Capítulo 8

1133 Palavras
Quando cheguei de uma viagem que fiz com o Alexandre, soube que meu marido havia levado as crianças embora com uma ordem judicial. Fui louca atrás dele, gritei para a cidade toda ouvir que meu filho mais novo era de outro homem e que ele não tinha o direito de tomar ele de mim. Ele se trancou e me ignorou completamente. Quando vi que não ia conseguir nada, resolvi ir morar com o Alexandre e entrei com o pedido da guarda das crianças. Todos os dias, o Alexandre dizia que tudo ia se resolver, me apoiou incondicionalmente, gastando muito comigo. Eu me perguntava por que aquilo estava acontecendo comigo. Tudo o que sempre quis foi um grande amor que me amasse de verdade, que me completasse. Consegui direito a visitas a cada 15 dias. Eu morava em um apartamento na cobertura com o Alexandre, tinha empregada. Soube por funcionários que os filhos dele estavam totalmente contra. Quando eu ia ficar com meus filhos, ficava na nossa cidade mesmo. Só conseguia sair se levasse a minha enteada junto para vigiar. Foram tempos difíceis, mas eu sabia que tudo ia passar, se resolver. A minha separação saiu, eu estava divorciada, livre para recomeçar. Minha amiga me aconselhou casar, fazer uma união estável pelo menos, para garantir meu futuro e ter uma segurança financeira. O Alexandre não falava disso, ele queria viver o momento. Tentei, como quem não queria nada, falar de ir adiante, mas ele parecia não estar dando importância, levava tudo na esportiva, na brincadeira. Um dia fiquei muito chateada, queria meus filhos comigo, pensei em largar tudo e implorar para voltar com o Dom. Então fui pedida em casamento, ele disse que não estava para brincadeira e me queria com ele para o resto da vida. Fomos conversar com os meus pais, eu os respeitava muito. Eles estavam baixando a guarda comigo, aceitaram a nossa decisão meio contrariados. Quando estávamos saindo de casa, vi o Ricardo do outro lado da rua. Ele deu tchau com um sorriso irônico e, na mesma semana, voltou a me atormentar, falando que tinha saído da cadeia e me queria, que ficou sozinho porque eu arruinei o casamento dele. Toda segura de mim, coloquei ele para correr. Ele, revoltado, voltou a me ameaçar com as minhas fotos nuas. Eu finalmente tinha conseguido o que queria, iria me casar com o Alexandre. Estava radiante, escolhendo meu vestido de noiva, quando peguei no meu celular, vi várias ligações, dos meus pais, amigos e Alexandre. Liguei correndo para ele, achando que teria acontecido algo. Quando ele atendeu, gritava e me xingava, falando que eu nunca iria me mudar, me chamando de vagabunda. Eu não entendi, e ele disse para eu entrar no f*******:, que eu era o assunto do bairro todo. Além de postar minha foto nua, Ricardo também postou várias conversas minhas contando da minha vida e sobre minhas traições. As pessoas comentavam coisas horríveis ao meu respeito. Desesperada, eu fui para meus pais, que falaram estar envergonhados de mim. Expliquei que o Alexandre me colocou para fora de casa, que eu não tinha nada. Minha mãe disse que me amava, mas nunca tinha me colocado limites e eu precisava aprender, então que seria duro, mas não iria me ajudar. Fui atrás do Dom, ele nunca me negaria ajuda. Quando cheguei na casa dele, tinha uma outra mulher com ele e com meus filhos. Fiquei desesperada, estava tudo dando errado. Fui para cima dela, mas ele já sabia de tudo. Disse que estava entrando na justiça para eu ter direito só de ver meus filhos acompanhada, pois não era uma boa influência. Perdi o chão. Fui para casa da minha amiga, ela aceitou me ajudar, porém pediu que eu arrumasse um trabalho. Procurei por semanas, mas não consegui nada bom, principalmente pela fama de que eu tinha. O que eu consegui foi emprego de faxineira em uma escola. Como minha amiga estava reclamando muito por eu estar sem trabalhar, eu aceitei. Dom conseguiu uma liminar para que eu visse meus filhos só com supervisão, já que provou que eu deixava meus filhos para me encontrar com outros homens. Eu sofri muito, mas não entendia por que estava acontecendo tanta coisa comigo. Eu só queria amar e ser feliz do meu jeito. Trabalhando na escola, via os filhos com seus pais. Não conseguia ver meus filhos sempre por um erro meu. O tempo foi passando, via que todos estavam felizes e eu ali, trabalhando sempre, fazendo bico no fim de semana. m*l dava para pagar minhas dívidas e não tinha nem meus filhos comigo. Eu tentei falar com outros homens, mas já era tarde. Todos me tratavam como p*****a, me usavam e sumiam depois, falavam coisas horríveis para mim. Como isso pode acontecer comigo? Fui ver meus filhos e meu filho mais novo não me olhou, ele simplesmente me desprezava. Eu fui brigar com o Dom e ele disse que não era ele fazendo a cabeça do meu filho, mas minha distância. Meu filho achava que eu o tinha deixado com a avó para viver a vida com homens. De certa forma, ele não estava errado, mas eu ia voltar para buscar eles. Sentir a rejeição do meu filho me doeu muito. Meu filho, que não era filho do Dom, o amava e o respeitava, tratava melhor do que a mim, que lutei para ele estar hoje aqui, mesmo sofrendo tudo o que sofri na gravidez. Me sentia injustiçada, mas eu também via que o Dom o amava e o tratava igual aos seus filhos. A filha do Dom, mais velha, voltou a morar com eles, porque o Dom não achou justo ela estar afastada da casa que era dela. Quando eu ia ver meus filhos, ela sempre implicava comigo. Que raiva eu sentia e não podia fazer nada. Fui vivendo minha vida, trabalhando na escola, às vezes na feira aos finais de semana. O juiz tinha decidido que eu teria que pagar pensão para as crianças. Eu precisava pagar as contas da casa e também juntar dinheiro para meu futuro. Eu tentava ir atrás dos meus pais, mas o meu pai estava sendo grosso e me humilhando, falava que eu era o desgosto da família e que os amigos dele já sabiam da minha fama. A maioria das pessoas à minha volta me tratava como uma garota de programa. Não que tenha problema ser, mas eu nunca cobrei para ter relação. Eu só gostava de uma boa vida como a maioria das pessoas. Se meus namorados querem me mimar, qual o problema nisso? Sim, eu traí e sei que é errado, mas eu buscava o que me faltava em casa, achava o Dom muito bonzinho e eu gostava do risco, da surpresa e não da normalidade de um casamento comum.
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