YASMIN
Até agora eu não sei o que deu em mim, de verdade. Minha cabeça tava uma bagunça tão grande, parecia que tinham enfiado ela dentro de uma máquina de lavar no modo turbo.
O bagulho foi tão insano, tão surreal, que eu nem pensei, nem raciocinei… eu simplesmente não entrei em casa.
Minha amiga, Aline, ficou lá no portão, com aquela cara de “menina, tu é doida”, e eu só dei as costas. Nem olhei pra trás. Meus pés foram no automático, seguindo o Alan, que já descia a rua no veneno, com aquele jeito dele… todo estourado, com o maxilar travado, respiração pesada, aquela mãozona dele fechada, que eu sei bem... quando tá assim é porque tá segurando tudo pra não explodir.
E eu fui.
Fui.
Fui pra casa dele.
Porque... né?
A burra aqui abriu a boca na hora do desespero e prometeu fazer o que ele quisesse, só pra ele não fazer uma besteira, não se sujar, não acabar com a própria vida.
Fiz o que?
Me lasquei.
A gente foi andando, ele na frente, eu meio que trotando atrás, porque o homem anda rápido quando tá puto, parece até que tá fugindo da própria mente, dos próprios demônios.
O caminho até a casa dele parecia mais longo que o normal. O silêncio entre a gente tava pesando mais que qualquer gritaria, qualquer discussão.
Era aquele silêncio que grita, sabe?
Que sufoca.
Que parece que vai rasgar teu peito no meio.
Chegou na porta, ele nem olhou pra mim. Só puxou a chave no bolso, abriu, entrou e largou a porta aberta. Entrei atrás, meio sem saber se eu tava viva, se eu era corajosa ou só muito, mas muito burra mesmo.
Ele jogou o boné no sofá, chutou o tênis pro canto e foi direto pra cozinha, abriu a geladeira, puxou uma latinha, abriu e virou quase inteira de uma vez.
A veia do pescoço dele pulava, irmão.
Eu via de longe.
Fiquei parada no meio da sala, olhando pro chão, pro teto, pras paredes, pro nada… tentando entender que filme era aquele que eu tava protagonizando.
Aí ele voltou.
Veio andando devagar, passando a mão na boca, olhando pra mim daquele jeito que só ele sabe olhar... aquele olhar de quem tá entre te devorar inteira... ou te enforcar.
Parou na minha frente. Me encarou.
O peito dele subindo e descendo, pesado, como se ele estivesse segurando o mundo inteiro nas costas.
— Então é isso, né, Yasmin? — ele começou, com aquela voz rouca, grossa, pesada. — Tu meteu essa mesmo. Deu esse mole pra aquele o****o. Na moral... tu me humilhou. Me fez de palhaço. Fez eu pagar de corno na porta da minha própria casa.
Fechei os olhos com força, o nó na garganta querendo me sufocar.
— Alan... eu... — tentei falar, mas ele levantou a mão, me cortando na hora.
— Fica quieta. Cala tua boca. Não fala p***a nenhuma. — ele falou, apertando os olhos, respirando fundo. — Sabe qual foi teu erro, Yasmin? Que tu achou que eu não era capaz. Que tu achou que eu ia deixar barato.
Ele se aproximou mais, colou no meu rosto. O cheiro dele me invadiu de um jeito que me desmonta, mesmo eu querendo me manter forte, dura, firme.
— Mas sabe o que é pior? Que eu te amo. c*****o, Yasmin... eu te amo. E tu me destruiu. — ele falou apertando a mandíbula, e eu vi o olho dele marejar, mesmo ele segurando, mesmo ele tentando não deixar cair.
Minhas pernas tremiam. O corpo inteiro tremia.
O que eu fui fazer, meu Deus?
— Tu não tá entendendo o que cê fez comigo... não tá. E agora? Tu falou que ia fazer o que eu quisesse, né? — ele sorriu torto, aquele sorriso de deboche misturado com dor. — Então bora ver até onde tu vai segurar essa tua promessa.
Ele me puxou pelo braço.
Fui de peito nele, tropeçando, quase caindo, e ele segurou firme, me colou no corpo dele. A mão segurando minha nuca, apertando forte, o outro braço na minha cintura.
— Cê é minha, p***a. Sempre foi. Sempre vai ser. E hoje... hoje tu vai me provar isso. Do jeitinho que EU quiser. — ele falou no meu ouvido, rouco, quente, fazendo meu corpo inteiro arrepiar.
Mano... eu podia lutar.
Podia gritar.
Podia bater nele, empurrar... mas não fiz.
Sabe por quê?
Porque uma parte de mim tava destruída, sim, mas... a outra... a outra parte tava acesa. Queimada de desejo, de saudade, de raiva, de tudo junto.
Ele me jogou no sofá, subiu em cima de mim, segurando meus dois braços pra cima, me imobilizando.
— Agora tu vai me escutar, Yasmin. Vai escutar e vai entender que homem nenhum, eu disse NENHUM, vai fazer contigo o que eu faço. Vai ter você como eu tenho. Ninguém. Só eu. Só EU, p***a.
Me beijou.
Mas não foi beijo de amorzinho, não.
Foi beijo de posse, de raiva, de entrega, de quem quer te destruir e te amar ao mesmo tempo.
Mordi a boca dele, ele puxou meu cabelo, eu arranhei as costas dele.
— Me odeia, né? Me odeia! — ele falava entre o beijo, apertando meu queixo.
— Odeio! Odeio você! — eu menti na cara dura, sabendo que era só fogo, só desejo, só sentimento embolado no meio daquela bagunça toda.
A gente rolou naquele sofá igual dois loucos. Beijo, empurra, puxa, mão na coxa, mão na nuca, no pescoço. Ele me prensava, me apertava, e eu queria bater, mas queria mais ainda que ele não parasse nunca.
A roupa foi ficando pelo caminho. Blusa, short, chinelo... foi tudo pro chão.
O corpo dele colado no meu, quente, pesado, me fazendo esquecer do mundo, esquecer de Augusto, esquecer da promessa, esquecer até de quem eu sou.
Ali não tinha mais certo, nem errado.
Tinha só a gente.
Só eu e ele.
Na nossa loucura. No nosso amor doente. No nosso vício um no outro.
E no fundo... bem no fundo... eu sabia.
Sabia que, depois daquela noite, nada... absolutamente NADA entre eu e Alan ia ser como antes.
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