Sexta-feira, 20 de Março, Big Brother Brasil - RJ
Uma hora foi o tempo exato que levou até que todos estivessem acordados e prontos para sair da casa. Uma minoria ainda não concordava com a idéia de deixar o local. Fiuk, Vitória e Rodolfo ainda se mantinham inseguros com a decisão de Sarah, mas como a maioria concordou, eles não teriam muita alternativa a não ser seguí-los.
De frente para o espelho próximo ao reservado, Juliette esperava por Sarah enquanto tinha o quadril apoiado na bancada da pia. Seus dentes mordiam as cutículas de seus dedos em um claro sinal de ansiedade. Em sua cabeça um turbilhão de pensamentos e sentimentos a inundava enquanto ela mantinha seu olhar preso ao chão rosado.
:- O que foi mozão?- Sarah pergunta parando a sua frente. A morena estava tão perdida em seus pensamentos que não percebeu a loira sair do reservado. Seu olhar sobe em busca dos olhos da maior.
:- Eles estão verdinhos hoje. - Sarah tinha uma feição confusa tentando entender do que ela falava. - Os seus olhos - a morena esclarece e Sarah foi pega de surpresa pelo comentário.
O semblante da loira se suavizou no mesmo instante e aquele maldito sorriso, que sempre a entregava, brotou insistente no canto de seus lábios. Aquele sorriso que ela tanto guardava mas que a morena sempre arrancava facilmente, da forma mais suave, mais leve e sem avisos.
:- Deve ser a luz - uma mecha dos cabelos castanhos da menor caia sobre seu rosto e Sarah a colocou atrás da orelha mulher e voltou a olhar nos olhos de Juliette - O que aconteceu? - seu tom era sério e suave. Juliette suspira e volta a encarar o chão.
:- Eu confio muito em você, você sabe. Mas não n**o que estou com medo de arriscar ir la para fora. - a mulher volta a olhar os olhos caramelos que se mantinham firmes naquela troca. - Você tem certeza?
Sarah concorda. Ela alcança a mão da morena e segura firmemente lhe passando segurança. O sorriso sincero no rosto da loira tentava confortar a menor.
:- Não podemos continuar aqui depois de ontem Juh. Olha o estado que ficou a casa - ela olha ao redor e outra a imita - Nem a produção fala mais com a gente. E se minhas suspeitas estiverem certas, a produção nem está mais aqui. - ela diz sincera observando os olhos da Juliette se arregalarem em espanto.
:- Você acha que aquilo que invadiu a casa fez alguma coisa com eles? - sua voz tremula denunciava sua preocupação.
:- Eu não sei - a loira responde sincera. - Por isso precisamos sair para ver. - ela entrelaça seus dedos aos da morena e sorri serena. - Eu prometo ficar sempre com você - Ela olha firmemente em seus olhos lhe passando confiança. A Paraibana sente uma corrente eletríca percorrer seu corpo até parar em seu estômago.
:- Promete? - Juliette ergue o dedo mindinho da sua mão livre na direção do rosto da Sarah.
:- Sério isso? - a loira questiona rindo do gesto da menor.
:- Promessas de dedinho são as mais sérias de todas, não pode quebrar. - a morena mantém um semblante sério para a loira que se rende e entrelaça seu mindinho ao da amiga.
:- Eu prometo senhorita Juliette Freire. - ela imita o tom sério da amiga fazendo a outra rir.
:- Sarah, Sarah, olha lá o que tá fazendo - Juliette sorri enquanto estreita os olhos para a loira - Não tem volta. - ela balança os dedos entrelaçados no ar.
:- Não quero voltar atrás - a loira pisca para a paraibana - Vamos nos proteger. Eu, você e Gil. - Sarah sorri e beija os dedos ainda unidos. Juliette retribui o sorriso e imita a amiga selando seus dedos com um beijo.
:- Eu ouvi meu nome - Gilberto aparece próximo a pia - É coisa boa ou r**m? - As mulheres riem.
:- Lógico que é r**m. - Juliette diz com falso desdém. Gilberto retribui o olhar debochado e percorre os corpos das amigas até alcançar as mãos entrelaçadas. No mesmo instante seus olhos procuram os de Sarah erguendo uma sobrancelha. A mulher sente suas bochechas esquentarem e solta a mão da amiga antes de começar a falar.
:- Bom, eu apenas disse o óbvio - a loira olha o amigo com um sorriso nos lábios - Seja o que for que nos aguarde lá fora, nós vamos ficar juntos e vamos nos proteger.
:- A mas isso com certeza. - ele se aproxima mais das amigas e as abraça sendo respondido de imediato por ambas. - Sem sombra de dúvidas - o homem suspira por fim.
O trio se manteve naquela posição por longos segundos. Sentindo um ao outro. Apenas aproveitando aquela sensação acolhedora que os invadia.
:- O que está acontecendo Brasil? - Gil solta a pergunta em meio ao abraço.
Pergunta essa que se passava na cabeça de todos ali naquela casa, porém não foi respondida.
...
Aquele corredor escuro parecia não ter fim, ou talvez fosse apenas a ansiedade e o medo falando mais alto. Sarah ia a frente guiando o grupo, Arthur e Rodolfo estavam logo atrás e o restante do grupo na sequência.
Gil apertava a mão de Juliette enquanto caminhavam atrás de Arthur. Atrás da dupla, a respiração pesada de Vitória era ecoada pelo cubículo, Carla ia ao seu lado tentando acalmá-la. Thaís mantinha seus braços entrelaçados ao de Pocah tentando buscar o mínimo de coragem para continuar aquela travessia e não voltar correndo para dentro da casa. João, Camila e Caio eram os últimos. O três andavam lado a lado se revezando em olhar para trás a cada minuto para se certificarem de que nada os surpreenderia.
Mais alguns passos e finalmente chegaram ao final entrando em uma ampla sala divida em grandes setores.
A primeira vista encontraram uma sala quieta, com dezenas de computadores ligados, organizados em fileira formando cinco corredores. As cadeira estavam espalhadas pela sala de forma desordenada e algumas derrubadas pelo chão. Vários papéis também coloriam de branco o porcelanato. Aos poucos todos foram adentrando a sala e reparando o perfeito caos do ambiente.
Um odor forte incomodava suas narinas fazendo com que cobrissem nariz e boca com as mãos.
:- Vamos andar e ver se encontramos alguma coisa, alguém ou qualquer informação que seja. - Sarah anuncia - Qualquer sinal de perigo gritem.
Os colegas assentem e se dividem em duplas e solo para explorarem a sala.
Sarah segue pelo corredor de computadores a sua frente, Gilberto se aproxima da amiga se juntando a ela. Eles vasculham cada computador, algumas pilhas de papeis e tudo que consideravam interessante em busca de alguma informação. Mas nada parecia contribuir. Nas telas dos computadores apenas câmeras mostrando o interior da casa. Nos papéis, informações do dia a dia deles na programa. O único diferencial naquele corredor eram as gotas de café que pingavam preguiçosamente de um copo plástico tombado na mesa e manchavam alguns papéis no chão.
Sarah encara a mancha nos papéis e algo prende sua atenção, não o papel, mas o que tinha ao lado dele. Gilberto se mantinha concentrado em um dos computadores enquanto a loira se baixa em uma das mesas. Uma macha mais escura e grossa, uma coloração borgonha, um forte cheiro de ferro, seu estômago se apertou com a suspeita que tinha do que poderia ser.
Seu olhar percorre a mancha e nota um rastro que se assemelhava à dedos ensaguentados que saiam daquela poça e se arrastaram pelo chão até desaparecerem. Sua respiração se acelerou.
A mulher se afastou, sua mão limpou o suor que escorria de sua testa e soltou o ar que ela prendia. Gilberto falava com a amiga mas ela não ouvia uma palavra se quer. Seu olhar passa mais uma vez pela poça no chão e ela nota outras manchas em sequência. Essas também se iniciavam naquela poça grossa, porém tinham o formato de pés adultos, como se uma pessoa descalça tivesse pisado e continuado seu caminho marcando todo o percurso.
A mulher levantou se afastando e, com o olhar, foi seguindo as pegadas que foram pelo corredor em direção à várias prateleiras altas enfileiradas e então sumiu entre elas.
:- Sarah? Sarah? - o homem altera o tom de voz atraindo a atenção da loira. O homem percebe a respiração pesada da amiga e olha para o mesmo lugar que ela olhava, onde notou as pegadas. Seus olhos se arregalaram.
:- Isso é sangue? - ele questiona desacreditado. A loira se limitou a assentir com a cabeça. Naquele momento um choque de que se tratava de algo mais sério do que imaginavam bateu em sua mente o assustando.
Sarah anda até o fim do corredor pensando que atitude tomar. O fato de não terem encontrado nenhuma informação ainda a preocupava, lhe atordoava. Não sabia com o que estavam lidando. Um assassino em série? Uma ceita? Uma gangue? Realmente não sabia o que pensar.
:- AH - seus pensamentos foram interrompidos por um grito apavorado - MEU DEUS - o grito vinha da mesma direção para onde as pegadas iam. Um frio percorreu sua espinha. Ela conhecia muito bem aquela voz.
:- Juliette!!