Capítulo 01 (parte 02)

1716 Palavras
— Bom dia, senhorita Winter! – Stephan me cumprimenta com um sorriso. – Sua a cara não é das melhores. Algum problema no trabalho? Suspiro, olhando para o relógio de pulso. Faltava pouco para o turno dele terminar e Stephan, como sempre, foi muito gentil. — Fui demitida. – Respondo com tristeza. — Que pena! A senhorita gostava tanto de seu trabalho. — Pois, é! Vou subir para descansar um pouco. Caminho até o elevador, mas Stephan interrompe minhas passadas. — Senhorita Winter, espere! – Diz ele, correndo até o balcão da recepção e pega um envelope. – Isso chegou para a senhorita pouco após ter saído ontem. Pego o envelope com a testa franzida, então o encaro com uma expressão confusa. — O que é isso? – Pergunto, revirando o envelope na mão. — Não tenho ideia, senhorita! – Ele responde, dando de ombros. – Não tenho o costume de abrir a correspondência dos moradores. — Claro! – Digo sorrindo. – Obrigada por guardar para mim. Ele assente, então caminho em direção ao elevador. Entro no apartamento fechando a porta com o pé e largo a mochila em cima da poltrona. Sento no sofá tirando as botas e puxo a manta presa ao encosto, deitando em seguida. O envelope foi endereçado a mim, mas com o selo do escritório de advocacia contratado por Siena, como remetente. — Que estranho! Por que Michael enviaria algo para mim? Que eu saiba todo o inventário já foi processado! Suspirando, abro o envelope. Curiosa, eu abro o envelope e me deparo com uma pequena nota de Michael, uma carta e um documento. Pego a nota e começo a ler. “Querida Kyera, ontem pela manhã nossos arquivistas encontraram esse documento. Eu não me lembrava dele, já que Siena pediu que eu o guardasse até que ela pudesse entregá-lo a você. Não sei do que se trata e nem a razão que a fez implorar que eu o guardasse por tanto tempo, mas espero que haja uma explicação dentro do envelope. Caso seja algo de minha competência e precise de minha ajuda, sabe onde me encontrar. Atenciosamente, Michael Carven.” — Que estranho! – Franzo a testa deixando a nota de lado. Balanço a cabeça de um lado para o outro, então pego a carta. Prendo a respiração ao ver o nome de minha mãe no remetente. Meu coração acelera, então r***o o envelope rapidamente. Por um ano e meio não tive notícias dela até descobrir que faleceu de câncer. Com lágrimas nos olhos e mãos trêmulas começo a ler a carta escrita em papel delicado. “Minha querida filha, sinto muito a sua falta. Eu queria ser capaz de sanar todas as suas dúvidas através desta carta, mas, infelizmente, eu não posso. Tudo o que posso dizer é que fui uma grande covarde e que a amo incondicionalmente. O preço que pago para mantê-la segura é o que acalenta o meu coração. Sua sobrevivência dependia da distância. Há coisas em torno de sua existência que não posso explicar, mas que você entenderá quando for adulta. Por isso, quando tiver idade e a hora certa chegar, preciso que faça um grande favor. Vince tentou roubar dos Stella uma escritura que toma posse de todas as terras que ele possui. Em resumo, o haras. Certa noite ele chegou bêbado e se gabando de ter passado a perna em Max Stella. Não sei como ele o fez, mas dentro desse envelope, há um documento de doação de terras assinado por Max, mas a outra parte está em branco. Eu roubei o documento na intenção de devolvê-lo a Samantha, mas alguns acontecimentos me impedem de fazê-lo, além de minha saúde frágil. No entanto, enquanto ele estiver em segredo, os Stella terão um lar. Apelo para seu senso de justiça e peço que devolva o documento assim que você ler essa carta. Pode parecer estranho, mas essa jornada responderá todas as suas dúvidas, desesperadamente, por respostas. Peço perdão por não poder responder mais nada e pelo silêncio de anos, mas é para sua segurança. Você é meu lindo raio de sol. A luz que ilumina minha vida. Eu faria tudo outra vez se fosse para protegê-la. Por isso, tome bastante cuidado ao voltar e jamais deixe Vince descobrir que está a caminho. Eu espero verdadeiramente, estar viva para encontrá-la, mas se não for possível, saiba que eu a amo e amarei onde quer que eu esteja. Sara!” Levou alguns segundos para que eu parasse de soluçar e chorar copiosamente. Minha mãe nunca me esqueceu. Suas palavras eram claras quanto a isso, mas deixava algumas dúvidas quanto ao resto. Por que ela não explicou praticamente nada? O que ela escondia? Por que viver fora de Benbrook me deixaria mais segura? Eu sempre soube desde criança que meu pai não valia a comida que come, por isso, não duvidava nada que ele tenha tentado roubar as terras dos Stella. Maximilian Stella era um exímio domador de cavalos e possui o maior haras da região. Ele e Sara têm ao todo, pelo que sei, quatro filhos gêmeos. Allan é o mais velho; Alec é o segundo; Alex é o filho do meio e Dominic é a caçula. Apesar de quadrigêmeos, todos tem uma personalidade e gênio muito diferente uns dos outros. A propriedade fica na divisa com a fazenda do meu tio Paul, onde eu passava a maior parte dos meus dias. Eu costumava passar por um ponto falho na cerca que fica nos limites entre as fazendas. Corria até o estábulo e montava na égua premiada de Alec. Ela era linda e enorme, mansa e muito habilidosa. Eu adorava montar para passear. Depois de horas, eu a devolvia ao estábulo e ia embora sem que ninguém me visse. Certo dia, após tê-la deixado no estábulo fui pega por Alec. Enquanto discutíamos, a égua se soltou da baia e fugiu assustada pela campina. No caminho, ela acabou caindo em um buraco e fraturou a pata. Infelizmente o ferimento foi sério e ela teve que ser sacrificada. Alec nunca me perdoou, por isso, e pensa que eu fui a responsável pela fuga da égua. Mesmo eu negando que a tenha deixado escapar, ele passou a me infernizar. Descobriu por onde eu passava pela cerca e me empurrava para o outro lado, fazendo com que eu caísse, rasgando todo meu vestido. Me lembro de levar várias surras em razão disso, pois meu pai odiava meu comportamento e vivia gritando que eu não passo de um moleque. Com o tempo, nossa rixa virou implicância e, em vez de ir a cerca para cavalgar no haras, passei a fazer pegadinhas sabendo que Alec estaria acompanhado de seu irmão gêmeo Alex, escondido nas moitas próximas. Lembro-me de jogar pedras, tinta e até mesmo ** de mico. Houve uma vez em que eu estava caminhando rente a cerca ao lado de Mykaella e Alec nos acertou com piche. Mykaella ficou com tanta raiva que decidiu jogar pedras. Uma delas acertou a cabeça de Allan, que não sabíamos que estava sentado escondido lendo um livro. Desde então, ele passou a odiar Myka. Na manhã seguinte, aproveitei a distração de Alec durante uma pescaria e o joguei dentro do lago. Respirando fundo, balanço a cabeça dissipando as lembranças. Pego o documento dentro do envelope e começo a ler. Era um documento de doação de terras assinado apenas por Max Stella, assim como minha mãe menciona na carta. O campo da parte recebedora está em branco e a assinatura de Max é estranha, toda tremida como se ele não tivesse em plenas condições quando assinou o documento. Pegando o celular, eu ligo para Michael. Pela hora ele já está acordado, pronto para ir para o escritório. Tento conseguir alguma informação, mas ele também não consegue explicar muita coisa. Apenas diz que há algum tempo Siena pediu que ele guardasse o documento em seus arquivos. Disse se tratar de algo sigiloso. — Michael, como advogado, o que você me orienta a fazer nesse caso? — Bem, você tem duas opções. A primeira e mais óbvia, é assinar o campo em branco e tomar posse das terras. – Ele faz uma pausa ofegando como se estivesse a caminhar. – Como sei que jamais fará uma coisa dessas com algo que não ganhou de fato, só lhe resta encontrar o m****o responsável pelas terras e devolvê-la. — Sério? – Faço uma careta. – Não posso apenas rasgar e jogar fora? — Até poderia, mas se houver uma cópia, quem a encontrar poderá realizar esse mesmo processo e tomar a propriedade. – Ele faz uma pausa. – Se fizer o que estou orientado, ninguém poderá retirar a propriedade dos verdadeiros donos, novamente. Solto um longo suspiro. — Entendo! Obrigada, Michael! — Disponha, minha querida! – Ele diz. Faço menção de desligar, mas ele chama do outro lado. – Só mais uma coisa, Kyera. Sua tia pareceu muito aflita ao pedir que eu guardasse comigo. Não sei mesmo do que se trata, mas pareceu bastante sério. Então, peço que tome bastante cuidado. — Está bem! Verei o que faço com esse documento. — Se precisar de orientação, pode ligar a qualquer hora. Sabe que prometi a Siena que cuidarei bem de você e garantirei sua segurança. — Sim e sou grata por isso. Desligando a chamada, recosto no sofá. Eu não podia acreditar que minha tia estava de posse da escritura do haras onde aprendi a cavalgar, todos esses anos. Respiro fundo colocando todos os papéis de volta no envelope e fico de pé. — Isso não é bom! – Digo de forma nervosa, levando minha mão a testa, enquanto caminho de um lado para o outro da sala. – Isso não é nada bom! Voltar ao Texas não está em meus planos, visto que eu não quero encontrar meu pai novamente e cedo ou tarde isso acontecerá. Mas a minha mãe estava certa, eu preciso fazer o que é justo e devolver as terras que meu pai tentou roubar. Além disso, há perguntas das quais eu preciso de respostas e somente em Benbrook eu as conseguirei. Respirando profundamente, eu pego o celular e disco um número. Vou precisar de suporte para enfrentar o que vier pela frente e só conheço uma pessoa capaz de me ajudar. — Alô? Myka?
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