📓 NARRADO POR MANU SANTANA Miguel caminhava na minha frente como se soubesse exatamente por onde pisar pra eu não tropeçar no resto do meu orgulho espalhado pelo chão do morro. A mão dele ainda segurava a minha. Firme. Silenciosa. Igual farol pra quem tá perdida no meio da madrugada. A viela foi ficando mais estreita, o vento mais frio, e o mundo mais quieto. — Miguel… — chamei, a voz falhando no meio do ar. — Tu vai me dizer pra onde a gente tá indo, ou eu vou ter que fugir? Ele soltou aquele riso curto, quase imperceptível. Riso típico dele quando tenta esconder que tá sentindo alguma coisa. — Se tu fosse fugir… — ele disse, sem olhar pra mim — …tu já tinha corrido. Eu bufei. Quase ri. Quase chorei. Fiquei no “quase” de tudo. Porque era isso que eu era agora: um quase desa

