Capítulo 2 - AQUELE QUE OBSERVA

1017 Palavras
(Ponto de vista de Kaleo) Ela não deveria andar sozinha. Por um segundo a mais ela não estaria viva. Não era fraqueza admitir isso. Era estatística, Lógica, Cálculo. Sozinha, cercada por criaturas que sequer deviam existir e mesmo assim… ali estava ela, perto por um momento, eu pensei que isso iria rasgar meu peito, sentir seu perfume a milímetros de distância, p***a como seu cheiro era doce e isso me fazia enlouquecer sem ao menos toca-lá. Narração 3* pessoa Kaleo a observava da beira do prédio em ruínas, corpo imóvel como uma estátua, olhos fixos nela. Ela tocava a pegada que ele deixara, ele estava lá por ela, ele sabia e Ela sentia. Reparava em um símbolo na parede, já havia visto aquilo mas parece que agora, ele fazia sentido. Deixado marcado por ancestrais em paredes, pedras, livros, na história. Katleya era diferente, sempre foi, desde a primeira vez que a viu. Ela não era feita apenas de carne e osso, era feita de força, de esperança, de algo que ele não conseguia nomear, algo que fazia o peito dele doer. Ele não devia ter interferido, a salvado, Não podia se permitir esse erro de novo, mas quando viu aquelas garras prestes a rasgar a pele dela… …ele se moveu antes mesmo de pensar. “Você está quebrando os protocolos,” dizia a voz na cabeça dele — a que restava do treinamento, dos chips, dos comandos enraizados em sua mente como raízes de ferro. Mas ele ignorava. Porque quando se tratava dela…as regras não importavam. Ele a observou voltar ao acampamento, Viu quando Riven tentou tocá-la, Viu quando ela se afastou gentilmente e algo dentro dele… rosnou. Ele não tinha direito ao ciúmes, mas sentia. Katleya era o único pedaço de mundo que ele queria salvar e mesmo que nunca pudesse tocar sua pele, ouvir sua risada de perto ou sentir seu calor…Ele jurara protegê-la, Até o último dia da Terra. A noite chegou como um manto pesado, e Katleya não conseguia dormir. Os acontecimentos pulsavam em suas lembranças. O vulto que a salvara parecia cravado em sua pele, como um toque que nunca recebeu, mas que seu corpo inteiro lembrava. então, quando finalmente adormeceu.. os sonhos vieram. Não eram como antes, Eram primeiro escuridão, quente, viva e dele…uma presença. Ela sentia ele antes de vê-lo, Um calor atrás dela, uma respiração próxima, sussurro sem voz, direto na alma. — Katleya… Seu nome soava diferente ali. Como um segredo, como um feitiço. Quando se virou, o viu, Olhos Intensos, um tom dourado queimando na escuridão. Ela nunca os virá antes e ainda assim… os reconhecia. Ele a olhava como se fosse feita de luz, Como se estivesse faminto por ela há séculos, Como se cada pedaço dela fosse sagrado e ao mesmo tempo, perigoso e então, ele tocou seu rosto devagar, devoto, como se cada traço dela fosse uma promessa. O toque dele desceu pela mandíbula até o pescoço, a pele dela reagiu como se ele estivesse ali de verdade, quente, forte, real. Quando encostou a testa na dela, Katleya m*l conseguia respirar. — Quem é você? — sussurrou. Ele não respondeu. Mas os lábios dele chegaram perto. Quase tocaram os dela e foi ali que sentiu, o desejo, bruto, antigo, como se seu corpo já tivesse pertencido a ele, como se seus lábios já soubessem o caminho até os dele. Ela o queria sem nunca ter visto o rosto,sem nunca saber seu nome e quando seus lábios finalmente se encontram… Ela acordou Suada, arfando, coração disparado E com uma certeza: Aquilo não foi um sonho qualquer, era um aviso de algo que ela ainda não viveu…Ou que já viveu muito antes do mundo acabar. De manhã Katleya passava o carvão sobre o papel como se fosse pele, Cada linha um suspiro, Cada sombra um arrepio. Os olhos… sempre começava por eles… familiares. Ela não sabia por que precisava desenhá-lo, só sabia que precisava. Tinha acordado daquele sonho como se estivesse sido tocada de verdade e agora, como um vício, cada traço que fazia era uma tentativa de trazê-lo à realidade, Como se não desenhasse o suficiente… para que ele volte para ela. — De novo? — disse uma voz conhecida, entrando na barraca. Katleya tentou esconder o papel, mas já era tarde. Ayla, sua melhor amiga, arqueou a sobrancelha e cruzou os braços, Ela era o oposto de Katleya : falante, debochada, um furacão de sarcasmo e transparencia. — Esse é o terceiro desenho, Kat. E todos são do mesmo homem. — Eu não sei quem ele é, Ayla… mas eu sinto ele. — “Sentir”, humm? — Ayla deu um sorriso safado. — Foi só um sonho ou você acordou querendo mais? Katleya corou, Olhou pro desenho. — Foi diferente, Real, Como se eu já conhecesse ele, Como se já… — …já tivesse feito amor com ele numa outra vida, talvez? — Ayla completou, rindo. — Amiga, isso não é um crush, Isso é uma maldição de alma gêmea interdimensional. As duas riram, mas no fundo, Katleya sabia: tinha algo ali, Algo maior, Algo que sufoca. O momento foi interrompido, Riven entrou de repente. Não bateu, Só apareceu, Os olhos dele bateram direto no papel, Silêncio Grosso e Tenso. — Quem é esse? — ele perguntou, já sabendo que não queria ouvir a resposta.— Katleya fechou o caderno devagar. — Alguém que eu vi em um sonho. Riven respirou fundo. Sorriu, mas foi um sorriso torto, dos que escondem dor… e raiva. — Então agora você desenha estranhos? — Não é um estranho pra mim — ela respondeu. — Não sei quem é, mas sinto como se conhecesse ele. Ele deu um passo à frente. — E eu? Eu tô aqui, Sempre estive. Ayla já levantou, cruzando os braços de novo. — Uuuuh, lá vem drama masculino possessivo… alguém segura minha pipoca. Riven olhou pra Katleya mais uma vez. — Ele não é real, Kat. Mas ela sabia que era. Porque mesmo agora… enquanto Riven falava… ela sentia os olhos dele, Do outro, Do homem que roubou seus sonhos. Observando, Sempre.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR