Terminei para valer com o Ricardo. Ele foi bem claro, disse que não ia desistir já que eu tinha acabado com o casamento dele. Todos os dias ele mandava muitas mensagens, eu só ignorava. Ele começou a namorar e diminuiu a quantidade, mas nunca parou.
Após meses sem contato algum com o Alexandre, apesar de muito decepcionada, eu não deixei de pensar nele. Algo me dizia que a nossa história não tinha acabado ainda. Os dias foram voando, passando rápido, e meu marido cada vez melhor, apesar de estar sofrendo com o tratamento.
Um dia eu estava indo buscar meu filho na escola, quando desci do carro e fui passar a rua, ouvi meu nome. Era um homem encostado em uma caminhonete, nunca o vi antes. Olhei assustada, ele veio até mim e disse:
- Meu patrão gostaria de falar com você, o Sr. Alexandre.
Nem acreditei, fui até o carro, ele desceu todo sem jeito. Fiquei séria, falei que não tínhamos nada para conversar, muito menos ali. Ele disse que ficou m*l de saúde após ter sido roubado assim que viajou, perdeu o meu contato e não teve como me encontrar até então...
Tudo pareceu ser verdade, mas eu estava esperando meu filho sair, só tive tempo de passar o meu número para ele e já nos despedimos. Ele foi embora. Fiquei no mundo da lua, imaginando como seria estar com ele novamente. Voltamos a conversar muito, contei tudo o que aconteceu comigo naqueles meses. Ele disse que viu a morte de perto e então agora queria aquietar, ter uma nova esposa. Duas semanas depois aceitei ver ele, mas foi diferente, ele estava mudado, falava sério, desejava me ter a qualquer custo. Falei que a minha prioridade era meu marido e meus filhos. Ele respondeu que não tinha muito tempo para me esperar, que precisávamos viver intensamente tudo. Dessa vez não transamos, mas ficamos de chamego. O Dom agradecia todos os dias por ter eu como esposa. Aquilo me dava tédio e pena, era deprimente um homem tão bobo. Eu queria mais, muito mais da vida, cuidava dele para ver se ficava livre de uma vez.
Para minha sorte, o Ricardo foi preso, estava mexendo com drogas e então parou de me perseguir, ameaçar. Estava cada vez mais difícil não ficar com o Alexandre, estávamos apaixonados, tendo um relacionamento virtual apenas. Em menos de um ano o Dom se recuperou, venceu o câncer e parecia estar três vezes mais apaixonado por mim. A filha dele estava mocinha e implorava para morar conosco, eu falava ou ela ou eu, Domenico, escolha. Queria muito que ele escolhesse ela, comecei a infernizar a menina como dava, inventava histórias dela com meninos mesmo sem nunca ter visto nada errado dela. Eu achava que ia conseguir a minha liberdade assim, mas meu marido sempre contornava tudo e apaziguava como dava.
Quando eu falava em separação, ele dizia que não ia superar, que ia ficar com a guarda das crianças. Tudo piorou quando ele perdeu a mãe. Eu nunca sabia se estava sendo manipulada ou sendo correta com ele. Acabei me distanciando de todos, virei uma pessoa triste, amargurada. Eu só ficava um pouco melhor quando conversava com o Alexandre. A minha amiga fez aniversário, eu fui só com as crianças, aproveitei para marcar de ver o Alexandre, nem fiquei no aniversário na verdade. Ele me convidou para viajar com ele e percebi que podia estar iludida, vivendo uma fantasia. Resolvi pagar para ver, aceitei, só pedi alguns dias para me organizar. Quando cheguei no aniversário, contei tudo para a Nati. Ela disse:
- Amiga, sempre vou estar do seu lado, mas tô com mau pressentimento.
Eu estava decidida, nada ia me fazer mudar de ideia. Fui para casa, quando cheguei, meu marido estava na sala, assistindo televisão, sério. Perguntou como tinha sido a festa, falei que ótima. Ele respondeu:
- Mentirosa! Você foi para outro lugar.
Menti que tinha ido comprar gelo, bebidas. Ele respondeu grosso:
- Coloca as crianças na cama que hoje vamos conversar.
Nunca tinha visto o Dom daquele jeito. Fiz meu caçula dormir e fiquei deitada junto, fingindo que estava dormindo. Amanheci acordada, pensando no que ele sabia. De manhã, ele levantou antes de mim para ir trabalhar, foi no quarto me chamou para perguntar se eu tinha outro. Jurei de pé junto que não, pedi a separação, alegando estar sendo injustiçada. Ele disse que ia me dar a separação se eu assumisse que tinha outro, ameaçou me deixar sem nada, disse que tinha provas contra mim para tomar a guarda das crianças. Ele foi trabalhar e eu fiquei desesperada, com medo. Contei tudo para minha mãe, que o meu caçula não era filho do Dom. Ela acabou comigo, brigou muito, disse que se eu era uma mãe de verdade, ia fazer a coisa certa.
Quando me abri com a minha mãe, ela disse que se eu fosse uma mãe de verdade ia fazer a coisa certa. Eu estava cansada de me colocar sempre em segundo plano. Acabei brigando com a minha mãe, fiz as malas do Dom e deixei na sala. Quando faltava meia hora para ele chegar do trabalho, meu filho caçula viu as malas e falou que se o pai fosse embora ele iria junto. Acabei desistindo, mas meu marido viu. Então passou a me tratar m*l, ameaçar. Uma semana depois, voltei a me encontrar com meu amante, ele me ajudou a procurar advogado para analisar meu caso. Eu estava deslumbrada com tudo, os presentes, as nossas noites de amor, o modo que ele me tratava. Meu marido tentava ser r**m, mas não conseguia. Para fazer as pazes, me ofereceu uma cirurgia bariátrica. Não aceitei nada. Um tempo depois, do nada, meu marido fez as malas e saiu de casa, ele parecia estar devastado. Meu pai virou um bicho comigo, mas eu estava cega de paixão. Na primeira oportunidade, apresentei o Alexandre como um amigo meu para as crianças e deu errado. As crianças o rejeitaram, começaram a ficar doentes, querendo o pai, já que quase não se viam comparado a antes. Eu não trabalhava, estava pagando as contas com o dinheiro do Alexandre. Quando fui conhecer os filhos dele, tudo ficou pior. Eles colocaram na cabeça que eu só estava com ele por interesse e isso não era verdade, nós nos amávamos. A filha dele chegou a me falar que eu não ia conseguir nada, que logo o pai dela ia cansar de mim. Eu dava risada, ignorava, a opinião de ninguém importava. Meus pais viraram a cara para mim, cortaram contato praticamente, achavam que eu tinha obrigação de ficar casada.
Pouco a pouco começamos a ser vistos juntos em público. Eu não tinha me separado no papel, mas achei que não importava. Alguns meses depois do meu marido sair de casa, fui a um passeio de dois dias, deixei meus filhos com meus pais. Quando voltei, meu marido tinha levado eles embora e com ordem judicial.