Aurora
- Seja o que Deus quiser.
Digo, encarando o imenso portão da luxuosa mansão de Oliver Valença. O homem dos sonhos de qualquer mulher, não por ser rico, e sim por tratar uma mulher como uma rainha. Bruna, sobrinha de Dona Marlene, proprietária do mercadinho em frente à minha casa, contou-me que ele só faltava beijar os pés da tal Nicole. Porém, a infeliz mostrou a sua verdadeira face, revelando que o seu amor era pelo dinheiro do marido, e quando fisgou um homem mais rico, não hesitou em deixar a sua família.
Saio dos meus pensamentos sobre a vida do bilionário, que talvez se torne o meu chefe, e toco o interfone. Uma voz grossa e potente questiona quem eu sou.
- Eu preciso de um emprego. Sou esforçada e aprendo...
O homem não me permite terminar de falar. O portão se abre de repente, me assustando.
Entro e deparo-me com três homens que parecem o Incrível Hulk, de tão fortes que são.
- Pode entrar, senhorita Abigail.
O cara que tem a voz semelhante aos vilões dos desenhos animados para crianças diz, provavelmente achando que sou a candidata para a vaga de baba.
- O senhor está enganado.
Mais uma vez fui interrompida.
- Está atrasada. Vamos logo, o senhor Oliver é muito ocupado.
Uma mulher vestida elegantemente, com uma postura séria e profissional, surge no meu campo de visão.
- Senhora, eu sou...
- Uma pessoa muito irresponsável. O tempo do meu chefe é precioso. Vamos logo, garota.
Diz, me puxando pelo braço como se eu fosse uma criança que tivesse fugido da sala de aula para aprontar.
Fico boquiaberta e trato logo de fechar a boca, evitando engolir um mosquito ou mosca. A mansão é um palácio moderno e sofisticado. Nunca estive em um ambiente tão refinado.
- A senhora tem um mapa?
Ela me olha como se eu fosse uma maluca.
- Mapa para quê, garota?
- Para não se perder nesse palácio.
Sorrio e ela fecha a cara.
Mulher m*l-humorada. Parece que tem raiva do mundo.
- Me siga e mantenha a boca fechada.
- Mas...
O corvo raivoso não me dá ouvidos e se move. A sigo, tentando contar quem eu sou, no entanto, falho miseravelmente na minha missão devido a um homem que, sem dúvidas, é um deus grego, que teve o seu rosto esculpido por anjos extremamente talentosos.
- Espero que tenha uma boa explicação pelo atraso, senhorita Abigail.
- Eu me desculpo, mas...
- O seu currículo é ótimo. Não parece ter 26 anos.
O deus grego gostoso me encara, intrigado. Me sento no enorme sofá da sala e despejo tudo de uma vez.
- Senhor Oliver, meu nome é Aurora. Seus funcionários me confundiram com a candidata para baba. Eu preciso tanto de um emprego. Essa casa é enorme. Sou boa em fazer faxina. Se me der uma chance...
Ele faz um sinal para que eu pare de falar.
O seu olhar se torna aborrecido, o que o deixa mais "sexy". Os seus olhos são castanhos e intensos, dá vontade de mergulhar neles. Os cabelos estão impecáveis, de um tom castanho escuro. A barba rala e o terno me fazem babar. Ele é o meu príncipe!
- Eu não contrato adolescentes. Os seus pais sabem que você não foi para a escola, pirralha?
Oliver de repente vira um sapo prepotente e rude.
Quando ia falar algumas verdades, um choro alto e sofrido de bebê ecoa por todo o ambiente.
Uma mulher aparece na sala com um ser fofo que chora sem parar.
- Ela está com cólica, senhor. Como disse mais cedo, não entendo muito sobre bebês.
Oliver pega a sua filha com um olhar desesperado.
- Meu Deus, vou pegar uma compressa quente.
O corvo raivoso diz, e não vejo nenhuma preocupação no seu rosto.
- Eu posso ajudar.
- Garota, volte para o buraco de onde veio.
Se não fosse pela bebê, já teria dado uma lição nessa mulher desagradável.
- Vai logo buscar a droga da compressa, Margaret.
Ele tenta acalmar a filha, mas não funciona.
- Oliver, eu vivi em abrigos antes de completar dezoito anos. Aprendi a cuidar de crianças e bebês. Sei fazer uma massagem que irá amenizar a dor da sua pequena. Deixa-me ajudar.
Ele engole o orgulho e a desconfiança, permitindo a minha aproximação.
Com movimentos delicados, começo a massagear a barriguinha da adorável bebezinha. Canto uma música de ninar para distrair Amora da dor. Aos poucos, o seu choro vai diminuindo o volume e, enfim, a expressão de desconforto some.
- Você é tão linda, Amora. O seu rostinho não combina com tristeza. Quero ver o seu sorriso.
Faço cócegas suavemente nela e ela sorri. Me derreto como o sorvete que esqueço de colocar na geladeira. Um amor gigantesco toma conta de todo o meu coração. Seu sorriso banguela me traz uma paz que não sei como explicar.