capitulo 124

1145 Palavras

📓 NARRADO POR MANU SANTANA Miguel ficou me olhando por uns segundos, como se conferisse se eu tava de pé por dentro ou só no lado de fora. Depois, sem pressa, ele foi até o escorregador velho e sentou no chão, encostando as costas no ferro frio. — Vai — ele murmurou. — Balança mais. Tu sempre pensou melhor aqui. Eu empurrei o chão com a ponta do tênis. O balanço rangeu, subiu pouco, desceu menos ainda. E tudo dentro de mim parecia fazer o mesmo movimento. Subir só um pouquinho… descer sem força… Miguel ficou me observando. Não com pena. Nunca com pena. Com aquele olhar dele que diz “tô te vigiando porque tu é importante demais pra desabar sozinha”. Depois de um tempo, murmurei: — Eu… vou passar uns dias na casa dos nossos pais. A cabeça dele levantou na hora. — Já imaginava.

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