Capítulo 3 - 2

1077 Palavras
O aperto de Alessandro em seu ombro não diminuiu nem um pouco enquanto ele a virava e a conduzia até a limusine esperando. Ela ficou de lado enquanto sua avó era gentilmente escoltada para dentro do veículo. Ela entrou no carro escuro com as janelas com película protetora assim que um dos seguranças pegou uma câmera de um fotógrafo e apagou as fotos que ele havia tirado. Essa era uma das coisas que ela nunca gostou em Alessandro. Ele não se importava que as pessoas quisessem tirar fotos dele ou dela, já que ela estava com ele. O problema era que Alessandro fazia disso o item principal da sua lista de segurança: ninguém saberia do relacionamento deles. Isso a deixava furiosa por saber que, se Dulce estivesse ao lado dele, os paparazzi poderiam tirar mil fotos e ele não se importaria, e seu segurança simplesmente os empurraria para dentro do carro. Mas como ele não estava com Dulce e estava com ela, as fotos eram apagadas como se estivessem manchadas e humilhantes. Ela se encolheu ao lado de sua avó e sentou-se rigida com suas bolsas no banco ao seu lado. Ela segurou a mão de sua avó. "Nona, desculpe. Eu não quis te envergonhar." "Não se preocupe, Mackenna. Não é culpa sua. Alessandro atrai atenção onde quer que ele vá." Ela olhou para cima quando o homem deslizou para o assento em frente a elas. "Sua avó está certa, Mackenna. É por isso que você não deveria estar se perdendo pelas ruas sem segurança." Ele puxou sua calça ao dobrar o tornozelo sobre o joelho. "Não, é por isso que eu não deveria estar me perdendo pelas ruas sem uma ordem judicial te proibindo de ficar perto de mim." Ela retrucou furiosamente. Ele a encarou através do interior escuro do veículo e se perguntou o que tinha acontecido com a garota de aparência brincalhona que ele havia se casado. O curto bob loiro que a fazia parecer com bochechas arredondadas e cheias havia desaparecido e, em seu lugar, seu cabelo agora caía em uma longa cascata reta de canela macia com mechas douradas e um corte de franja que fazia seus olhos azuis parecerem redondos. A franja enquadrava o topo de seu rosto, fazendo seu queixo parecer mais estreito e suas maçãs do rosto mais altas. A jovem que ele havia buscado durante os últimos cinco anos foi substituída por alguém muito séria que o olhava com desprezo como se ele não significasse nada para ela. Por mais bonita que ele a considerasse, ele não apreciava nem um pouco a mudança em sua atitude. "Quando você se tornou tão desagradável?" Ela ouviu o arfar da sua avó e o encarou. "Cuide de sua boca perto da minha avó, por favor. Pode ser satisfatório com a companhia regular que você mantém falar como um marinheiro, mas eu acho desrespeitoso você falar dessa maneira na frente da minha avó." Ele olhou para sua avó, repreendido e genuinamente arrependido. "Eu peço desculpas, Sofia. Mackenna está certa. Eu desrespeitei você. Por favor, aceite minhas desculpas." "Claro, Alessandro, mas eu só gostaria de ir para casa agora, por favor." Sofia engoliu o nó em sua garganta. O clima no carro estava tenso e ela juntou as mãos gentilmente em seu colo enquanto Alessandro bateu na janela para que o carro iniciasse a viagem até o apartamento onde ela morava com seu marido. Ele observou Mackenna cuidadosamente. "Você mudou." "Você esperava que eu fosse ficar como o tapete onde você limpava seus pés para sempre?" Ela retrucou maliciosamente. "Não me lembro de ter limpado meus pés em você." Ele se inclinou no assento e procurou pelo seu maço de cigarros no bolso. Enquanto ele pegava o isqueiro, ela sentiu uma dor no peito ao ver o objeto folheado a ouro em sua mão. Ela o havia comprado para ele no primeiro aniversário de casamento. Ele sempre usava fósforos e estava sempre ficando sem. Ela havia gravado com as iniciais dele em um lado e na parte de baixo estava escrito 'amor Mackenna'. Ele havia dito a ela que sempre a guardaria com carinho. O fato de ele ainda usar aquilo a incomodava. Ela olhou para fora da janela. Tudo o que ela queria era se afastar dele e respirar livremente, porque quanto mais tempo ela passava na sua proximidade, mais ela duvidava de apresentar os papéis de divórcio. Seus olhos âmbar sempre tinham uma maneira de fazê-la se sentir desejada e amada, e mesmo na sua raiva ela conseguia enxergar essas emoções enquanto ele dava uma tragada longa em seu cigarro. "Mackenna, talvez você possa me dizer onde esteve nos últimos quatro anos e onze meses." Ele segurou seu cigarro entre os dedos enquanto esperava que ela falasse. "Trabalhando." Ela desviou o olhar dos cabelos escuros. Ela percebeu que ainda estava sexualmente ciente dele, como sempre foi. Eles eram como ímãs e a atração entre eles era intensa. Ou pelo menos, ela admitiu para si mesma, a atração por ele era intensa. Agora ela sabia que ele simplesmente aproveitava o poder e controle que tinha sobre ela, e que não havia amor ali. Ele suspirou alto, uma nuvem de fumaça escapou pelas suas narinas ao som, e ele olhou impacientemente para a avó dela. "Você percebe a mudança na sua neta ou estou imaginando que ela está beligerante e difícil?" "Mackenna se tornou uma jovem confiante e forte, e eu estou orgulhosa dela," o queixo de Sofia se projetou para frente em uma demonstração incomum de desafio. "Leva muita coragem deixar todos que você ama para recomeçar." "Então, você apoia essa loucura dela?" Alessandro admitiu estar surpreso. "Você não sente falta dela?" "Eu sinto muita falta dela todos os dias, mas eu só quero a felicidade dela. Você esquece que minha única filha, a mãe dela, também partiu para seguir seu coração. Eu apoio Mackenna assim como apoiei minha Madeline." Sofia manteve o olhar dele, mas então virou o rosto subitamente, como se não pudesse mais suportar encarar seus olhos. "Bem, você não sentirá mais falta dela. Ela finalmente está em casa, e vamos nos sentar e resolver essa loucura que a manteve longe tempo demais. Mackenna está de volta para ficar." A finalidade das palavras dele foi marcada por uma nuvem de fumaça enquanto ele exalava no ambiente apertado. Alessandro terminou seu cigarro, apagou a ponta com os dedos e o jogou em um cinzeiro. Seu olhar desafiou Mackenna a argumentar.
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