolhedor. — Falei com confiança, recordando das muitas casas que cuidei ao longo dos anos. Robson assentiu, reconhecendo a importância da função. — O senhor Gayle valoriza muito a ordem e a eficiência em sua residência. Acredito que sua experiência será muito apreciada. A conversa, finalmente, estava voltando a um terreno mais seguro. No entanto, a mentira que construí para garantir a oportunidade para mim e para Enzo ainda pairava sobre nós. Eu estava disposta a enfrentar os desafios, mas a consciência pesava à medida que as meias verdades se acumulavam. A única certeza era que eu faria o que fosse preciso para garantir um futuro melhor para o meu filho. Assim que encerrou a entrevista, Robson agradeceu pela minha disposição, indicando que ainda realizaria algumas entrevistas com as outras candidatas agendadas. Ele mencionou que, assim que tivesse uma resposta positiva, entraria em contato comigo. Um nó se formou em meu estômago, a ansiedade pelo resultado se misturando com a preocupação pelas demais candidatas. — Muito obrigada pela oportunidade, Robson. Agradeço também pelo chá. Estou ansiosa por uma possível resposta. — Disse com um sorriso, tentando manter a esperança viva. Robson assentiu com uma expressão séria. — Agradecemos sua disposição e dedicação. Entraremos em contato assim que tivermos uma decisão. Boa sorte, senhora Lara. Agradeci novamente e me despedi. Enquanto caminhava pelo elegante corredor em direção à saída, uma mistura de emoções turbilhonava dentro de mim. A oportunidade de trabalhar para o senhor Gayle representava mais do que um emprego. Era a promessa de um futuro mais estável para Enzo e para mim. No fundo, eu queria implorar pela oportunidade, mas meu coração generoso também reconhecia a necessidade das outras candidatas. Eu me despedi com gratidão, sabendo que todos nós estávamos lutando por uma chance de mudar nossas vidas. Enquanto saía do prédio, olhei para o céu, esperando que as estrelas conspirassem a nosso favor naquela jornada incerta. O destino agora estava nas mãos de Robson e do senhor Gayle. O elevador fechou as portas, isolando-me do luxuoso apartamento e de Robson. Enquanto descia os andares, meu coração parecia apertado, carregando a ansiedade pela resposta que esperava ansiosamente. A incerteza pairava no ar, e o silêncio do elevador amplificava meus pensamentos tumultuados. À medida que descia, minha mente voltou-se para Enzo. Eu esperava sinceramente que ele não tivesse acordado antes de minha volta. Cada minuto que passava longe dele parecia uma eternidade. Imaginar seu rosto sonolento e seus olhinhos curiosos buscando por mim fazia meu coração apertar ainda mais. A porta do elevador se abriu, e eu saí para o hall do prédio, respirando fundo enquanto me dirigia à saída. O peso da responsabilidade sobre meus ombros tornava-se mais perceptível, e eu sabia que não poderia permitir que a ansiedade tomasse conta de mim. Os primeiros pingos de chuva começaram a cair suavemente enquanto eu saía do prédio. Olhei para o céu, vendo nuvens escuras se formando. Suspirei, tentando manter um pensamento positivo. Pelo menos agora, com a entrevista realizada, havia uma faísca de esperança para um novo começo. A dor no tornozelo havia cedido graças ao analgésico que Robson gentilmente ofereceu. Com um impulso renovado, apressei-me em direção ao ponto de ônibus, mas, ao chegar lá, vi o veículo afastando-se, escapando por entre meus dedos. Resmunguei algo inaudível, sentindo a frustração aumentar com a chuva que agora caía com mais intensidade. Busquei abrigo sob a pequena cobertura do ponto de ônibus, enquanto as gotas da chuva dançavam ao meu redor. Meus pensamentos se entrelaçavam com as gotas que escorriam pelo meu rosto, e eu tentava manter a positividade. Pelo menos a entrevista havia ocorrido bem, e a esperança estava viva. A chuva apertava, e eu me encolhi na tentativa de escapar da água que caía. Foi então que um carro preto passou correndo pela rua, jogando água na minha direção. — Seu bastardo merda! — gritei enquanto levantava o punho em um gesto de frustração. O carro parou abruptamente e deu ré, fazendo minha expressão se transformar em surpresa e curiosidade. To falando que essa Lara só se mete em confusão, coitada da nossa mocinha, o que será dela? Agora me aparece um doido, quem será ele? Comente se você esta gostando da história, pode ser UP ou emoji de coração. Me siga aqui na dreame e no inst4gram para acompanhar as novidades @cassescreve, e leia meus outros livros.
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