CAPÍTULO 06 - JURAS DE AMOR

2741 Palavras
BRUCE CARTER Sábado e eu estou trabalhando. Se a delegacia já é uma m***a nos dias de semana, finais de semana são ainda piores. Tudo o que eu investiguei hoje foram furtos em lojinhas de conveniência, o desaparecimento de uma carteira e o sumiço do ** de café da delegacia. Na real, não foi tão terrível assim. O café acabou, mas mandamos buscar mais. — Eu nunca te vi com essa cara de b***a. — ouço Andrew resmungar — Sua motorista super sexy não te relaxou ontem, depois do trabalho? — Não quero falar sobre isso. — resmungo encarando um ponto fixo na minha mesa — Cara, você tá péssimo. — ele diz se sentando — Qual é, se abre comigo. Me abrir com alguém. Eu não costumo fazer isso com alguém que não seja minha irmã Martha. Como explicar que Elizabeth ainda atrapalhava minha vida, mesmo depois de supostamente morta? — Já sei, tomou um toco. — Andrew me olha — Que m***a, hein?! Fez o que depois? Foi se afogar na cachaça lá no Olympus? — Não. — suspiro — Fui pra casa da minha irmã. — Você tomou um toco e foi chorar sob a barra da saia da sua irmã? — ele me encara — E você é o cara que acham que matou e sumiu com a esposa? Ah, qual é! — Stone. — o reprovo — Tá, sei, foi m*l. — se desculpa — Nenhum comentário sobre isso, mas é que é um contraste bizarro. Você já passou dos quarenta, cara. — Eu adoro a minha irmã e ela é minha confidente. — Tô julgando não. — n**a — Todo mundo tem o direito de ser sensível. — Só cala a boca. — peço — Não me enche. — O comissário pediu pra eu te dispensar. — diz — Você tomou um tiro ontem, cara. Nem devia estar aqui. — Foi de raspão. — reviro os olhos — E daí? Tomou pontos mesmo assim. — me olha — Vai pra casa. Suspiro e me levanto, recolhendo meu celular. Uma folga é sempre bem vinda. KAYLA WILLIAMS Eu passei o final de semana inteiro refletindo sobre as informações que eu recebi. Bruce é casado, sua esposa está desaparecida e ele é um dos principais suspeitos por isso. Eu tinha tantas perguntas pra fazer, tinham tantas coisas pairando sobre a minha cabeça. Por que ele continua trabalhando como policial, se é suspeito de um desaparecimento que está sendo investigado como homicídio? Que cliente deu isso para Khloé me entregar? — Mamãe, vamos ver o Bruce? — Jakob pergunta — Não. — digo colocando a caixa com as frutas no banco de trás do carro — Por que? — seu bom humor dá lugar a cara de desconfiado — Porque ele está ocupado, meu filho. — digo — E agora eu vou te levar de volta pra casa. — Bruce! — Jake grita e sai correndo Atravessando a rua às pressas, meu filho me deixa sozinha e eu fico desesperada, mas pra nossa sorte, não há carros passando na rua, nessa hora. Bruce estava conversando com um outro policial e se assusta ao ser gritado, virando para meu filho e arregalando os olhos ao vê-lo atravessar a rua. — Jake, não pode. — ele grita nervoso, indo de encontro a ele e meu filho o surpreende, abraçando-o pela cintura — Oi! — ele sorri Suspiro e fecho o carro, atravessando a rua para encontrá-los e pegar meu filho de volta. — Jakob, sua avó e eu já conversamos com você, não pode correr na rua. — digo exausta, mancando em sua direção — Sua mãe tem razão, Jakob. — ele diz e beija a testa do meu filho — Kayla. — me cumprimenta — Bruce. É estranho eu saber que ele é suspeito de assassinato e, ainda assim, não senti-lo como uma ameaça? — Oi, eu sou o Andrew. — o colega dele, notando o clima, me oferece a mão para um aperto — Detetive Stone, eu me recordo. — aperto sua mão brevemente — Eu me lembro de você. Trabalho no Olympus. — Ah. — ele parece se lembrar de mim — Filho, vamos? — Não. — ele diz segurando a mão de Bruce — Bruce vai na Reserva com a gente. — Não vai, eu já disse que ele está trabalhando.— reviro os olhos — Vai sim! — Jakob grita — Jake, sua mãe tem razão, eu estou trabalhando agora. — Bruce o olha — Mas eu posso ir na Reserva depois. Jakob o olha por alguns segundos, mas logo quebra o contato visual, soltando a mão dele e pegando na minha. — Vamos, mãe. — Vamos. — confirmo — Uh, tchau. No caminho de volta para a Reserva, notei que Jakob pareceu realmente se importar com a presença de Bruce. Isso me fez refletir. Bruce é capaz de m***r? *** Passei pela porta corta-fogo dos fundos e joguei o saco preto na caçamba de lixo, me lembrando de que há um mês e meio, havia um homem morto ali dentro. Khloé só mandou lavar e pintar, no dia seguinte, ela já estava pronta para uso de novo. É estranho a vida continuar depois de um homicídio duplo no clube? Na parte de trás do estacionamento, onde os carros das funcionárias costumam ficar, uma mulher estava parada me observando. Eu a reconheci das imagens que recebi, mas se não tivesse as recebido, não seria assim tão difícil de notar que era parente do Bruce. A mandíbula bem marcada, como a dele, as sobrancelhas grossas e naturais, os ombros largos. A única diferença é que, diferente dele, ela tem mais marcas de expressão no rosto, talvez por ser a mais velha. Suspirei e caminhei até ela. — Estamos fechados. — digo — Eu sei. — sorri fraco — Você é a Kayla, não é? — E você é a Martha. — Ele falou de mim pra você? — Mais ou menos. — digo — Não tivemos muito tempo. — A gente pode conversar? — me olha — Quer entrar? — pergunto — A gente fez café e tem umas guloseimas. — Claro. Libero sua entrada pelos fundos e a guio até o camarim que eu antes dividia com Louise, mas agora é só meu. Sirvo café para ela na caneca da minha antiga colega e coloco alguns biscoitos disponíveis. Ela se senta no sofá branco e observa a arara com os looks da semana. Será que ela pensa que sou acompanhante? — Bruce me falou de você. — Essa semana? — me sento na cadeira de maquiagem e a viro, encarando seu rosto — O último mês. — diz e eu arregalo os olhos — Ele tem você na cabeça desde que você o ajudou, na estrada. — Ele te contou isso? — franzo o cenho — Uau! — Bruce me conta tudo. — dá de ombros, após um gole de café — É uma coisa que criamos quando ele era pequeno e perseguido pelo nosso pai. Eu tinha oito anos e ele quatro. Nosso pai achava que a nossa mãe o mimava demais. Que bom, porque isso fez dele o homem sensível e prestativo que é hoje. Disso eu não podia discordar. Em pouquíssimo tempo, Bruce salvou a vida do meu filho, se mostrou compreensivo com sua condição, atencioso. Como alguém assim é suspeito de assassinato? — Nosso pai é um homem retrógrado. Eu deixei de ser sua favorita quando declarei minha orientação s****l e, desde então, ele não fala mais comigo. — Sinto muito. — murmuro — Obrigada. — agradece — No início eu senti, mas Bruce deu um jeito de não me deixar sofrer por muito tempo. — Eu queria ter irmãos. A relação de vocês dois parece ser incrível. — Nem tanto. — ela ri fraco — Ele consegue ser tão teimoso quanto o papai, quando quer, e eu preciso ter jogo de cintura com ele. Mas ele sempre faz valer a pena. — Sei. — resmungo, sem saber o que dizer — Eu imagino que saiba o que vim dizer. — Veio ser a advogada dele. — Sim. — confirma tomando outro gole de café — Imagino que o que você viu não tenha sido fácil. — Não foi. — Você tem um filho, deve pensar na sua segurança. — comenta — Mas Bruce não tem nada a ver com isso. — Olha, as coisas que eu li, mostram que ele é o principal suspeito. — Ele foi o principal suspeito. — corrige e eu franzo o cenho — Durante um bom tempo ele era o alvo da investigação, mas isso tudo foi descartado depois de uma investigação minuciosa. Ele quase foi parar no corredor da morte, mas conseguimos reverter isso no tempo certo. Heaven’s Gate é a segunda chance dele. — Isso eu não sabia. — digo pensativa — Que m*l lhe pergunte, como ficou sabendo disso? — estreita os olhos na minha direção — Na real, eu… — franzo o cenho pensando — Não faço a menor ideia. Me entregaram o cartão de memória. — Quem entregou? — Enviaram pra caixa postal do clube e minha chefe me entregou. — Hum. — ela murmura pensativa, encarando a caneca em suas mãos Como aquilo havia ido parar ali? Alguém queria abrir meus olhos com relação ao Bruce, mas enviaram a informação incompleta, onde não dizia que ele havia sido descartado da investigação, por falta de provas. — Bom, eu não vou tomar mais do seu tempo. — Martha diz — Eu também não quero dizer o que você tem que fazer, mas já faz cinco dias e meu irmão tá na m***a, achando que você o odeia e morre de medo dele. Pode não querer ter mais nada com ele, mas o ouça, por favor. É importante. *** Meu coração batia inquieto, borboletas no meu estômago. O prédio que Bruce morava era como o meu, poucos andares, dois apartamentos por andar. A porta dele era a 3B e tinha um tapete de bem vindo no chão, mas acho que ele não recebe visitas. Dei algumas batidinhas na mesma e aguardei, ouvindo ele gritar pra esperar. Cobri o olho mágico com a mão e notei que ele demorou para se aproximar da entrada. — Kayla? — ele franze o cenho surpreso, ao abrir uma brecha da porta, com apenas a cabeça aparecendo — Não ia me dar um tiro, né? — pergunto erguendo os braços — Não. — ele abre a porta inteira e vejo sua pistola em sua mão — Não sem ver quem era. — Ah! — abaixo os braços — Como soube meu endereço? — Martha. — Ah, m***a. — revira os olhos — Ela te fez vir aqui? — Não. — n**o — Eu vim porque quis. — Oh! — se surpreende de novo — Entra. — Com licença. Deixando as inseguranças do lado de fora, entro no apartamento, notando que o mesmo é pequeno, mas está muito bem arrumado. Ele fecha a porta e caminha até a ilha da cozinha, onde trava a arma e a prende sob o mesmo. — Você não devia estar no Olympus essa hora? — franze o cenho — É, devia. — faço uma careta ao imaginar o quanto Khloé deve estar me xingando agora — Mas eu tô aqui. — Por que? — Porque eu quero ouvir você. — o olho — Me conta a sua verdade, Bruce. — A minha verdade? — ele suspira — Ok. Tirei o casaco e me sentei no sofá. Bruce desligou a televisão e se sentou também, depois de me servir uma cerveja. — A história pode ser longa. — Eu não ligo. — dou de ombros — Temos tempo. — Certo. — respira fundo — Elizabeth e eu nos conhecemos em Atlanta. Ela era professora em uma universidade de lá e eu estava investigando um crime de e*****o coletivo. Nos conhecemos, ela até ajudou na investigação, um pouco. — dá de ombros — Ficamos próximos, namoramos. Aos poucos ela foi me contando o caos que sua vida sempre foi, mas ela não parecia ser nem um pouco afetada por isso. Parecia ser um milagre, sabe? Que tinha saído disso tudo sem absorver nada de r**m. Depois que casamos, demorou uns dois anos pra eu perceber que ela tinha absorvido mais do que deveria. — Ela tinha problemas com os pais? — Sempre teve. — comenta — A irmã se suicidou, por isso. Só que ela dizia que tava tudo bem, que ela era diferente. Quando eu comecei a notar que a coisa não era bem assim, tentei apoiar de toda forma possível. Pesquisei, paguei bons psicólogos e incentivei a terapia. Disse que ela não estava sozinha. Depois eu descobri que ela não estava fazendo a terapia que eu estava pagando, que não teria filhos porque não queria e não por traumas. Demorou pra acontecer, mas quando aconteceu foi rápido. — O que? — o olho — Eu cansei. — me olha — Cansei de lutar uma luta que não era minha. Ela não queria lutar, então porque eu continuaria insistindo? Depois de anos esmurrando ponta de faca, eu cedi. Deixei ela reagir da maneira como queria. Tóxica, controladora e, ao mesmo tempo, distante, fria. — Aí você conheceu alguém? — sugiro — É. — suspira — Não me orgulho. Pra quem está de fora, parece uma solução simples. Divórcio. O problema é que eu ainda me importava com ela e achava que algo muito r**m poderia acontecer, caso eu fosse embora. Eu acordei, uma vez, e ela segurava uma faca na frente do espelho, calculando qual artéria sangraria mais e mais rápido. Eu não queria ser o responsável por uma tragédia. O pior é que não era nem por ela, era por egoísmo meu. Eu não ia aguentar isso. Foi quando conheci Ashley e pensei que daria pra viver uma vida dupla. — Ela descobriu? — O clima foi melhorando no nosso casamento e eu me iludi, achando que estávamos evoluindo. Seis meses depois, Ashley sofreu um acidente e ficou paraplégica. Ele fica em silêncio e me olhando, como se esperasse que eu tirasse minhas próprias conclusões. Depois de pensar, fico chocada. — Ela…? — arregalo os olhos — Foi ela? — Quando soube disso, percebi que a coisa estava ficando séria demais. Me afastei de Ashley, porque queria mantê-la viva, mas passei a sair com algumas mulheres diferentes. — conta — Brittany, uma que eu estava começando a me envolver, estava tomando banho um dia e, quando despejou shampoo no cabelo, era ácido. Metade do rosto dela ficou desfigurado. — Mas que m***a. — resmungo assustada — Nós tivemos uma briga f**a e, uma semana depois, ela desapareceu. — Assim, do nada? — Do nada. — diz — Elizabeth sempre sabe como se livrar das coisas. Ela nunca é pega. — Você fala dela no presente, como se não acreditasse que ela está morta. — o olho — Tenho minhas dúvidas. — Bruce, eu li sobre o caso, aquela quantidade toda de sangue não é boa coisa. Sim, ela pode ter sobrevivido em algum lugar por mais uns dois dias, mas com aquele sangue todo, só com ferimentos gravíssimos. Quem fez isso com ela, não a deixaria viva. — Não gosto de falar disso. — ele parece verdadeiramente incomodado — Depois que eu fui descartado, o departamento disse que poderia me manter, mas não no mesmo lugar. Vim pra cá querendo ficar sozinho pelo resto da minha vida, mas minha irmã e minha cunhada decidiram vir também e depois apareceu você. Eu juro que não queria te arrastar pra esse furacão, mas eu realmente estou apaixonado e… — passa a mão no cabelo, exasperado — Isso parece história de filme, eu sei. — Eu nunca me senti ameaçada do seu lado. — digo — Devia ter te ouvido assim que soube. Ficamos os dois em silêncio, por um tempo, cada um com seus pensamentos. — Bruce. — o chamo e ele me olha — Acredito em você. — Acredita? — Acredito. — confirmo — E quero ficar do seu lado. Fazer você esquecer essa parte r**m da sua vida. — Tem certeza? — seus olhos se iluminam feito o de um menino em excitação — Tenho. — confirmo novamente sorrindo fraco — Você me aceita, depois de eu ter te deixado sem poder se explicar? Bruce sorri e me abraça. Confio nele.
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