Enrico sempre gostou de desafios.
E a cada novo contrato que assinava representava para ele um desafio que se propunha a vencer a qualquer custo.
Quando recebeu o recado sobre a reunião com Brianna Valente, ele soube que ao contrário dos outros, este seria o seu projeto mais especial. Acompanhava o trabalho dela de longe e reconhecia o seu talento e profissionalismo, mas agora veria tudo isso de perto.
Ele pegou nos documentos necessários e saiu para não chegar atrasado. Odiava atrasos e fazia questão de ser exigente consigo mesmo no cumprimento de qualquer horário.
Deu as indicações ao motorista e partiram para a firma de Arquitetura dos Valente.
Quando chegou, ele foi dirigido até á sala de reuniões que tinha um designer bastante diferente e profissional.
- Bom dia Senhor Enrico. Sou a Cristina assistente da Doutora Brianna. Ela chegará em dois minutos. Deseja beber alguma coisa?
- Bom dia. Água com gás e dois cubos de gelo por favor.
- Com certeza Senhor. Trarei agora mesmo.
- Muito Obrigado.
Cristina saiu para pegar a bebida e dois minutos depois entrou Brianna..Ela estava bem elegante e não parecia ser apenas uma jovem de 24 anos.
Agia com muito profissionalismo e concentração, demonstrando confiança e experiência.
- Senhor Belinni? Bom dia.
Sou Brianna Valente. Bem Vindo á nossa firma.
- Bom dia Senhorita Brianna.
Muito Obrigado. Estou ansioso para trabalhar com vocês. Foram muito bem recomendados.
Então já são dignos da minha confiança.
- Muito Obrigada. Sente - se por favor.
Cristina entrou com duas bebidas e saiu. Enrico não era consumidor de café nem álcool. Não bebia nem mesmo para fazer brindes. Ele tinha imensas razões para isso.
Brianna não bebia café por causa da mãe que também nunca gostou. Ela simplesmente decidiu imitar.
- Podemos começar?..- ela disse após dar um gole na sua água.
- Claro! Estou ouvindo.
As luzes foram apagadas e as persianas abaixadas.
Pérola começou com a sua apresentação e a sua assistente tirava notas. Enrico mantinha - se atento a cada palavra e também tirava as sua notas.
Quando voltaram a falar, ele pediu algumas alterações e Pérola garantiu que as faria.
Também viram o projeto de restauração do Hotel. Seria aberta uma nova ala para os grandes eventos e havia um prazo específico a ser cumprido.
- Eu vou fazer as maquetes com todas as alterações pedidas pelo Senhor.
- Perfeito. Para quando podemos marcar a nossa próxima reunião?
- Pode ser para sexta-feira às 10 00horas? A minha assistente vai entrar em contato caso haja alguma mudança.
- Por mim está ótimo. Foi um prazer conhecê-la Brianna.
- Igualmente Enrico. Saiba que ficará surpreendido com o meu trabalho.
- Acredito que sim. Vendo a decoração desta sala, eu tenho a certeza que o seu talento é inato.
- Muito Obrigada. Tive a ajuda dos meus irmãos que ainda estão se formando.
- Estou impressionado. Com certeza serão tão bons como tu és.
Espero ter a oportunidade de os conhecer.
- Assim será. Vejo você na sexta-feira?
- Claro. Ficarei esperando pela confirmação.
Enrico estendeu a mão para ela e quando deu a sua Pérola sentiu uma energia diferente fluir para o seu corpo.
- Até breve Enrico.
Ele foi embora e Pérola ficou o observando até que as portas do elevador se fecharam. Ela respirou fundo e terminou a sua água de uma vez só.
- Brianna! Está tudo bem?
- Sim Cris. Estou ótima.
Mas agora temos que começar a trabalhar. Estes projetos vão ajudar-me muito. A minha carreira depende deles e farei o meu melhor para não decepcionar um cliente como Enrico Belinni.
- Tudo bem. Vou reunir o pessoal e vamos começar a trabalhar na primeira maquete que será do Projeto Social.
- Faça isso por favor. Garanta também almoço, lanche e bebidas para todos. Vamos estar ocupados todo o dia.
O trabalho realmente deixou Brianna pensando em outra coisa.
A sua equipa trabalhou bastante e só saíram quando já começava a escurecer. Tinham feito até a metade da segunda maquete e tudo estaria terminado no dia seguinte.
Ela voltou para casa super cansada.
Assim que sentou, Berta a sua única funcionária entregou para ela um copo de suco de frutas.
- Obrigada Berta. És o meu anjo.
- Nada por isso. Nota - se que estás muito cansada. Como foi o teu dia?
- Cansativo, mas também muito produtivo. Estou prestes a assinar um contrato enorme com o Grupo Belinni.
- A sério?! Que maravilha minha menina. Eles são ótimos. Eu adoro as jóias da marca deles. São lindas demais.
- Concordo plenamente.
Isto para não falar dos perfumes que são sempre diferentes. Eu uso todos os produtos de beleza da marca deles.
- A minha neta também. E tem a pele maravilhosa. Estou a fazer risoto de frango para o teu jantar. Queres mais alguma coisa?
- Batatas fritas por favor. E mais deste suco delicioso.
Vou tomar um banho e já desço.
Por outro lado, Enrico também tinha planos. Ele adorava cozinhar.
Aliás, o fazia todas as noites para o seu menino.
Após a perda de sua noiva, ele tornou-se num super pai.
Estava sempre atento às necessidades do seu menino.
O ensinava muitas coisas á medida que também o preparava para o ambiente escolar.
Enrico sabia que quando o seu filho começasse a estudar tudo mudaria.
Todos saberiam da existência dele e por um tempo indeterminado a criança seria o centro das atenções, mas ele faria de tudo para o proteger de comentários e intrigas maldosas.
Quando voltou á sala o menino já tinha terminado de comer.
- Papá! Eu já terminei.
- Muito bem filho. Agora vai escovar os dentes e vista o pijama.
Eu já vou ler a sua estória está bem?
- Sim Senhor.
O menino foi ao quarto e Enrico chamou Mariana"Naná" que era quem tomava conta dele.
- Pois não Senhor?
- Mariana! Eu soube de algo e quero que me confirmes. Por favor não mintas.
- Está bem. Do que se trata Senhor?
- Você ouviu a Senhora Elena dizer que mandaria o meu filho para um Colégio Interno na eventualidade de casar comigo?
- Sim Senhor. Ela disse isso e de forma bastante c***l e convencida.
- Certo. Ela sabia que você a escutou?
- Sim Senhor. Pois em seguida afirmou que eu seria mandada para um asilo.
- Eu devia ter escutado os meus irmãos que nunca gostaram dela.
Tudo bem! Vou imprimir uma fotografia dela bastante recente. Quero que a dês para todos os seguranças. De forma alguma a devem deixar se aproximar desta casa. Ela não pode chegar nem mesmo ao outro lado da rua.
- Sim Senhor. Assim será feito.
- Vou passar as mesmas instruções em todas as instalações Belinni da Cidade. Ela não pode se aproximar de nós. Nunca.
- Com certeza Senhor.
Mariana foi distribuir as fotografias e passou as orientações deixando claro que a mulher representava um perigo para Daniel.
Por outro lado, Elena tentava entrar em contacto com Enrico mas não tinha sucesso.
Os seus e-mails retornavam e ela percebeu que estava bloqueada como contacto dele.
Nenhuma das suas tentativas dava certo. Até que teve a ideia de o procurar pessoalmente e foi aí que teve o seu maior choque.
Na entrada do condomínio onde vivia Enrico, tinha sido instalado um autdoor com uma fotografia sua e a palavra BANIDA em letras garrafais.
Elena sentiu - se humilhada, pois a mesma imagem estava em todos os empreendimentos que pertencia aos Belinni.
Ela foi para casa dos seus pais e estava furiosa.
- Maria Elena o que aconteceu filha?
- Foi o Enrico Mamãe. Ele me baniu.
- O Quê?
- Isso mesmo. Ele proibiu a minha entrada em qualquer lugar que pertença á família Belinni. Ou seja, em todos os lugares.
- Nossa Senhora. Porque ele fez isso?
- Por uma estupidez da minha parte Mamãe. Eu...Eu disse ao filho dele que o mandaria para um Colégio Interno depois de me casar com o pai dele.
- Eu nem acredito que tenhas descido tanto filha. Sabes bem que aquele menino é o limite da paciência e bondade do Enrico. Como foste tão i****a.
- Não sei Mamãe. Agora ele já sabe e me odeia. Cortou laços comigo e toda a cidade sabe disso. A minha reputação está acabada.
- Só a tua? As tuas palavras acabaram com o nome da nossa família. Você precisa de encontrar um jeito de fazer o Enrico te perdoar. E esquece a ideia absurda de casamento. Até eu sei que isso jamais vai acontecer. E mesmo que não dissesses nada, ele nunca se casaria com você.
- Já chega Mamãe. Já me sinto m*l o suficiente. O Enrico me quer longe dele e assim será. Se eu tentar fazer alguma coisa agora tudo vai piorar. Vou viajar por algum tempo. Acho que seis meses será o suficiente. Farei exactamente o que ele quer.
- Está bem. Mas fique fora por um ano. Vou falar com a Marcela para o convencer a retirar as fotografias.
- Obrigada Mamãe. Vou arrumar as malas. Vou sair esta noite da Cidade. Darei notícias quando chegar ao meu destino. Daqui a um ano eu volto disposta a me reconciliar com o Enrico.
Maria Elena foi embora se despedindo apenas de sua mãe.
Tinha exagerado nas suas palavras e agora fugia da imagem negativa que criou sobre si mesma.
Ficaria fora por um ano. Ela só não esperava que no seu regresso tivessem acontecido tantas mudanças.