Passaram-se três meses.
Vítor estava fazendo um aninho. A casa tinha balões, um bolinho simples, risadas leves — nada exagerado, só o essencial para celebrar o maior presente da vida deles.
Letícia já estava com quatro meses de gestação. A barriga começava a aparecer redondinha, linda, e Juan não se cansava de passar a mão ali, como se precisasse confirmar o tempo todo que aquilo era real.
Vítor agora já andava se apoiando em tudo. No sofá, na mesinha, na parede, nas pernas do pai. Dava dois, três passinhos inseguros… até que, numa tentativa mais ousada, tropeçou e caiu sentadinho no chão.
Ele fez um biquinho enorme, o lábio tremendo.
— Pa… pa…
Os olhinhos encheram de água.
— Papai…
Juan largou o que estava fazendo na mesma hora.
— Ei, ei, ei… vem cá, campeão.
Vítor esticou os bracinhos, todo dengoso, choramingando baixinho. Juan o pegou no colo, beijando a testa, as bochechas, fazendo carinho.
— Já passou, já passou… papai tá aqui.
Vítor se aninhou no peito dele, soluçando, agarrado na camisa como se o mundo tivesse acabado.
Letícia observava da porta, com a mão na barriga e os olhos marejados.
— Olha você… — disse sorrindo. — Caiu e já aprendeu quem chamar.
Juan sorriu orgulhoso.
— Ele sabe onde é o porto seguro dele.
Vítor fungou, olhou para o pai, depois para a mãe, e abriu um sorrisinho torto, ainda com o rosto molhado de lágrimas.
— Papai…
— Isso. — Juan riu. — Papai mesmo.
Ele colocou o filho no chão de novo, segurando as mãozinhas.
— Vamos tentar de novo, campeão?
Vítor deu dois passinhos, riu alto, e caiu outra vez — dessa vez rindo, como se fosse uma brincadeira.
Letícia riu também, emocionada.
— Nosso filho é igual a você… cai, chora um pouquinho, levanta e tenta de novo.
Juan puxou os dois para perto, o bebê no colo e Letícia encostada nele.
— E agora vai vir mais um pra aprender tudo isso com a gente.
Ela encostou a cabeça no ombro dele.
— Nossa família tá ficando tão grande…
Juan beijou a testa dela, depois a do filho.
— E eu nunca fui tão feliz.
Passaram-se mais algumas semanas.
Letícia já estava com seis meses de gestação. A barriga agora era impossível de esconder, redondinha, firme, linda. Ela sentia a bebê mexer com frequência, principalmente à noite, como se a pequena já quisesse participar de tudo.
O exame confirmou: era uma menina.
Juan ficou completamente bobo.
Quando o médico falou, ele ficou alguns segundos em silêncio, olhando para a tela. Depois sorriu daquele jeito quebrado, emocionado demais pra disfarçar.
— Uma princesa… — murmurou. — Eu vou enlouquecer.
Desde então, ele falava com a barriga o tempo todo. Ajoelhava na frente de Letícia, beijava, conversava, prometia coisas.
— Você já tem um irmão que vai te proteger, sabia? — dizia baixo. — Mas o papai… o papai vai ser ainda mais chato com você.
Vítor observava curioso. Às vezes encostava a mãozinha na barriga da mãe e ria quando sentia a irmã se mexer.
— Bebê… — falava do jeitinho dele.
Juan se derretia.
— Tá vendo? — dizia para Letícia. — Ela já manda na casa toda e nem nasceu.
Letícia ria, cansada, mas feliz.
— Você tá exagerando.
— Não tô. — ele respondeu sério. — Com você já foi assim. Eu caí e nem vi.
À noite, ele fazia questão de ajudar em tudo. Colocava Vítor pra dormir, trazia água, ajeitava almofadas, fazia massagem nas pernas dela.
— Descansa, princesa. — dizia. — Minhas mulheres precisam de cuidado.
Ela brincava:
— Suas mulheres?
— Você, a minha filha… e o pequeno ali. — ele apontava para o quarto. — Minha vida inteira.
Letícia encostava a cabeça no peito dele, sentindo aquele coração forte que antes era só guerra… e agora batia por uma família.
Juan beijava os cabelos dela, depois a barriga.
— Minha menina… — sussurrava. — Chega logo. O papai já é todo seu.