Pré-visualização gratuita Capítulo 1
Acabou,quatro longos anos se passaram e enfim, acabou. Me formei. Não devia estar contente,não devia estar feliz? De qualquer forma,por mais que felicidade não seja o que estou sentindo agora, me sinto realizada.
Será que minha mãe está orgulhosa? Espero que aonde quer que ela esteja, esteja sorrindo neste momento.
—Eu não acredito que acabou! — disse Ana, minha ex-colega de quarto.
— Esses anos voaram. Veja, estamos crescidas! — Ana gargalhou de forma exagerada, fazendo alguns formandos olharem em nossa direção.
— Acho que muita coisa mudou — ela cutucou meu ombro levemente — mas você permanece a mesma de quatro anos atrás!
— Como assim?
— Lyla, me diz uma lembrança sequer dos seus quatros anos de universidade?
Me pus a pensar. Minhas lembranças de noites em claro na biblioteca,ou até mesmo em meu quarto, estudando dias a fio. Deve haver algo mais, eu ia a sorveteria com Ana e James aos sábados,mas sempre voltava mais cedo para por as matérias em dia. O que eu fiz de nesses últimos anos que não fosse estudar? A resposta não me agrada. Nada.
— Tá, eu entendi. — Aquilo, surpreendentemente, me deixou triste.
Acho que devo agradecer ao meu amado pai pela educação militar, que me tornou essa pessoa anti social e anti diversão que sou. Anos de "não faça isso", "não faça aquilo" me tornaram o que eu mais temia, uma jovem com uma velha alma. Meu espírito morreu, sufocou em meio aos muros que meu pai me cercou. Me sinto presa,mas esse sentimento já é famíliar.
Los Angeles é muito linda a noite. Por mais que muitos estejam em suas camas neste horário, LA parece viva. A música dos bares e lojas de conveniência, os skatistas a passear pelas ruas. Casais de mãos dadas a beira mar, olhando para o mar. É pura liberdade.
Eu tenho vinte e quatro anos. Nunca namorei,nem se quer vivi uma história de amor. Minha vida se baseou em rígidos preceitos. Estou farta disso.
Atravesso a rua, e me encaminho ao bar em minha frente. Aquele sininho, acusando a minha entrada. Recebi alguns olhares já de cara,mas não me contive. Atravessei o salão com o queixo erguido,até o balcão.
— O que vai querer? — o belo barman me pergunta. O seu sorriso entrega certa malícia.
—Hum — mordo o lábio inferior em busca de respostas. Me lembrei das histórias de Ana e das incríveis margueritas que ela sabe fazer , nunca as provei — marguerita.
Me sentei na banqueta e esperei meu drink ficar pronto. Eu poderia não beber, ou sair do bar e fazer algo menos e******o. Está tarde e eu tenho certeza que muitos aqui estão bebendo além da conta. Nossa, como eu sou careta.
— Já pensou em ser musa?
O homem ao meu lado perguntou. Seus olhos estão fixos nos que eu acredito ser um copo de bourbon.
— Musa? Como assim?
— Seus traços, — ele se virou um pouco e me encarou — nariz pequeno e arrebitado, olhos marcantes, boca perfeitamente desenhada — ele estacionou seus olhos nos meus. Arrepiei. — , você daria uma bela pintura.
Quis rir. Se isso for uma cantada, ele me pegou. De onde ele saiu? Suas roupas entregam seu caráter. Jaqueta,blusa branca e uma calça jeans vem surrada. O típico visual de um bad boy. Ir de em encontro a ele é como correr em direção aos lobos. Não sei se estou afim de levar mordidas.
— É o que diz? Quantas caíram nessa conversa?
O barman se aproximou e deixou minha taça sob o balcão.
— Aqui está. — disse ele por fim.
— Algumas,mas nem todas faziam jus a sua imagem.
Eu deveria dar ouvidos as cantadas baratas dele? Não, mas se eu me levantar daqui agora estaria contrariando o que vim fazer aqui.
— Hum — mordi novamente o lábio inferior, tentada a continuiar —, e o que eu ganharia em troca?
— Não sei, o que gostaria? — ele voltou sua atenção ao copo, brincou com o liguido que ainda restava e esperou minha resposta.
Pular em um abismo desconhecido. Isso valeria por uma vida de riscos. Ele é um estranho e eu estou pronta para pedir algo impossível.
— Eu quero — me virei um pouco na direção dele — , um dia, livre de todas as regras, de todas as leis. Um dia que um cara como você,poderia me proporcionar. — seus olhos caíram sobre mim, ardentes. É como fazer um pacto com o d***o.
— Vinte e quatro horas?
— Sim.
— Uma pintura,por um dia. — ele bebeu o resto do conteúdo do copo, de uma vez.
Ele se levantou, jogou uma bota sob o balcão e me puxou da banqueta.
— Vamos.
— Isso é um sim?
Fui puxada bar a fora. A mão dele residiu em meu pulso, sem me machucar, até estarmos frente a frente com uma moto.
— O quê? — ele perguntou para mim — Um dia de aventuras? — ele disse com aquela insinuação, como se dissesse "vou te levar ao limites".
— Vamos logo. — foi tudo o que pensei. Não iria dar meia volta, não fugiria , não agora.
Subi, sinto meu coração na garganta. Minha vida, dada a um estranho que eu nem sei o nome. Se meu pai me visse agora.
— Se segure. — ele disse.
É assustador. A velocidade, as curvas cerradas. Eu já sinto que meu estômago e meu coração ficaram para trás. Mas, o vento soprando meus cabelos castanhos, isso sim é sensacional. Senti o medo se esvair de minhas veias. Fechei os olhos e aproveitei a viagem.
— Ei estranha, pode me soltar.
Acordei do meu transe momentâneo. Ele está com o rosto virado para mim, me olhando com o canto do olho.
— Vamos ficar aqui a noite toda? — sacudi a cabeça rapidamente.
Me atrapalhei ao descer da moto, como se a situação já não fosse constrangedora.
— Você é engraçada. — disse ele,então, ele tomou minha mão e me puxou até a entrada de um grande edifício.
— Onde estamos? — minha pergunta não surtiu efeito.
A recepção do hotel Grand Plaza é de fato rica. Seu ambiente é bem iluminado, com grandes sofás brancos e vasos com arranjos variados.
— É uma acompanhante? — perguntou a recepcionista e pude perceber certo nojo em um voz.
— Não sou p********a,se é o que está pensando. — respondi, curta e grossa.
— Ela ficará comigo, quero adicioná-la em duas diárias.
— Duas diárias?
— Acho que termino a pintura que tenho em mente em um dia,ou menos. — ele disse.
Levará tanto tempo assim fazer um pintura se quer?
— Está bem, vamos precisar do seu nome. — a recepcionista olhou para mim. Tive que piscar algumas vezes para enfim falar.
— Cooper, Lyla Cooper.
— Lyla Cooper. — disse ele — Combina com você. — ele se voltou para mim — Me chamo Jonah.
Jonah. É um prazer conhecê-lo.