CAPÍTULO SEIS — ANGELINE

2027 Palavras
— Ele disse o que? Que vai conquistar seu coração? — Cate está tão eufórica quanto eu. — Isso mesmo, não é inesperado? — Recebo uma massagem da própria Cate, enquanto estou deitada na cama de bruços e com meu roupão de ceda aberto. Caterine massageia minhas costas e eu não sei exatamente o que sentir nesse momento. Jan está trabalhando em uma roupa, jogada em minha cama com lápis e um caderno a auxiliando para mais um desenho. Rose está sentada na cadeira da penteadeira novamente. — Realmente, surpreendente. O Príncipe George é conhecido por aproveitar da sua beleza para conseguir muitas garotas, é festeiro e gosta de se divertir. Um Príncipe Playboy eu devo dizer... E agora esse homem se comprometeu em conquistar seu coração? — Fala como se estivesse vendo um filme de romance na sua frente, com o rosto encantado. — O que você fez ao Príncipe, Alteza? Ela e Caterine gargalham, mas permaneço séria, como que num estado de choque. O que eu poderia fazer? — Nada, não fiz absolutamente nada, eu... — Você prometeu que daria uma chance a ele. Pretende cumprir, não é? — Questiona Rose. — Sim, eu dei minha palavra então cumprirei com ela. — Afirmo. — Eu admito que gostarei de vê-lo tentando. — E o entregador? O nosso forte e belo Tristan de coração de ouro? — É a vez de Caterine ser curiosa. — O que vai fazer? — O que eu posso fazer, Caterine? — Sento na cama, me cobrindo e fechando o laço do meu roupão. — Eu não vou vê-lo novamente, provavelmente ele nem mesmo lembra que encontrou-se comigo e segue sua vida, pelo certo, é o melhor que ele faz. Sou a Princesa e mesmo desejando com todas as minhas forças ser alguém como ele... livre... Eu não sou. — Tudo bem, entendo que as chances de vocês voltarem a se ver são completamente nulas. É verdade. — Concorda Cate. — Mas e no seu coração, você ainda o vê? Ou depois do encontro com o Príncipe seus sentimentos sobre e ele e aquela manhã mudaram? — O Príncipe me surpreendeu mais do que qualquer outra pessoa já fez, e como eu disse, não irei dificultar as coisas para ele. Mas aquela manhã com Tristan foi... Em alguns segundos, sem nem saber o que estava fazendo, Tristan me deu tudo. — Vejo as duas desfazerem as feições esperançosas, não porque não gostam do Tristan, mas porque sabem que meus sentimentos são impossíveis. — Mas Tristan nunca passará disso, um belo momento guardado no meu coração. — Não se o Príncipe cumprir sua promessa. Quero dizer ... Ele deu a você o poder de terminar tudo com esse casamento, se assim desejar. — Comenta Rose. — Se tudo isso não funcionar, estará livre, Angel. E talvez... — Estou tentando não ter esperança, meninas. Aceitar bem meu futuro me impede de sofrer mais. — Interrompo. — Não quero ter que abrir mãos de mim novamente, uma vez já foi o suficiente. — Entendo. — Rose concorda. — Eu vi meu entregador! — Cate corta o assunto, realmente me surpreendendo. Nem menciono o fato dela ter adicionado “meu” antes de entregador. Por que Philip esteve no palácio? Me pergunto em silêncio e não posso evitar que um arrepio percorra minha espinha. Algo aconteceu com Tristan? A ideia me perturba mais do que deveria. — Philip? — Franzo o cenho. — Você falou com ele? — Sim! — Os olhos de Caterine brilham. — Desta vez eu o cumprimentei e me apresentei, disse que eu poderia ajudá-lo a descarregar o carrinho. Mas como um cavalheiro, ele recusou. — Fico feliz por você! — Um sorriso escapa em ver a empolgação dela. — Mas o Tristan falou que ele é mais novo e está em idade escolar já que teria provas. O garoto deve ter dezessete! — Pelos Santos! Nossa amiga se tornou uma papa anjo. — Jan caçoa. — Um dia Caterine será presa. — Rose completa. — Ou será enviada à forca. — Janet torna a comentar. — Ainda fazemos isso? — Me choco, ganhando gargalhadas como resposta. — Oh Angel, para o bem da nossa Caterine é melhor que não. — Brinca Rose. — Haha... Engraçadinhas. — Cate é a única que continua séria, sem achar graça da brincadeira das colegas. — Philipe não tem dezessete, tenho certeza que ele é maior de idade. Apesar dele negar eu peguei algumas frutas leves e o acompanhei, nós conversamos um pouco. Fingi não saber que na verdade ele não é nosso entregador e perguntei porque eu o vejo tão pouco... — E...? — Encorajo. — A mesma explicação que já sabemos, ele apenas substitui o irmão. Mas ele acrescentou que o curso de idiomas não o deixa muito tempo. — Isso quer dizer que as provas não era de escola e sim de um curso. — Sorrio da nossa confusão. — Exatamente. — Caterine cruza os braços satisfeita. — Olha só ela... Não vai dormir por uma semana. — Se ele já perseguia todos os meus sonhos com aquele sorriso doce, imagine agora que ele não só olhou e sorriu para mim como ouvi sua voz? — Concorda. — Em breve teremos um conto de amor como Camelot frente a nossos olhos, o entregador e a dama da Princesa. — É a vez de Rose comentar, sorrimos. Mas não consigo mais me conter. — Ele falou algo do irmão? Quer dizer... Aconteceu algo que Tristan precisou ser substituído? — Me preocupo. — Ele disse que não veríamos Philip por um tempo mas só fazem alguns dias, com certeza aconteceu algo. — Na verdade, sim. Philip disse que houve uma praga na plantação e o irmão ficou cuidando de controlar a situação, por isso, ele veio em seu lugar. — Explica. Lembro como Tristan falou sobre desejar mais, mas precisar cuidar da família. Um sorriso nasce nos meus lábios lembrando do brilho nos olhos dele quando falou sobre suas pinturas. — Ele comentou quando Tristan voltará ao palácio? — Infelizmente ele não mencionou isso. Perdão Angel, eu também esqueci de perguntar. — Não se preocupe. — Sorrio falso. — Mas por que a pergunta, estava pensando em encontrá-lo aqui no palácio? — A pergunta de Jan me paralisa uns segundos. — Seria impossível. — Dou de ombros, fingindo que não dói pensar que não terei a chance de vê-lo novamente. — Fora dessas portas os guardas estão sempre de olho em mim. — É melhor não arriscar que o pobre homem vá para a forca no lugar da Caterine. — Cate dá um leve t**a no ombro da Jan após seu comentário. — Pelos Santos, parem de falar em forca. Estão assustando a menina! — Rose encaixa entre o riso. E eu .. tento controlar o fogo que a confusão causa em meu coração. Já havia escurecido quando o Príncipe e eu entramos para o palácio, George pontuou que gostaria de passar mais tempo, mas precisava se inteirar dos assuntos do reino visto que amanhã ele e o avô terão uma reunião com o meu pai. Eles irão ter uma espécie de apresentação a Hyperion e talvez comentar como Bulmond pode trazer melhorias para nosso reino e o nosso, ao deles. Claro que eu gostaria de estar a par de tudo, serei a futura Rainha. Mas as Rainhas não costumam ter voz em Hyperion, isto porque as gerações passadas foram marcadas por grandes Reis, eu sou a primeira mulher herdeira da nossa casa. Ou outros Reis tiveram filhos homens para passar sua coroa, então as Rainhas não eram filhas de Hyperion como é o caso da minha mãe. Mas comigo é diferente, ou pelo menos deveria ser. Mesmo que eu me case com George, eu sou a filha de Hyperion. EU. Infelizmente, nada mudou. Mesmo eu sendo a Rainha legítima e a primeira da linha de sucessão, esse título será apenas um enfeite para que quando chegar a hora eu dê herdeiros ao reino. Até lá... Eu serei Rainha, mas George terá o verdadeiro poder do meu reino. Por isso, minha presença amanhã é descartável assim como em discussões de estado e em qualquer reunião importante. Prometi que iria tentar, e vou, mas é tudo muito recente e confuso para mim. Então preferi evitar encontrar com George essa noite, dando um m*l estar como desculpa para não comparecer ao jantar. Após um banho quente, faço minha refeição aqui nos meus aposentos, afinal não posso passar do horário de comer ou posso ter complicações. Retiro meu roupão e deito na cama com minha confortável camisola de seda. É muito bom finalmente ter meus cabelos livres de grampos que fazem minha cabeça doer e sentir meu rosto limpo de qualquer resquício de maquiagem. Me enrolo nos lençóis junto com meus emaranhados de pensamentos, O Príncipe George, o Tristan... A vida que eu tenho e a que gostaria de ter... Fecho os olhos e respiro fundo, torcendo para sentir o cheiro da grama molhada de quando caminho pelo jardim a noite. Ou da terra molhada nos bosques, de quando corri entre as árvores procurando o caminho de volta para o palácio. No momento foi aterrorizante, estar perdida... Mas agora... Tem cheiro de liberdade. Hoje seria uma boa noite para caminhar no jardim, tentar acertar meus pensamentos e entender um pouco mais dos meus sentimentos. Mas talvez não seja apropriado... Da última vez que saí da cama à noite acabei na sala do trono frente a frente com o Príncipe. Com George no palácio, meus passeios se tornaram mais perigosos. Perco a noção do tempo e aos poucos o sono vem... Meus olhos estão quase pregando quando... — Quem está aí? — Levanto bruscamente sentando na cama ao ouvir um barulho forte na porta da minha varanda. Está chovendo, como em muitas noites aqui em Hyperion. Pode ser apenas a chuva? Não ganho resposta, torcendo para ser apenas o vento ou as águas que despencam do céu. Mas não, não pode ser a chuva. São batidas fortes no vidro, coberto pelas cortinas. Isso nunca aconteceu, é a primeira vez que me sinto desprotegida dessa maneira - Até mais do que perdida na mata. “Calma, Angel, os guardas estão por perto. Qualquer levantada de voz sua e eles entram para te socorrer!” - Digo mentalmente a mim mesma enquanto levanto, enfio os pés na minha pantufa e caminho até a janela. — Que os Santos me ajudem... — Fecho os olhos e puxo de uma vez a cortina. — SANTA MÃE DE DEUS! EU DEFINITIVAMENTE ESTOU VENDO COISAS! — Alteza, algum problema? — Ouço batidas na porta. Mesmo não ficando parados na minha porta a noite, eles são bem treinados para prestar atenção em gritos e se aproximar caso ouçam algo. — FOI SÓ UM PESADELO. — Grito para os guardas. Eles se contentam, afinal não podem invadir o meu quarto sem nenhum sinal de perigo aparente, a não ser que eu ordene. Mas meu queixo ainda está caindo. — Tristan... — Balbucio as palavras, piscando várias vezes para ter certeza que apenas o vidro da minha varanda está entre nós. É ele! Meu coração pula do meu peito e eu pergunto a mim mesma porque tanto descontrole. Ele tem no rosto aquele mesmo sorriso indescritível, com as doces covinhas embelezando sua face. Os cabelos pingam água, assim como os lábios entreabertos que parecem inchados e mais vermelhos. A camisa preta grudada no corpo mostram o físico forte de quem carrega muito peso e trabalha pesado com a terra. — Aqui está muito frio! — Ele grita batendo na porta, me tirando da minha hipnose. Eu coro sabendo que foi impossível ele não notar meu olhar para o corpo dele. Como você pode olhar para um homem assim, Angeline? O que está havendo com você? Ainda sem palavras, destranco e deslizo as portas para o lado... — Então, eu sou um pesadelo? — Sorri lateral, atingindo em cheio meu coração e meu ventre com apenas um gesto. — Olá, Princesa.
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