Capítulo 5

1894 Palavras
Madison Tive um dia extremamente exaustivo no trabalho. Parece que não importa o que eu faça, Hannah nunca estará satisfeita. Estou farta! Estou sempre tentando dar o meu melhor, faço até mais do que deveria... Mas nem mesmo assim, ela deixa de encontrar algo para reclamar ou questionar. Infelizmente, preciso suportar tudo isso por minha avó, não posso fraquejar agora, justamente quando ela mais precisa de mim e do meu esforço. Minha mente está sobrecarregada, penso em milhões de coisas ao entrar em casa, após mais um dia de expediente. O que mais desejo nesse momento é um banho relaxante e forrar o estômago, que está quase colando nas costas. Sento por alguns minutos no sofá, respirando fundo. Inclino a cabeça para trás e coloco as mãos na nuca. — Oh, me desculpe... Não vi que tinha chegado, senhorita Stuart. — Hailey, a enfermeira da vovó, sai da cozinha segurando uma bandeja com um copo de suco e algumas torradas. Certamente está levando para a vovó. Ela tem uma dieta restrita, devido ao problema de saúde. — Tá tudo bem, Hailey — levanto a cabeça para olhá-la — E quantas vezes já disse que não é necessário toda essa formalidade, hum? — ela para no meio do caminho. — É o hábito, senhori... Quero dizer, Madison. — ela responde acanhada, me fazendo dar uma risada nasal. — Tudo bem, não faz m*l. E como ela está? — me refiro a vovó. — Acordou incrivelmente disposta hoje, até pediu algo para comer agora. Coisa que ela nunca faz. — abro bem os olhos, extasiada com essa informação. — Que notícia maravilhosa, Hailey! Isso significa que ainda há esperança, temos chance de que ela melhore. — sorrio. Minha animação é nítida, porém, percebo que Hailey não compartilha dessa empolgação. Isso me faz murchar os ombros. — Perdoe-me, senhorita... É que já vi muitos casos assim em todos esses anos exercendo minha função como enfermeira, então não posso afirmar nada sem que a Dorothy tenha um tratamento adequado. — ela comprime os lábios. Suspiro pesadamente. — Está tudo bem, Hailey. — forço um sorriso. — Tenho que levar o lanche para ela... — me faz lembrar disso. — Ah, tudo bem, pode ir. Irei tomar banho e depois vê-la. — Hailey meneia a cabeça em concordância e segue para o quarto. Assim que a perco de vista no corredor que dá para o quarto da vovó, pego meus pertences no sofá e levanto, direcionando-me ao meu quarto. (...) Enquanto tomo banho, lembranças da noite passada preenchem a minha mente louca. Lembro perfeitamente daquele homem misterioso. Não consigo entender porque não consigo parar de pensar nele. Vez ou outra, imagens dos nossos dois encontros, por obra do acaso, me invadem. Fecho os olhos e a cena de hoje mais cedo, quando esbarrei com ele na empresa, vem à tona. Aquele cheiro másculo, amadeirado. O aroma do seu hálito exalava frescor. Sinto minha pele se arrepiar e uma sensação estranha de formigamento em minha i********e. Os b***s dos meus s***s endurecem, e ainda de olhos fechados, passo a língua nos lábios involuntariamente. Não sei o que está acontecendo comigo, só sei que é loucura meu corpo ter todas essas reações apenas pensando naquele homem. Nunca passei de uns amassos com homem nenhum, mas pelo que a Chloe me fala — por ser mais experiente que eu — as coisas não acontecem desse jeito. Alguns minutos depois, saio do box com uma toalha enrolada no corpo e outra no cabelo. Visto meu pijama de oncinha, calço minhas pantufas, desembaraço os cabelos, deixando-os secar naturalmente e saio do quarto. Paro em frente a porta do quarto da vovó e dou dois toques com os nós dos dedos, na porta. Como não ouço resposta, abro a porta devagar, colocando somente a cabeça para dentro. — Atrapalho? — pergunto-lhe, segurando a maçaneta. — Minha menina! — os olhos dela brilham ao me ver, me fazendo sorrir. — Oi, vovó — abro mais a porta, me dando espaço para passar e me aproximo dela — Como a senhora está? Seguro sua mão e beijo seus cabelos. — Estou bem, minha filha. Senti sua falta, não te vejo desde ontem a noite. — noto um certo tom de tristeza em sua voz. — Desculpa, vovó. Meu dia ontem foi daqueles... Quando cheguei, a senhora já estava dormindo. — sento na cadeira ao lado da cama. — Você precisa descansar, Madin. Está horrível! — estalo em língua na boca em um muxoxo. — Obrigada por elevar minha autoestima, vovó. — ironizo e ela ri, levando a Hailey a rir também, mas acaba tossindo em meio a risada. O que me deixa em alerta. Hailey se aproxima dela e eu fico sem ação. — Como irei descansar? Não posso, vovó... Não posso fazer isso enquanto não conseguir um bom emprego. Olha para isso, está piorando a cada dia. — murcho os ombros. — Isso não é nada, filha — ela finalmente consegue se acalmar, respirando fundo — Madison, eu não ficarei aqui por muito tempo, você não vai me ter a vida toda — sinto meus olhos marejarem ao ouvir suas palavras — Precisa viver. Não pode se privar das coisas por minha causa. Não era isso que seus pais iriam querer. Mesmo tentando ser forte, não consigo. Trinco o maxilar, impedindo-me de desabar na frente dela. — Não posso te abandonar, eles não iriam querer isso, vovó... — me refiro aos meus pais com pesar. Ela pega em minha mão, acariciando com o dedo polegar. — Eles iriam querer que você fosse feliz. Não que estivesse deixando de viver por causa de uma velha como eu. Pensa que não sei que você sempre dá uma desculpa para não sair com a Chloe e ficar comigo? — arqueio as sobrancelhas, pois, nem passava pela minha cabeça que ela soubesse disso. — Eu... — abro a boca tentando me retratar, mas não consigo dizer nada. E ela tem razão. Vovó ri outra vez. Desvio meu olhar para a Hailey, que está parada sem se pronunciar, apenas nos observando. — Juro que não tenho nada a ver com isso, senhorita Stuart. A senhora Dorothy é terrível. — vovó ri de lado. — Ela está falando a verdade, Madin. Te conheço desde que era um bebê, então não é difícil saber suas ações, querida. — Tudo bem. Vou deixar a senhora descansar, tenha uma boa noite. — levanto da cadeira e beijo sua mão. — Boa noite, filha. Pensa no que te falei... — forço um sorriso. — Boa noite, Hailey. — olho para ela. — Obrigada, senhorita Stuart. — em seguida saio do quarto. (...) A porcaria do celular me faz acordar com o som ecoando pelo quarto. Sem abrir os olhos, aperto o rosto no travesseiro, tentando tampar o ouvido, afim de permanecer dormindo, porém, não consigo. É impossível! — Droga! — resmungo contra o travesseiro. Viro de barriga para cima e bufo, irritada por já ter que levantar. Sério! A vida do pobre é uma merda, mesmo descansando por horas, devido à rotina de trabalho, estamos sempre nos sentindo exaustos. Estico o braço na direção da mesinha ao lado da cama para pegar o celular, que continua berrando. — Cala a boca, merda! — reclamo com o aparelho em minhas mãos, como se ele pudesse silenciar sozinho. Finalmente encaro a tela, percebendo que não é o despertador, é uma ligação de um número desconhecido. Sento na cama e franzo o cenho. — Quem me ligaria a essa hora? Está muito cedo... — verifico as horas. Mesmo receosa, decido atender. — Alô. — minha voz falha um pouco. — Bom dia, senhorita Stuart — é uma voz feminina e soa familiar, mas não lembro quem é — Perdoe o horário, mas o assunto é urgente, não podíamos esperar. — Quem está falando? — Oh, me desculpe. Sou a Zoe Lewis, te entrevistei ontem na Campbell Technology... É claro, sabia que conhecia essa voz. — Eu lembro de você. Acabei de acordar, por isso demorei a reconhecer. Qual o motivo da ligação? Confesso que não pensei que me ligariam, nem mesmo para dar uma resposta negativa. — sou sincera e ouço uma risada sem graça ao fundo. — Está bastante enganada, senhorita Stuart. Gostamos muito do seu currículo e principalmente de sua entrevista. Por essas razões, queremos você em nossa equipe. — meus lábios se abrem em um perfeito “O” após escutar suas palavras. Fico calada por alguns segundos, sem conseguir expressar com palavras o que estou sentindo no momento. — Senhorita Stuart? — a voz da mulher me tira do transe. Pisco repetidamente. — Eu fui aceita? Estou contratada? — é notória minha incredulidade. Mas também pudera! Estou há tanto tempo atrás de um emprego que venho perdendo as esperanças aos poucos. — Sim, isso se não já tiver recebido outra proposta. Com esse currículo impecável, afirmo com convicção que muitas empresas estão perdendo um grande talento. — ainda bem que estamos nos falando através de uma ligação, pois, meu rosto certamente enrubesceu. — Agradeço o elogio, senhorita. Quando devo comparecer à empresa? — não tenho costume de falar formalmente, mas a partir de agora, serei obrigada a fazê-lo. — Se possível ainda agora pela manhã. Tem disponibilidade para às nove horas? — Claro. — Ok, senhorita Stuart. Até mais tarde! — ela se despede e encerra a ligação. Fico paralisada, sem saber como agir ou o que pensar. Isso realmente aconteceu? Eu consegui um emprego? Ai meu Deus! Eu consegui um emprego! Começo a rir descontroladamente e pulo na cama, me sentindo extasiada. — Eu consegui! Estou empregada! — paro de pular ofegante, tentando controlar a respiração. Desço da cama e olho no celular, percebendo que se eu não correr, irei me atrasar para o primeiro dia de trabalho. — Droga! Chloe vai me matar se eu não contar essa novidade a ela, mas isso vai ter que esperar. — lembro da minha amiga dramática. Corro para o banheiro, não demoro no banho. Ao sair, visto uma roupa adequada para a ocasião. Trabalhar num lugar chique como aquele vai ser dureza, não tenho roupa suficiente para o desfile de modas que costumam ser esses lugares. Por sorte, tenho algumas peças simples, mas que dão para o gasto. Escolho uma calça social branca, uma blusa preta com decote em v discreto e um blazer também branco. Por último, um cinto preto, largo, para completar o look. Faço uma maquiagem básica, deixo os cabelos soltos com leves ondulações naturais, me perfumo, coloco alguns dos meus pertences numa bolsa e antes de sair envio mensagem para a Chloe. “Amiga, avisa a Hannah que irei faltar hoje. Consegui aquela vaga de emprego, estou indo lá agora. Passo aí mais tarde para me acertar com ela. Assim que chegar te conto tudo, me deseje sorte.” Madison. Quando estou prestes a guardar o celular, Chloe me liga, mas infelizmente ela terá que esperar. Se eu não sair agora, ferro com tudo. Deixo o celular tocando e sigo meu rumo, com destino a Campbell Technology. Estou mega nervosa. E se eu der de cara com aquele homem outra vez? Sim, porque pelo visto ele trabalha lá. Deus me ajude a não vê-lo. Ou pelo menos, a não perder a voz na frente dele. Não saberia como lidar com isso agora.
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