CONEXÕES

1353 Palavras
Pérola terminou as maquetes para os projetos de Enrico. Na sexta-feira ele apareceu acompanhado pelo seu advogado para formalizarem os contratos. Após tudo assinado, combinaram um jantar para comemorar a nova parceria. Pérola aceitou sem hesitar. Já tinha rejeitado tantos convites, mas o de Enrico foi mais sincero. Ele não o fez com segundas intenções. Não parecia ser um homem de meias palavras. Ficaram de se encontrar no restaurante do hotel principal Belinni que era um enorme navio que na verdade estava ancorado e não se podia mover. A família tinha um navio de cruzeiro que realmente parecia um hotel em movimento. Pérola estava nervosa por encontrar Enrico num ambiente que não era o profissional, mas ela sabia que lá estariam outras pessoas, e também tinha conhecimento do quanto as mulheres o admirava exactamente por ser bastante cavalheiro e respeitoso com elas. Enrico falava com um dos seus irmãos quando a viu e a foi receber. - Brianna! Seja bem-vinda. - Olá Enrico. Obrigada. Espero não estar atrasada. - Claro que não. Eu estava a dizer aos meus irmãos que tu és muito talentosa, e que não te devem julgar por ser jovem demais. - Obrigada. Sei que muitas pessoas fazem isso. Mas eu já não me importo. Elas depois percebem quando têm contacto com o meu trabalho. - Fazes bem de não prestar atenção. Venha por favor. O que desejas beber? - Um coquetail de frutas mas sem álcool. Eu não o consumo. - Eu também não. Vem comigo. Enrico a apresentou aos seus irmãos que ficaram encantados e surpresos por verem que ela não era apenas jovem, mas também incrivelmente linda. Marília uma das cunhadas de Enrico e também dermatologista não hesitou no seu elogio. - Tu tens uma pele incrível Brianna. Dá para ver que és muito cuidadosa . - Obrigada Marília. A verdade é que faço isso desde a adolescência. E os vossos produtos têm me ajudado bastante. Eu apenas uso os cosméticos Belinni. - Estou surpreso por ouvir isso...- Enrico disse a conversa fluiu naturalmente. O jantar também foi bastante animado. Pérola sabia que tinha feito amizades longas e verdadeiras. No dia seguinte ela não se conteve e ligou aos seus pais para contara novidade. - Mamãe! Eu consegui o contrato com os Belinni. Eles estão dispostos a pagar uma verdadeira fortuna por ambos os projetos. - Parabéns meu amor. Você merece. - Estamos orgulhosos de você filha. - Obrigada Papai. Farei a restauração da nova ala do hotel, e cuidarei de todo o projeto social. A minha equipe está animada. Um cliente como Enrico Belinni só nos trará mais prestígio e muitos outros clientes. - Isso é verdade. Só tens que ser profissional e cuidadosa. Vai dar tudo certo. - Isto merece uma comemoração filha. E que tal se for única com a tua festa de aniversário? - Tudo bem Mamãe. Enviarei para a Senhora a minha lista de convidados. Estou bem animada. E para este ano quero uma verdadeira festa. - Assim será filha. Se cuide. Amamos você. - Também amo vocês. Pérola ligou para os irmãos e enviou para eles detalhes do projeto de restauração. Eles começaram a trabalhar e todos os dias trocavam ideias. Com a sua equipe, Pérola trabalhava todos os dias no projeto da restauração. Acompanhava cada detalhe e sempre procurava o pai para pedir a opinião dele sobre alguma coisa. Seus irmãos trataram do design interior e tudo caminhava na mais perfeita harmonia. E foi num sábado quando ela verificava como estavam os acabamentos dos quartos, que ela ouviu algo que a deixou surpresa. - Vamos logo Papai. Eu quero ver como está o meu quarto. Ela saiu para ver quem era criança, e ficou sem palavras ao notar que o menino falava com Enrico.. - Anda Papai. - Se acalme filho. O quarto não vai sair do lugar. Por favor não corras. - Olá Enrico. Me desculpe eu não sabia que vinha hoje. - Olá Brianna. Na verdade não era esse o plano. Mas eu acabei falando demais e agora estou aqui. - Olá Senhora. Eu sou o Enrico Daniel Belinni.Mas me chame só de Danni por favor. - Olá Danni. Muito prazer. Sou a Brianna Pérola Valente. Me chame só de Pérola. - Porque o seu nome é Pérola? - Já chega de perguntas filho. - Não faz m*l Enrico. É que eu nasci com a pele muito branquinha e sensível. E a minha Avó disse que eu brilhava como uma Pérola. - É um nome lindo. - Muito Obrigada. E tu és muito bem educado. - Obrigado. O Papai diz que devo ser um príncipe para as meninas. A Senhora fez o meu quarto? - Sim. Os meus irmãos trataram do design, e quando for decorado ficará perfeito. - Podemos ver? Por favor. - Se o seu Pai deixar. - Sim eu deixo. - Obrigada Enrico. Vamos Daniel? Enrico estava espantando. O seu filho nunca tinha falado tanto com alguém que acabava de conhecer. Ele e Pérola tiveram uma ligação instantânea. Ele os seguiu e ficou observando ela explicar como o quarto ficaria depois da decoração. Os dois se entendiam muito bem. - Então filho! O que você achou da explicação da Senhorita Pérola? - Eu gostei Papai. Mas quero ajudar a escolher a decoração. O Senhor disse-me que este será o meu quarto. - É verdade filho. E será contíguo ao meu. - Então posso escolher a decoração? - Claro que sim. Vamos fazer isso em casa, e depois eu vou passar tudo para a Senhorita Pérola. Combinado? - Combinado Papai. Podemos ir lanchar agora? Estou com fome. - Vamos sim. Mas está na hora do almoço. Você aceita almoçar com a gente Pérola? - Sim claro. Será um prazer. Pérola ainda estava surpresa por descobrir que Enrico tinha um filho. Será que era casado? E se fosse, porque a mãe do menino não era citada? Talvez fosse viúvo ou divorciado. Ela estava curiosa, mas não podia fazer perguntas tão pessoais. - Pérola?! Você me escutou? - Me desculpe Enrico. O que disseste? - Que vamos pedir risoto. É o prato favorito do Daniel. - O meu também. Vou querer o mesmo. E com batatas fritas. - Eu também gosto assim. Não é Papai? - É sim filho. Parece que vocês gostam da mesma coisa. - Pois é Danni. Nós temos a mesma comida favorita. Isso é um sinal. Eles comeram e Enrico observou a forma como Pérola interagiu com o seu filho, mas também percebeu que ela estava curiosa. Ele chamou um segurança e pediu - lhe que levasse o menino ao banheiro. - Então Pérola. Sei que estás curiosa. Podes perguntar. - Eu não quero invadir a tua privacidade. - Não o farás. Eu não sou viúvo nem divorciado. A mãe do Daniel está viva e saudável. - Então porque nunca falam dela? - Porque ela o abandonou dois dias depois de ter nascido. Ela simplesmente o deixou no berço e me disse que iria embora. Nem sequer o segurou ou amamentou. - Eu lamento. Não consigo imaginar como alguém pode ser capaz de abandonar um bebê. - Eu também não entendi. Mas deixei bem claro que ela jamais devia tentar se reaproximar. Ela quis ser livre, eu dei - lhe a liberdade. Mas ela jamais deve chegar perto dele. O meu menino já sofreu o suficiente. - Você está certo. E entendo porque nunca se fala dele. Só o estás a proteger. - Isso mesmo. E não deixarei que ninguém o magoe e saia impune. Mas ele gostou de você instantaneamente. E agora que sabe que têm a mesma comida favorita, com certeza não vai falar de outra coisa. - Eu também gostei muito dele. E jamais o magoaria. Adoro crianças e o meu desejo é ser mãe de pelo menos 4. - A sério? - Sim. Sou a filha mais velha e quero muito ter uma família grande e feliz. - Isso já temos em comum. Pérola sorriu. Estava á vontade conhecendo um lado diferente de Enrico. Porque ele fazia o seu coração ficar acelerado? Os sentimentos de Pérola estavam a se confundir.
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