Capítulo 2

2278 Palavras
Dias depois... Madison Já se passou uma semana e até agora não recebi nenhuma notícia sobre a vaga de emprego que me candidatei. Honestamente, já até perdi a esperança... Também pudera! Eu, uma pobretona, que trabalhou em vários b***s a vida toda, sem nunca ter tido uma experiência de verdade, pensar que posso trabalhar em uma empresa renomada como a Campbell Technology, chega até a ser cômico. Enquanto limpo as mesas da lanchonete, rio com meus próprios pensamentos, sou realmente uma sonhadora e vivo no mundo da lua. — Amigaaaaa! — sou tirada dos meus devaneios com minha amiga louca correndo em minha direção. — Ei! Calma, respira. — ela para em minha frente ofegante e eu a ajudo a controlar a respiração. — Não temos tempo para isso, seu celular... — ela ergue o aparelho e eu arqueio as sobrancelhas, confusa. — Chloe, você não está falando nada com nada, sabe disso né? — ela dá um último suspiro pesado antes de prosseguir. — Ligação para você, é da Campbell Technology, querem falar com você. — me entrega o celular e noto suas mãos tremendo, deixando transparecer o quanto está nervosa. Meus olhos estão esbugalhados, não estou acreditando ainda que a empresa ao qual me candidatei, realmente me ligou. — Atende logo, garota! — Chloe grita comigo. Coloco o celular no ouvido. — A... Alô. — tento não vacilar a voz devido ao nervosismo, mas falho miseravelmente. — Olá, senhorita Stuart. Sou a Zoe, diretora de recursos humanos da Campbell Technology — até penso em responder, mas não consigo — A senhorita se candidatou a vaga de secretária, ainda tem interesse? — Claro! — respondo mais alto do que planejei — Me desculpe, é que realmente estou precisando muito desse emprego. A mulher dá uma risada nasal. — Tudo bem, eu entendo — enquanto isso, Chloe está me olhando, prestando atenção em cada detalhe da conversa — A senhorita poderia comparecer a nossa empresa amanhã às oito, para uma entrevista? — Posso sim. — tento conter meu entusiasmo, mas a vontade de gritar é enorme. — Ok! Aguardamos sua presença amanhã, até mais. — Obrigada. — agradeço e encerro a ligação. — E aí? — Chloe nem espera que eu fale. Faço um pequeno suspense. — Fala logo, cara.lho! — ela pede impaciente e dou uma gargalhada. — Eu consegui, amiga! Tenho uma entrevista amanhã! — seguro as mãos dela e começo a pular, ela me acompanha. — Ah, meu Deus! Não acredito! Adeus pobreza, adeus vida miserável. — minha amiga fala divertida enquanto pulamos e não consigo parar de sorrir. — Mas não se empolga muito, ainda não tem nada certo. — Chloe bufa. — Para de ser pessimista, é claro que você vai conseguir — ela fica pensativa por alguns instantes — Temos que sair para comemorar. Paramos de pular e reviro os olhos. — Comemorar o quê, amiga? É só uma entrevista. — Justamente isso, querida. Nem uma mísera entrevista você estava conseguindo, então esse é um grande passo, não acha? — coloco a mão no queixo e meu olhar fica distante. — Pensando bem, você tem razão. — sorrio. — Claro que tenho, eu sou perfeita. — ela joga os cabelos para os lados em gabação, me fazendo revirar os olhos. — Aonde iremos? — pergunto com as sobrancelhas arqueadas. — Àquele barzinho que inaugurou recentemente e estou louca para ir. — arregalo os olhos e entreabro os lábios. — Ficou louca? Aquele lugar só é frequentado por gente rica e poderosa, me recuso a isso. — bato o pé no chão como uma criança birrenta. — Não se recusa a nada, nós merecemos nos dar esse luxo uma vez na vida e a senhorita vai, sim. Quando iria respondê-la, Hannah nos interrompe. — Acabou o recreio, meninas. Voltem ao trabalho, tem clientes chegando. — só então percebemos que estávamos quase aos berros. — Desculpa, Hannah. — peço envergonhada. — Lembrem-se que não estão em um parque de diversões. — o semblante de Hannah não é nada bom. Ela sai, nos deixando trabalhar. — Tenho vontade de arrastar a cara dessa mulher no asfalto, eu juro. — Chloe comenta irritada, logo após nossa chefe se afastar. — Aguenta mais um pouco, amiga. Precisamos desse emprego até conseguir algo melhor. — ela meneia a cabeça em concordância e respira fundo se acalmando. (...) — Pronta? — Chloe me pergunta, à medida que veste seu casaco ao fim do nosso expediente. — Para o quê exatamente? — uno as sobrancelhas. — Não me diga que esqueceu do nosso compromisso... — ela me olha incrédula. — Não esqueci, porém, não sei se lembra, mas eu disse que não iria. — dou de ombros. — Ah, mas você vai sim, nem que eu tenha que te arrastar, Madison. — dou uma risada, balançando os ombros. — Você não se atreveria... — a desafio. — Me testa que você vai saber. — nos encaramos firmemente. — Você sabe que não posso deixar minha avó sozinha por muito tempo. — ela levanta a mão, me interrompendo. — Nem começa, Madison Stuart! É sempre a mesma desculpa, faz um tempão que não saímos, porque você sempre coloca a vovó no meio disso para se safar. Mas dessa vez não vai colar. Não mesmo! — Chloe realmente está irritada e, não é para menos, ela está certa. Solto um longo suspiro. — Ok! Você venceu. — Chloe sorri vitoriosa. Antes de sairmos, envio mensagem a Hailey, enfermeira da vovó, avisando que chegarei tarde em casa, para o caso de ela precisar de mim. Guardo o celular em seguida e chamamos um táxi. Não demoramos a chegar no bar. Assim que entramos, vejo vários homens poderosos ali, os olhos da maioria deles chegam a escurecer, vendo carne nova no pedaço. Homens... Tão previsíveis... Procuramos por uma mesa para sentar. — Esse lugar é maravilhoso. — fico deslumbrada, enquanto olho ao redor e tiro meu casaco, deixando no recosto da cadeira. O bar é realmente perfeito, no centro dele havia um enorme balcão quadrado, rodeado por banquetas, algumas poltronas e sofás também, além de mesas e cadeiras, um verdadeiro luxo. — Sabia que você iria gostar. Agora vamos encher a cara. — dito isso, ela gesticula, chamando a atenção do garçom, que não demora a vir até nós. — Boa noite, senhoritas. O que vão querer? — nos pergunta gentilmente, sorrindo sexy e nos entrega o cardápio. Poderia jurar que ele está tentando flertar e, certamente, não é comigo. No cardápio há muitos drinks e bebidas, que só de imaginar, já me fazem salivar. — Amiga, teremos que vender um rim ou lavar os pratos, olha o preço de tudo. — meus olhos se esbugalham. — Relaxa, eu já pensei em tudo. — Chloe pisca para mim. — Então...? — o garçom pergunta. — Queremos dois dry martínis, por favor. — minha amiga se adianta em pedir. — Ok! — ele assente e sai em seguida, nos deixando a sós. — Amiga, o que está planejando? — crispo os olhos em sua direção. — Só relaxa e aproveita, que a noite é uma criança. — assim que ela se cala, observo ao nosso redor e meu olhar se prende a imagem mais perfeita desse mundo, passando pela porta do bar. Um homem vestido com um terno perfeitamente alinhado, feito sob medida, com um olhar bastante misterioso, entra no local. Ele está acompanhado de uma mulher, o que me intriga, porque nem assim, consigo parar de encará-lo. Me sinto desconfortável com isso. Porém, como se soubesse que estava sendo observado, ele olha em minha direção, fazendo nossos olhares se encontrarem, um calafrio percorre minha pele e meu coração acelera. O homem logo desvia o olhar do meu e poderia jurar e vi um sorrisinho de canto. — Madin? — sou desperta do meu transe com o som da voz de Chloe. Pisco repetidamente. — O que disse? — pergunto. — Está tudo bem? — ela me questiona com o cenho franzido. Pigarreio. — Sim, está sim. — forço um sorriso, mas ela não parece se convencer disso. Nossas bebidas chegam, o garçom deixa na mesa e sai novamente. Enquanto bebemos e conversamos, sinto-me ser observada o tempo todo, o que me incomoda bastante. Dou uma breve olhada de soslaio naquela direção e percebo que mesmo estando bem acompanhado, ele não para de me observar também. Meu corpo começa a queimar, uma sensação bem estranha de calor entre as pernas, nunca senti isso antes. Quero dizer, obviamente, sei o que é te.são, mas o que estou sentindo é diferente, chega a queimar. Enrosco uma coxa na outra, agoniada por essa sensação. — Amiga, vou ao banheiro, já volto. — entorno o restante da bebida na garganta, repouso o copo na mesa e levanto. Chloe me olha confusa e somente assente com um menear de cabeça. Sigo para o banheiro, entro e fecho a porta. Passo água em meu pescoço e sei.os, tentando amenizar esse calor. — O que está acontecendo comigo? — encaro meu reflexo no espelho — Vamos, Madison... É só um homem como qualquer outro. — dou dois tapas de leve em minha bochecha esquerda. Tento convencer a mim mesma sobre isso, quando, na verdade, sei que nunca vi um homem como este. Finalmente, estando um pouco mais calma, decido retornar, se eu demorar demais, minha amiga irá desconfiar que algo está acontecendo e, definitivamente, não quero isso. — Amiga, podemos ir? Não estou me sentindo muito bem. — pergunto-lhe assim que chego a mesa em que estamos. — Mas já? Ainda nem curtimos direito... — Desculpa, acho que o cansaço me pegou. — olho novamente de soslaio, disfarçadamente em direção ao homem, que sempre dá um jeito de me observar, mesmo de longe. — Tudo bem — ela murcha os ombros — Você está estranha, tem algo errado? — Chloe me analisa. — Não se preocupa, amiga. Vou ficar bem. — ela não parece se convencer disso, mas acaba aceitando sem retrucar. Vestimos nossos casacos, pagamos a conta que até que não foi tão cara quanto pensei e pegamos um táxi. No caminho, deixo a Chloe em casa primeiro, o carro para e eu espero ela sair. — Boa sorte, amiga. Assim que chegar, me conta tudo. — ela diz antes de fechar a porta do carro. — Avisa a Hannah, tá bom? — peço e ela meneia a cabeça em concordância, então o motorista dá partida, me levando para minha casa. Durante o trajeto, minha mente ia o tempo inteiro até aquele homem intrigante, por sorte, não demoro a chegar em meu destino. Pago a corrida e saio. Ao entrar em casa, noto que está bastante silenciosa, sigo direto para meu quarto, estou exausta, porém, a mente não relaxa. Tomo um banho rápido e visto uma camisola para dormir. Deito, mas tudo que consigo é me revirar de um lado para o outro. Bufo irritada, por não conseguir descansar. Decido levantar e tentar ler um pouco. (...) No dia seguinte, acordo assustada com o barulho do celular, completamente desnorteada. Olhando ao redor, tento me situar. — O que aconteceu? — olho ao redor e percebo que dormi sentada, enquanto lia. Pego o celular e vejo que se eu não correr, irei me atrasar para a entrevista. — Merda! Droga, Madison! — repreendo a mim mesma por ter acordado tarde. Corro para o banheiro, faço minha higiene rapidamente e visto a roupa adequada para uma entrevista, composta por uma saia preta, justa ao corpo, uma blusa branca de manga curta, coloco um scarpin também preto, penteio os cabelos, deixando-os soltos, faço uma maquiagem básica, sem exageros e corro para a empresa. (...) — Bom dia, tenho uma entrevista marcada para hoje. — falo com a mulher no balcão da recepção. — Madison, não é? — ela pergunta sorridente. — Sim. — franzo o cenho. — A Zoe está te esperando. — assinto com um leve menear de cabeça e ela levanta, fazendo menção para que eu a acompanhe. Eu lhe sigo e paramos em frente à uma porta, ela dá dois toques com os nós dos dedos, ouvindo um entre em seguida. Ela abre a porta, colocando somente a cabeça para dentro e eu fico atrás dela, consigo ouvir uma voz feminina e outra masculina, bem grave, que me causa um arrepio na espinha, provavelmente esse deve ser o chefe e senti isso por nervosismo. Uma mulher sai da sala, fechando a porta atrás de si e a recepcionista volta a sua função. — Muito prazer, senhorita Stuart. Sou Zoe. — damos um aperto de mãos e percebo o quanto ela parece ser gentil, além de muito bonita e elegante. — O prazer é meu. — retribuo o gesto. — Vamos para minha sala. — ela me guia até lá. Durante a entrevista, Zoe me faz algumas perguntas e fica aparentemente satisfeita com minhas respostas. — Gostei muito de você e da sua história, senhorita Stuart. Espero mesmo que você seja a escolhida do senhor Campbell. — fico contente em ouvir isso. — Obrigada, espero que ele goste do meu currículo, tanto quanto você. Quero dizer, a senhorita. — fico sem graça e ela ri. — Você é uma figura — ela comenta em meio a risada — Não se preocupe, entraremos em contato. — sorrio e levanto para ir embora. Quando fecho a porta e giro o calcanhar, esbarro em uma parede de músculos. — Me desculpe... — peço constrangida. Em seguida, levanto a cabeça e não acredito no que estou vendo bem na minha frente. Meus lábios se abrem em um perfeito “O” e meus olhos ficam arregalados.
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