Sexta-feira, 20 de Março, Big Brother Brasil - RJ
Sarah corria apavorada por entre as prateleiras. Seu olhar atento vasculhava cada canto a procura da Juliette. A respiração acelerada e o suor frio que escorria em seu pescoço, tão pouco eram pelo cansaço, mas sim pelo pavor. Os milhares de pensamentos do que poderia estar acontecendo com Juliette naquele momento a amedrontava.
Pareciam minutos eternos, mas a realidade é que levou apenas poucos segundos até que a Loira chegasse ao penúltimo corredor. Juliette tinha as costas coladas as divisórias metálicas da prateleira do lado esquerdo, seus olhos estavam arregalados e encaravam um ponto fixo no chão, sua mão cobria sua boca e nariz, seu olhar expressava pavor. Seu corpo tremia levemente e sua respiração era pesada.
Sarah sentiu o alivio tomar seu corpo ao perceber que a amiga estava bem. Ela se aproximava da menor quando olhou para onde a outra encarava fixamente. A loira se espantou.
Um corpo. O cheiro podre exalava daquele cadáver fazendo a loira cobrir novamente o nariz com as mãos. Gilberto que estava logo atrás de Sarah não resistiu ao cheiro. A mistura do odor junto a cena que via lhe causou ânsia. O homem se afastou o máximo que conseguiu mas a poucos corredores dali foi possível ouvir seu café da manhã sendo expelido de seu estômago.
Segundos depois os outros colegas chegaram atendendo aos gritos de Juliette. A cada um que se aproximava o espanto era claro em suas feições.
O homem deitado ao chão tinham uma barra metálica fincada em sua cabeça afundando uma parte de seu crânio. O metal entrava pelo topo de sua testa e a posição do corpo impedia de ver por onde a barra saia. O sangue escuro junto a uma parte de sua massa encefálica escorriam da parte posterior de seu cabeça formando uma poça ao redor do corpo.
Algumas partes de suas roupas estavam rasgadas e manchadas de sangue. Sua pele era sem vida em um tom cinza. O crachá que carregava em seu pescoço tinha um grande símbolo da rede Globo e logo a baixo seu nome, Matheus Oliveira.
A ponta de seus dedos tinham uma coloração roxeada assim como seus lábios e o entorno de seus olhos. Os olhos. Era o que mais chamava a atenção, eles estavam abertos, quase arregalados, um amarelo faiscava de suas íris.
Thaís observou a cena e sentiu seu corpo esfriar ao lembrar das duas orbes amarelas que a observava pelo vidro do quarto na noite anterior.
Sarah finalmente chegou próximo a Juliette e a puxou para próximo tirando a menor de seu transe. A mulher parecia em choque. Sarah pôde notar suas mãos tremulas e a respiração descompassada. A loira se preocupou em afastá-la daquela cena amedrontadora e escondeu o rosto da amiga em seu pescoço enquanto andava para o final do corredor, poucos metros distantes de seus colegas e do corpo podre no chão.
Vitória não quis continuar a ver aquela cena e foi guiada por Pocah e Thaís para outro lugar distante de todos.
Carla encarava o cadáver no chão ainda em choque com a cena. O que teria acontecido com aquele homem? Quem cometeria algo tão brutal?
Esses questionamentos foram surgindo na roda de discussão dos Brothers. Eles estavam apavorados com a hipótese de que quem teria feito aquilo ainda pudesse estar por ali. Entretidos em seus questionamentos não repararam em uma leve movimentação no inicio do corredor de prateleiras. Carla foi a única a perceber. Ela se afasta do grupo para conferir o que se movia encontrando uma silhueta feminina.
A mulher estava de costas com o rosto virado para a parede. Uma cena curiosa. Carla se aproximou lentamente, tinha medo mas poderia ser alguém que os ajudassem.
:- Oi? - diz ainda a alguns metros de distância - Moça?
Camilla ouvia a voz da amiga e seguiu curiosa. Ao chegar no corredor notou Carla já próxima da mulher que mantinha uma postura estranha.
:- Carla? - chamou a amiga e a menor se virou para ela - O que tá fazendo?
:- Ela pode nos ajudar
A figura estranha se virou lentamente para a loira que ainda encarava Camila. A n***a se assustou. As orbes amarelas. As mesmas que viu no cadáver no chão. A mulher sentiu seu corpo se estremecer. Antes que pudesse reagir, Carla voltou a encarar a figura próxima a parede. A menor se assustou. O rosto em tom acinzentado a aterrorizou, parte da carne de sua bochecha faltava fazendo um sangue escuro escorrer do lugar. O cheiro era forte, o cheiro podre.
Os olhos.
Os amarelos a hipnotizavam.
Ela tentou correr, ela queria correr, mas estava paralizada pelo choque.
O monstro a sua frente a atacou agarrando em seu braço e o abocanhando com força. A menor gritou, gritou alto em dor, pavor e desespero. Aquele monstro com formato feminino sacudia a cabeça na tentativa de estraçalhar sua carne. Carla gritava, berrava em desespero. Tentava se soltar mas o monstro a prendia firmemente, era impossível.
Todos correram naquela direção parando assim que viram a cena aterrorizante. Arthur correu até as duas mulheres tentando soltar Carla. João e Sarah se juntaram para ajudar tentando puxar o corpo da amiga que já chorava em puro desespero. Rodolfo se juntou a Arthur e puxou a figura feminina conseguindo finalmente a soltar de Carla.
O monstro rosnava e se sacudia querendo recuperar seu alvo, sua boca escorria o sangue vermelho e quente da mulher. Antes que pudesse agarrar o braço de Arthur, Rodolfo socou o rosto daquela mulher desfigurada fazendo com que caísse com o impacto. Segundos depois estava se arrastando desesperada no chão tentando agarrar qualquer um que fosse.
Os Brothers se afastavam assutados. Arthur pegou a barra metálica da muleta de Caio e bateu com toda a força acertando a perna da mulher. Foi possível ouvir o osso quebrar mas a criatura parecia não sentir, continuava se arrastando pelo chão ferozmente enquanto arrastava sua perna agora quebrada.
Camila observava a cena apavorada, a criatura parecia não sentir nada. Nada parecia afetá-la, quase como fosse imortal. Ou talvez já estivesse morta. Em um pensamento rápido, olhou para o lado vendo o cadáver no outro corredor. A barra metálica em sua cabeça pareceu lhe sinalizar algo.
A criatura ainda estava raivoza quando Camilla se aproximou de Arthur enquanto ele se preparava para dar outro golpe com a muleta. A n***a tirou a faca do cinto na cintura do homem e em um movimento rápido fincou no crânio daquele ser medonho. No mesmo instante os movimento paparam. A cabeça bateu no chão enquanto os olhos permaneceram abertos mostrando a íris amarelada.
Todos encaravam a cena boquiabertos. Olhavam a mulher e o cadáver aos seus pés. Camila soltou a faca assustada com que acabara de fazer e se afastou do corpo ainda sem conseguir se quer piscar. João se aproximou passando um dos braços pelos seus da amiga a confortando.
Um gemido agoniante chamou a atenção de todos. Carla resmungava de dor nos braços de Sarah. A blusa xadreza que usava faltava um pedaço no local onde foi mordida. Era possível observar um largo corte no local. O sangue minava pela ferida e a menor começava a suar frio. Suor e lágrimas se misturavam por seu rosto.
Todos se preocuparam, não tinha a mínima ideia do que fazer com uma ferida grave como aquela. Juliette se aproximou se ajoelhando próximo a amiga e observou de perto a ferida.
:- Precisa fazer uma atadura pra diminuir o sangue. - a Paraibana afirma.
Sarah secou o rosto da menor em seu colo quando Arthur se aproximou, o medo e a preocupação pela loira estampados em seu rosto. Em um ato rápido ele rasgou um pedaço da própria camisa estendendo-o para a morena.
Juliette pegou com rapidez e começou a enrolar o local da ferida de forma firme.
:- AI, AI - a menor gritou e fechou os olhos enquanto mais lágrimas escorriam. Juliette continuava o que fazia e encarou Sarah que olhava a menor com pesar notando seu sofrimento. O olhar da loira desviou para a morena engolindo seco. - AII - gritou mais uma vez. Todos os colegas sentiam a dor em suas palavras porém não interviam pois sabiam que era melhor para a mulher.
Juliette deu o último nó no tecido. O ajeitou da forma mais firme possível, mas ao encarar o pano, não ficou satisfeita. O sangue que saia de ferida já começava a manchar o tecido. Sua amiga precisava de um médico urgentemente.
Carla começou a mexer agitada no colo de Sarah chamando a atenção.
:- Está quei... - para tentando respirar puxando forças - Está quei - mando - A loira fechou os olhos em agonia.
:- Ela precisa de um hospital gente! - Gilberto se manifesta. Sarah, Juliette e Camila concordam.
:- Não dá pra sair, deve ter mais dessas coisas la. - Rodolfo intervém e aponta o cadáver da mulher no chão e alguns Brothers concordou.
:- Podemos procurar algum kit de Primeiros Socorros e ver se tem algo para amenizar a ferida enquanto não conseguimos sair daqui. - João sugere e, no momento, parecia a ideia mais plausível.
Os colegas se apressaram e se dividiram pela sala revirando tudo que podiam atrás de qualquer kit que pudesse ajudar a colega.
Arthur pegou a mulher em seu colo levando para longe daquelas prateleiras. Sarah e Camilla seguiram o casal. O homem se aproximou de uma mesa de madeira maciça onde Sarah e Camilla se apressaram em tirar todos os objetos para que o corpo da amiga fosse colocado ali.
Carla parecia piorar a cada segundo, sua pele estava encharcada em suor. Seu corpo dava leve tremidas e espasmos pela dor que parecia se espalhar por todos os membros. Sarah novamente secou seu rosto e pescoço. Camila pegou um copo d'água em um filtro da sala e ajudou a amiga a beber.
Arthur olhou toda a sala na esperança de que algum colega tenha achado algo útil mas todos continuavam apressados em suas buscas.
A respiração da menor ficava cada vez mais pesada. Carla se desesperou ao tentar puxar o ar e ele faltou. Seus pulmões não inflavam, não se enchiam com o oxigênio.
:- Carla? - Arthur se aproximou e a mulher o encarou com pavor em seu olhar. - Carla, respira!
Ele olha seu peito estático denunciando seus pulmões preguiçosos.
:- Não consegue respirar? - pergunta apavorado levantando cuidadosamente a cabeça da mulher com uma das mãos. Carla n**a rapidamente agarrando a blusa do homem em ato de desespero. As lágrimas escorrem pela face da loira demonstrando o medo que sentia.
Sarah e Camilla assistiam a cena preocupadas. Os lábios da mulher sobre a mesa ganhavam uma coloração roxa. Camilla se aproximou da amiga já com os olhos marejados, queria fazer algo mas não sabia o que deveria ser feito.
:- Mais rápido, pelo amor de Deus - Sarah grita para os colegas que ainda buscavam apressados.
A loira volta a encarar Carla. Sobre a mesa podia ver suas pernas esperneando em desespero até que pararam. A mulher agonizou. O corpo implorava por ar, mas seus pulmões insistiam em não trabalhar.
Tentou uma última vez puxar o ar.
Um último espasmo.
Nada.
Seus movimento ficaram fracos. Já não conseguia mais segurar a camisa de Arthur deixando suas mãos cair lentamente. A imagem de Arthur a chamando ficou lenta, tudo a sua volta ficou lento como se um efeito slow da vida tivesse sido ativado.
Lento.
Sua visão se tornaram borrões.
Forçou seus olhos tendo uma última imagem de sua amiga, de sua colega e o cara que a fizera sentir tantas emoções. Eles pareciam falar lentamente mas seus olhares eram de desespero e preocupação. As vozes pareciam se afastar. Ela olhou para a n***a e sorriu fracamente até que seus olhos fecharam contra sua vontade.
E então não ouviu mais nada.
:- CARLA?? - Arthur gritou. - CARLAAA!! - Ele sacudiu o corpo mole em sua mão. - CARLA!
:- Não! - Camilla se negava. Aquilo não estava acontecendo. A mulher agarrou a mão mole e ainda quente. - Carlinha? - a mulher chamou com a voz abafada. O choro estava entalado em sua garganta. - Amiga, faz o seu Inshalá!! - ela aperta a mão da amiga. - Por favor, Carlinha... - Camila engole seco, as lágrimas já borravam sua visão. - Sabe aquele gritinho seu que eu já briguei tanto? - a n***a sorri na direção do corpo sem vida - Dá seu gritinho amiga? Por favor!!
O silêncio foi sua resposta.
O choro sôfrego finalmente saiu da garganta da mulher. Sarah observava a cena com o rosto banhado em lágrimas. Levou sua mão até o punho da menor para se certificar e a falta de pulso fez uma sensação gelada percorrer seu estômago. A sensação de morte e perda.
Os gritos de Arthur e o choro alto de Camilla ecoaram pela sala extensa e aos poucos os outros colegas espalhados pelo lugar se aproximaram. Eles encararam Sarah e a loira apenas negou lentamente a cabeça. Ela encarou o chão enquanto secava seu rosto e se afastava para dar mais espaço para Camila e as meninas que se aproximavam chorando.
:- A CULPA É SUA!! - Arthur grita assustando a todos enquanto dava a volta na mesa pegando Sarah de surpresa. Ele prensa a mulher contra a parede. Seu punho pressiona sua garganta.
:- Por quê? - Sarah diz com dificuldade.
Os colegas se apressam em segurar Arthur o afastando da loira. Sarah cai no chão sendo amparada no mesmo instante por Juliette e Gilberto que a ajudava a se levantar.
:- Arhtur, se acalma irmão - Caio fala ainda segurando o colega junto a Rodolfo.
:- A culpa é dela! - Ele diz ainda em tom alterado. - Foi ideia dela sair da casa! - ele grita acusando. - Me solta. - ele puxa seus braços. Caio e Rodolfo soltam o colega mas se mantém alerta a qualquer movimentação do rapaz. - Se não tivesse saído, ela ainda estaria viva.
Arthur sentia seus olhos marejados. O rosto do homem tem um tom avermelhado. Ele olhou o corpo sem vida sobre a mesa e passou as mãos pelo rosto enquanto andava de um lado para o outro desnorteado.
Sarah sentiu a raiva percorrer suas veias. Como ele podia acusar ela assim? A mulher avança na direção do homem parando a sua frente.
:- Sarah, não... - Juliette tenta impedir mais já era tarde.
:- Não é culpa minha!
:- A ideia foi sua! - ele para de andar e encara seus olhos castanhos faiscantes.
:- Como eu poderia saber o que tinha aqui fora? - a mulher estava indignada.
:- Preferiu pagar para ver né? - Arthur diz encarando o corpo desfalecido rapidamente e voltando a olhar Sarah saltando uma risada em tom irônico.
:- Você preferia ficar lá e esperar que essas coisas entrassem a noite e nos comessem vivos enquanto dormimos? - A mulher já gritava na direção do loiro. E teve um silêncio em resposta. - Hein?? - Grita outra vez.
O homem a encarou, o olhar cortante na direção da loira foi sua resposta.
:- Você a ignorou todos esses dias - a loira continua com a voz firme enquanto tocava em um ponto sensível do homem - E agora quer pagar de príncipe encantado? - Aquelas palavras atingiram em cheio o coração do homem.
:- Gente - a voz chorosa de Pocah chamou a atenção - Por favor! - a mulher queria o mínimo de respeito pelo luto da amiga.
A mão do homem bateu forte sobre a mesa assustando alguns enquanto Sarah se mantinha imóvel em sua pose imponente. Ele bufa e se afasta caminhando a passos apressados indo até o corredor de acesso a casa até sumir da visão de todos.