33- MANU

1178 Palavras

CAPÍTULO 33 MANU NARRANDO Fiquei sentada no sofá por um tempo que eu não sei explicar. O barulho do chuveiro vinha abafado do quarto, como se fosse em outra casa, outra vida. Minha bochecha ainda ardia, mas a dor maior não era ali. Era mais fundo. No peito. Na garganta. Num lugar que não tem nome. Passei a mão na barriga sem pensar. Um gesto automático. Proteção. Pedido de desculpa. Promessa muda. — Vai ficar tudo bem… — murmurei, mais pra mim do que pra qualquer outra coisa. Levantei devagar e fui até o banheiro do corredor. Me encarei no espelho. O olho um pouco vermelho, a marca começando a aparecer. Não chorei. Ainda não. Engoli tudo seco, como aprendi a fazer a vida inteira. Mas algo tinha quebrado ali. Não foi só o tapa. Foi o depois. O silêncio. A certeza. Aquilo não foi impul

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