Capítulo 02(parte 01)

1675 Palavras
Alec  Abro os olhos lentamente, fazendo uma careta assim que sinto a cabeça latejar. Meus olhos ardem como se eu os tivesse lavado com água salgada e eu os fecho imediatamente. Tento engolir, mas foi como se eu bebesse quilos e quilos de areia. — Que m***a! – Resmungo, levando a mão a cabeça. – Nunca mais eu bebo tanto. Na noite anterior, meus irmãos e eu fomos ao Luck’s Beer, um bar local, para comemorar nosso aniversário. Essa foi a primeira vez, depois que pedi o divórcio, que eu bebi sem nenhum controle. Eu sabia bem de quem era a culpa do meu descontrole emocional. Ela têm nome e sobrenome; cabelos loiros platinados e pernas longas, além de se vestir e se comportar como uma verdadeira v***a. Se não fosse sua filha, Josh Keller já teria expulsado Lex de casa e da cidade. Há dois anos tive a infeliz ideia de me casar com a filha do prefeito. Fui envolvido e seduzido de uma tal maneira que m*l conseguia pensar. Estava apaixonado demais para perceber a mulher que Lex é de verdade. Alex, meu irmão mais novo e mestre na arte de seduzir, tentou alertar sobre ela, mas eu não quis ouvir e acabei entrando na maior fria. No início eram flores, apesar de Lex ser muito exigente e mimada. Com nove meses de casados, já no cargo de delegado da cidade, encontro Lex na cama com meu melhor amigo Jesse. Não sei explicar o que senti no momento, além de muito raiva. Lembro-me de ter batido muito nele e fui para o haras. Passei a noite escondido no estábulo com uma garrafa de tequila. Dois dias depois, fui até nosso antigo apartamento, peguei minhas coisas e pedi o divórcio. Desde então, ela vive infernizando meu juízo, tentando ao máximo protelar o inevitável e se recusando a assinar os papéis. Venho há meses tentando dar entrada em um litigio, porém, graças a influência de seu pai e irmão, tenho tido dificuldades em conseguir marcar uma audiência e quando consigo, Lex arranja uma maneira de faltar. — Preciso me livrar dessa maluca, antes que eu morra ou perca o juízo de vez! Balançando a cabeça, limpo a mente fazendo uma careta. Sinto como se algo estivesse solto dentro do meu crânio. Certamente, era meu cérebro que se desprendeu. Com muita dificuldade, levanto da cama. Marquei de encontrar Alex na Benbrook Store para irmos a reunião com nossa mãe em Lake Star. Segundo minha mãe, Kyera Winter estava voltando a Benbrook e aquilo só poderia significar uma coisa… Ela veio para tomar posse de nossa propriedade! Eu já esperava por isso há meses, quando nossa querida mãe Samantha revelou que nosso pai tinha perdido o haras em um jogo de pôquer quando ainda éramos pequenos e que o novo dono seria Kyera. Eu não entendia porque minha mãe e meus irmãos estavam eufóricos com aquela ideia. Eles eram malucos por esperar que aquela pirralha magricela de cabelos flamejantes, filha de um hipócrita ambicioso, fosse devolver a propriedade tão facilmente! Eu estava furioso por causa da ingenuidade deles e porque eu a odiava! Conforme palavras da minha mãe, meu pai não se lembrava de que tinha perdido o haras e muito menos para quem ele perdera. Por sorte, a pessoa para quem ele perdera, também parecia ter esquecido, pois nunca apareceu para cobrar! Eu só não entendia porque ela levou todo esse tempo para nos procurar! Fazia 15 anos que Kyera tinha partido de Benbrook, e sua partida era um mistério para toda a cidade. Segundo Vince, o pai de Kyera, ela tinha tido um surto esquizofrênico e foi internada em uma clínica em NY. Eu sabia que ela tinha uma tia naquela cidade, mas quem é que sofre um surto esquizofrênico aos 10 anos de idade? Aquela garota foi meu pesadelo de infância. Era a criatura mais desprezível da face da terra e sua capacidade de me irritar era praticamente uma arte. A volta dela para a cidade não me deixava nada feliz e só aumentava minha dor de cabeça. Suspirei enquanto me vestia e o telefone tocou, mas ignorei sabendo que era Lex. Colocando uma camiseta branca e uma calça jeans, calcei minhas botas, peguei a jaqueta e enfiei o celular no bolso. Peguei a chave no criado-mudo e caminhei em direção à porta. Quando abri a porta da minha casa, deparei-me com uma loira de média estatura, com seus cabelos perfeitamente esticados, me olhando de cara f**a. Ela estava parada na entrada do jardim que levava ao apartamento em que eu morava. — Por que você não me atendeu? Liguei três vezes! — Lex, a menos que tenha vindo para falar que assinou os papéis, o resto não me importa! — Não, eu vim para tirar essa ideia da sua cabeça! – ela disse cruzando os braços. Eu continuei a ignorá-la e virei para trancar a porta. Lex resmungou algum palavrão, mas se manteve firme em sua postura séria. Virei para descer os três degraus que davam acesso à passarela de tijolos, que cortava o pequeno jardim, e me separava daquele ser. — Alec, você não vai mesmo levar isso sério, vai? Quero dizer… Você não vai jogar dois anos fora por conta de uma bobagem! – ela disse de forma ríspida colocando as mãos na cintura e batendo os pés no chão. Parei há alguns centímetros na frente dela com um olhar furioso por causa de seu comentário. Aquilo só poderia ser uma piada! — Bobagem? – disse em tom ameaçador. – Eu digo o que é bobagem. Bobagem é você pegar uma gripe em pleno inverno. t*****r com o melhor amigo do seu marido ou com qualquer um enquanto está casada é traição! Capiche? Lex engoliu em seco encolhendo os ombros e deu um passo para trás. Continuei seguindo em frente e ela veio atrás de mim. A voz dela já me irritando os ouvidos! — Alec… Amor… Eu já expliquei que aquilo não foi nada! Eu não sinto nada por ele! Foi um engano! É você quem eu amo! Eu parei de repente sentindo o gosto de sangue na boca. Nós fomos casados por dois anos e ela nunca disse que me amava. Eu me virei para encará-la com ambos os punhos fechados, pois minha vontade era de bater nela. — Estou farto da sua voz de gaita de fole, desse seu jeito arrogante e soberbo. Não aguento mais essa sua cara cheia de maquiagem e essas roupas de p********a que você usa. – disse com frieza e ela soluçou. – No tempo em que você me fez de o****o, eu achava até bonitinho, mas agora vejo que é simplesmente desnecessário e vulgar! Dando um passo, eu agarrei seu braço de forma ríspida e aproximei meu rosto do dela falando entre os dentes. — Some da minha vida! Se eu te pegar no meu gramado novamente, mandarei prendê-la por invasão! – então, a soltei empurrando com força suficiente para fazê-la cair sentada no chão. Lex dobrou os joelhos até encostarem-se no queixo e abraçando-os com ambos os braços, começou a chorar. Cena típica que aturei por várias vezes durante o nosso namoro e posteriormente durante nosso casamento em todas as vezes que ela quis manipular a situação ou me fazer sentir culpado de alguma coisa. Aquilo não colava mais! Continuei a fazer meu trajeto até passar pelo portão baixo de ferro e fui caminhando até a caminhonete. Entrei no veículo batendo a porta atrás de mim. — Como invasão? Essa casa também é minha, Alec! – ela esbravejou se esperneando como uma criancinha. – Alec, eu estou falando com você! Ainda somos casados! – ela gritou ficando de pé. — Não por muito tempo Lex! – respondi com um sorriso frio e dei a partida. — O que quer dizer com isso? — Espere e verá! — Alec? Aonde você pensa que vai? Estou falando com você! Alec? – ela gritou batendo o pé enquanto eu arrancava com a caminhonete deixando-a para trás e falando sozinha. Eu soltei uma gargalhada enquanto a olhava soltando fumaça pelas orelhas através do retrovisor. Apaixonei-me pelo tipo mais ridículo que um homem poderia se apaixonar. O tipo que só tinha um rosto bonito, corpo perfeito e voz melosa. Não possuía nenhum conteúdo de inteligência ou nobreza, apenas uma capa inútil mimada, egoísta e cheia de ambição. Graças à Lex esse tipo não me afetava mais! Eu estava dando um tempo em relacionamentos desde que me separei. Quando queria diversão, eu saía com uma das amigas do meu irmão mais novo, Alex. Elas estavam acostumadas com esse jogo. Sem laços, sem amarras, apenas diversão! Atualmente, eu era o xerife de Benbrook e tinha como braço direito minha irmã caçula, Dominic. Ela era a oficial mais inteligente da delegacia. Apesar de ser um policial, eu sempre gostei muito de montar e todo ano participava das competições durante o festival. Alex e eu também competíamos nas corridas de jóquei, sendo ele o cavalheiro oficial do nosso haras. Eu combinei de encontrar Alex na loja de conveniência antes de ir ao haras. Nós éramos vizinhos de quarteirão, mas depois da noite de ontem, fiquei com medo de Alex estar acompanhado e preferi encontrá-lo no estacionamento. Ouvi o telefone tocar e colocando no viva voz do bluetooth, atendi sem olhar a tela do painel. — Stella! — Nossa conversa não acabou! Merda! Por que ela simplesmente não desistia? — Suma, Lex! Está ouvindo? Desapareça! – disse como se estivesse em sua frente apertando o pescoço dela. – Me esqueça! E só me ligue para dizer que você assinou os papéis! Eu respirei fundo para me acalma e desliguei. Ela ainda me ligou mais umas duas vezes, mas eu desliguei sem atender. Tudo o que eu não queria ouvir era a voz estridente de Lex! Eu já estava perto da loja e minha dor de cabeça tinha aumentado. Eu queria uma cerveja bem gelada e minha cama. Mas isso não seria possível, já que ainda tinha um enorme problema para resolver!
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