A água quente da banheira já havia relaxado o corpo de Letícia, mas era a presença de Juan que a fazia se sentir inteira. O silêncio entre eles não era vazio — era carregado de sentimento, de saudade acumulada, de tudo o que não havia sido dito em quinze dias.
Juan a puxou para perto com cuidado, segurando seu rosto entre as mãos. O olhar dele era intenso, mas diferente de tudo o que ela já tinha visto antes: havia ternura ali.
— Eu senti sua falta — ele disse, encostando a testa na dela.
— Eu também — respondeu Letícia, a voz baixa, sincera.
Eles se beijaram devagar, sem pressa, como se quisessem recuperar cada dia perdido. O toque dele era firme, mas respeitoso, como se estivesse reafirmando algo silencioso entre eles: você está aqui, comigo, segura.
Mais tarde, já no quarto, a noite caiu sobre eles como um abraço. Entre beijos, carícias e palavras sussurradas, eles se entregaram um ao outro com intensidade e cuidado. Não era apenas desejo — era conexão, era pertencimento, era a certeza de que ali, naquele momento, o mundo lá fora não importava.
Letícia se sentia protegida, desejada, escolhida. Juan, por sua vez, encontrava nela exatamente o que sempre buscou: paz.
Depois, deitados juntos, ele passou a mão lentamente pelos cabelos dela, enquanto ela descansava com a cabeça em seu peito.
— Com você… tudo fica mais fácil — ele murmurou.
Ela sorriu, fechando os olhos.
— Então fica comigo — disse baixinho.
E ele ficou.
Naquela noite, não havia mafioso, nem perigo, nem passado doloroso. Havia apenas dois corpos cansados, dois corações acelerados e uma ligação que se tornava cada vez mais profunda — intensa demais para ser apenas um acordo, forte demais para ser .
O amanhecer chegou cedo demais para Juan.
Ele acordou antes do sol, com o celular vibrando em silêncio na mesa de cabeceira. Olhou para Letícia dormindo tranquila ao seu lado, o rosto sereno, o corpo ainda encolhido contra o dele como se ali fosse o lugar mais seguro do mundo.
E era.
Juan se levantou devagar, vestiu a camisa, passou a mão pelo cabelo e saiu do quarto sem fazer barulho.
Na sala, a expressão mudou. O homem carinhoso ficou para trás.
Ali estava o Juan que poucos conheciam — frio, calculista, perigoso.
— Fala — disse ao telefone.
Do outro lado, notícias ruins. Um carregamento interceptado. Um nome conhecido rondando demais. Gente curiosa perguntando sobre ele… e pior: perguntando sobre ela.
— Quero tudo limpo até o fim do dia — respondeu seco. — E ninguém chega perto da minha casa. Nem por engano.
Desligou e respirou fundo, passando a mão no rosto.
O problema não era o negócio. Isso ele resolvia.
O problema era proteger Letícia sem puxá-la ainda mais para dentro daquele mundo.
Horas depois, já em um galpão afastado, Juan estava sentado à mesa com seus homens. O ambiente era pesado. Armas à vista. Silêncio respeitoso.
— Qualquer movimentação estranha perto da faculdade dela, vocês me avisam antes de agir — ordenou. — Antes.
— Patrão, isso pode chamar atenção — disse um deles.
Juan levantou lentamente, apoiando as mãos na mesa e encarando todos um por um.
— Atenção eu sei lidar.
Com ela em risco, não.
O recado estava dado.
Quando voltou para casa, já no fim da tarde, encontrou Letícia sentada no sofá, livros espalhados, cabelo preso de qualquer jeito. Ela levantou os olhos e sorriu ao vê-lo.
— Você saiu cedo… — disse ela.
Juan se aproximou, beijou sua testa com carinho e respondeu:
— Tive coisas pra resolver.
Ela não insistiu. Mas o olhar dela dizia que sentia quando ele carregava o peso do mundo nas costas.
— Tá tudo bem? — perguntou baixo.
Ele segurou o rosto dela com cuidado, como se aquele gesto fosse o que o mantinha são.
— Agora tá — respondeu. — Porque eu voltei pra você.
Letícia encostou a cabeça no peito dele, sentindo o coração bater forte.
Ela não sabia detalhes.
Não sabia nomes, nem negócios, nem riscos reais.
Mas sabia de uma coisa:
Juan enfrentava o caos lá fora… para que, dentro de casa, ela tivesse paz.
E isso, mesmo sem palavras, ela sentia todos os dias.