Capítulo 04

1092 Palavras
LARA A porta do apartamento se fechou suavemente atrás de mim, e o mordomo Robson conduziu-me pelo hall de entrada, um espaço luxuoso que se desdobrava em diferentes direções. Uma sala de jantar imponente à esquerda, um escritório meticulosamente organizado à direita, e ao fundo, uma sala de TV com móveis elegantes. A visão era um testemunho do refinamento e da prosperidade do senhor Gayle. Caminhamos por um corredor que levava aos quartos, mas antes de chegar lá, Robson guiou-me para a sala de estar. Uma lareira a gás, desligada naquele momento, destacava-se no ambiente. Eu, fascinada pelo luxo à minha volta, m*l podia acreditar que estava naquele lugar. O mordomo indicou um sofá confortável e pediu para que eu me sentasse. A dor persistente no meu tornozelo era uma lembrança constante, mas eu estava determinada a não deixá-la transparecer. Assenti e agradeci quando Robson ofereceu um chá. — Por favor, sinta-se à vontade. — Ele disse, servindo a xícara com uma elegância natural. Sentada no sofá, observei a lareira decorativa com fascínio. Robson sentou-se em uma poltrona próxima, seu olhar atento percebendo minha expressão. — Percebi que estava mancando um pouco. Está sentindo muita dor? — Ele perguntou, com uma nota de preocupação em sua voz. — Um pouco, mas consigo suportar. — Respondi, forçando um sorriso. Robson soltou um riso baixo e pediu desculpas por sua reação. — Desculpe pela risada, não foi minha intenção. Se precisar de algo para a dor, ficarei feliz em providenciar. A oferta sincera do mordomo me pegou de surpresa, e agradeci, reconhecendo a gentileza. — Seria muito gentil da sua parte, obrigada. — Disse, enquanto Robson se retirava para buscar o que seria necessário. Enquanto aguardava, aproveitei para absorver cada detalhe da sala de estar, ciente de que aquele momento poderia definir o curso do nosso futuro. O luxo ao meu redor contrastava com a simplicidade da minha vida, mas eu estava disposta a enfrentar qualquer desafio por Enzo e por mim. Robson retornou à sala com um copo de água e um analgésico, sua expressão refletindo genuína preocupação. Agradeci sinceramente enquanto ele entregava os itens. Tomei o comprimido com um gole d'água, sentindo um alívio imediato na dor persistente. — Obrigada, Robson. Isso vai ajudar bastante. — Disse, entregando o copo vazio e pegando a xícara de chá. O mordomo sentou-se na poltrona, seu olhar atento enquanto pegava um tablet. — Preciso esclarecer algo desde o início, senhora Lara. O senhor Gayle é extremamente exigente com horários. Você terá tempo livre durante a semana? — Ele perguntou, e uma pontada de ansiedade percorreu meu corpo. Pensando no Enzo e na necessidade desesperada desse emprego, menti com um nó na garganta. — Sim, eu tenho tempo flexível. Não me importo com os horários. Robson assentiu, satisfeito com minha resposta, mas sua próxima pergunta me fez morder o lábio com nervosismo. — Você tem filhos? O senhor Gayle é particular quanto a isso. Não queremos uma diarista que tenha preocupações com crianças e que possa abandonar o trabalho a qualquer momento. — Ele afirmou, observando-me atentamente. Apertei a xícara com força, tentando esconder minha ansiedade diante da pergunta. — Não, não tenho filhos. Entendo a posição do senhor Gayle. Crianças podem ficar doentes e demandar muito tempo da mãe. — Respondi, consciente de que estava começando a construir uma teia de mentiras. A conversa tomou um rumo inesperado quando Robson questionou se eu consideraria mudar para Nova York. Confusa, perguntei a razão, pois tal informação não constava no anúncio da vaga. Ele esclareceu que o apartamento em Daytona era apenas um lugar para o senhor Gayle relaxar, mas em breve ele precisaria retornar à cidade grande. Isso seria um problema para mim? A negação veio rápida. Eu estava disposta a sair da cidade com Enzo se fosse necessário. Robson então indagou se eu já tinha um lugar para ficar em Nova York. Nesse momento, uma mentira se formou em meus lábios. — Sim, tenho uma tia lá. — Respondi, sabendo que teria que lidar com essa história caso conseguisse o emprego. A cada resposta falsa, o nó no meu estômago apertava mais. O desespero por uma oportunidade para Enzo e eu estava moldando uma narrativa que eu teria que sustentar. A tensão no ar era palpável, e eu sabia que estava prestes a embarcar em uma jornada cheia de desafios e mentiras. Robson observou-me com seriedade, suas palavras carregadas de importância. — O senhor Gayle valoriza a confiança acima de tudo. Por isso, ele costuma levar consigo os empregados de confiança, como eu, a cozinheira e a diarista, em suas viagens. Afinal, são apenas em pessoas em quem podemos confiar que ele confia. Curiosa sobre a ausência da diarista no momento, perguntei a Robson o motivo, recebendo uma resposta que fez meu coração acelerar. — Infelizmente, a última diarista cometeu um grave erro. Ela compartilhou informações importantes sobre a vida do senhor Gayle com jornalistas. Precisamos tomar providências drásticas para evitar que o assunto fosse exposto na mídia. A notícia me fez arregalar os olhos. A pesquisa que fiz sobre o senhor Gayle nunca revelou nada sobre sua vida pessoal. Ele era uma figura envolta em mistério, e eu não podia deixar de me perguntar que segredos ele guardava tão zelosamente. — Você pesquisou sobre ele, não é mesmo? — Robson indagou, lendo minha expressão. Assenti, bebendo um pouco do chá antes de suspirar. — Sim, eu pesquisei. Nunca encontrei nada além de sua vida profissional. Ele realmente mantém tudo sobre sua vida pessoal em sigilo. Robson concordou com um aceno de cabeça. — E é assim que o senhor Gayle prefere. É por isso que ele precisa de pessoas de confiança como você, pessoas que entendam a importância de resguardar sua privacidade. Engoli em seco, absorvendo a responsabilidade que aquelas palavras carregavam. A conversa voltou-se para a minha postura diante dessa realidade. — Com isso, você não teria com o que se preocupar. — Comentei, bebericando o chá, sentindo a tensão no ar. Menti sobre muitas coisas até aquele momento, mas neste ponto, minha resposta era genuína. Eu nunca falaria sobre o que ocorresse na casa do meu patrão, mesmo que algo r**m acontecesse comigo. Era uma promessa que eu estava disposta a cumprir, não importando o custo. Lara está se metendo em confusão das grandes? Não sei, mas to sentindo um cheirinho de confusão.... E você? Comente para eu saber que está gostando da história, pode ser UP ou emojis de coração. Me siga na dreame e no inst4gram para mais novidades @cassescreve
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