De manhã, ela se dirigiu ao escritório do funcionário depois de parar para conversar com alguns vizinhos de seus avós. Seu avô nunca a deixava sozinha e, quando chegou a hora de assinar os papéis e suas mãos tremiam tanto, ela não conseguia colocar a tinta no papel, ele a segurou em seus braços enquanto ela soluçava incontrolavelmente.
"Não deveria ser tão difícil", ela chorou contra seu ombro.
"Você ainda o ama, Mackenna", sussurrou o avô suavemente. "Você tem certeza de que é isso o que quer?"
"Ele não me ama. Ele só quer me possuir. Ele me manteve escondida como se tivesse vergonha de mim, como se estivesse preocupado que o mundo descobrisse que ele havia se casado com alguém abaixo de sua classe". Ela enxugou suas lágrimas com raiva enquanto implorava para que sua raiva voltasse para que ela pudesse completar a tarefa que havia proposto. "Ele passeava por aí com aquela vagabunda de braço dado e ela me ligava para me dizer que o observava dormir porque ele estava exausto de suas relações amorosas". Ela pegou a caneta com raiva, ignorando os olhos arregalados do funcionário. "Isso acaba hoje."
"Na verdade, não vai acabar hoje. Isso é apenas o começo do processo", disse o funcionário com uma expressão de desaprovação.
Sua advogada, Camille, revirou os olhos e deu tapinhas em seu ombro. "É o fim para você, Mackenna. Assim que eu informar ao juiz da forma como ele assediou sua família, o juiz certamente tomará o seu lado e suas informações pessoais, seu paradeiro e seu empregador permanecerão confidenciais. Vou falar com o juiz hoje. Agora você pode começar a relaxar. O resto da sua vida está à sua frente e o passado é apenas o passado."
Para comemorar, ela decidiu ir às compras em busca de sapatos novos e um terno combinando para o trabalho. Seu avô se recusou a acompanhá-la na viagem, mas sua avó ficou mais do que feliz em ir junto. Elas passaram o dia todo fazendo compras e no dia seguinte saíram novamente para terminar o restante da lista que ela havia feito dos itens necessários para levar de volta a Phoenix. Ela havia passado três dias em Milão e já podia sentir o peso da culinária de sua avó em seus quadris.
Ela estava saindo de uma loja na Corso Buenos Aires quando a visão de um homem alto e moreno fez seu coração parar e seus passos vacilarem. Os olhos de sua avó seguiram seu olhar e então ela segurou a mão de Mackenna. "Ele está em Paris, lembre-se. Ele é apenas mais um italiano alto e moreno nesta cidade". Sua voz se tornou um sussurro quando o homem se virou e olhou nos olhos de sua neta. Sofia fez o sinal da cruz sobre o corpo. "Santa Maria, ele parece bravo".
"Estou começando a achar que ele tem um microchip implantado em mim que é ativado sempre que piso em solo italiano", sussurrou Mackenna com medo, enquanto Alessandro fechava seu telefone e seguia determinadamente em direção a ela através do intenso tráfego.
"É inacreditável", concordou Sofia enquanto segurava o braço de Mackenna. "Eu encorajaria você a tentar evitá-lo, mas acho que não é possível. Não há para onde ir."
Pelo modo como ele se aproximava, seus passos facilmente dobrando os dela, ela sabia que mesmo se tentasse se jogar embaixo de um ônibus próximo, ele a alcançaria antes do impacto. Ela se preparou para o flash de raiva e a furiosa diatribe que estava por vir. Ela manteve o rosto sério e tentou acalmar as batidas fortes de seu coração ao observá-lo. Ele não havia mudado nem um pouco em cinco anos. Alto, moreno, magro e forte, e os olhos âmbar perfurando direto ao seu âmago estavam todos presentes, como se uma lista de verificação tivesse sido feita em preparação para o ataque aos seus sentidos. Ela esperou enquanto ele se aproximava. Ele nunca deixou de repreendê-la em público ou em qualquer lugar, e assim que ele se aproximou, ela sentiu seus pés se preparando para o impacto contra o asfalto.
Seus dedos se cravaram dolorosamente enquanto apertavam seus ombros, garantindo que ela não pudesse fugir. "E então, a esposa pródiga retorna."
"Alessandro, me solte." Ela tentou se livrar de seu aperto, mas ele era forte demais. "Você está me machucando."
"Você sabe o que é dor, Mackenna?" Ele perguntou friamente. "Você realmente sabe o que é dor?"
Ela ignorou suas palavras sarcásticas. "Você deveria estar em Paris. É semana da moda."
"É verdade, e você está deliberadamente brincando com o meu trabalho e obrigações contratuais." Ele fez um gesto para um agente de segurança atrás dele. "Ajude a Signora Giordano com as malas até o carro, por favor."
"Nós não iremos com você, Alessandro." Mackenna discutiu com ele e impediu o homem de pegar as malas e conduzir sua avó para o carro.
"Mackenna, eu não vou brigar com você sobre isso no meio da rua." Alessandro encarou furiosamente para baixo, seus dedos tocando os dela.
"Ótimo, então recue e me deixe ir." Ela puxou suas mãos fortes, mas ele a segurou firmemente.
"Coloque no carro agora." Ele cuspiu entre os dentes cerrados.
"Não." Ela sibilou de volta. "Volte para Paris. Tenho certeza de que Dulce é incapaz de funcionar sem você ao lado dela."Sua avó segurou sua mão. "Mackenna, as pessoas estão olhando e há um fotógrafo vindo pela rua. Talvez devêssemos deixar Alessandro nos levar de volta ao apartamento e ele pode entrar e falar com você lá."
Mackenna conseguiu ver o quanto sua avó estava mortificada com a discussão deles. Ela era uma pessoa reservada, quieta e tímida. Embora suas vozes fossem sussurros abafados, eles estavam chamando a atenção na rua movimentada e Mackenna instantaneamente se sentiu m*l por constrangê-la. "Desculpe, Nonna. Vamos te levar para casa."